Benfica-V. Guimarães, 4-0: Toda a fé de Simão nas botas de Fehér
Já se sabia que mais cedo ou mais tarde o Benfica-Vitória de Guimarães ia ser dominado pelo duelo Simão-Fary. O que não passou pela cabeça de ninguém é que o jogo se tornasse ainda muito cedo tão favorável ao Benfica de tal forma que, antes do intervalo, já estava mesmo arrumado. Para isso contribuíram os golos encarnados, obviamente, mas também a expulsão de Cléber que arruinou os planos de Inácio e deixou nos minhotos uma certa sensação de injustiça que só depois do intervalo se concluiu que tinha sido minimamente digerida. Esse vermelho acentuou a cor dominante do jogo, cujo resultado não voltou a ser discutido e só não foi mais dilatado porque o Benfica se ausentou durante largos períodos da segunda parte e também porque o Vitória soube reagir com dignidade ao peso que o marcador já registava.
O Vitória foi, aliás, a equipa que entrou melhor no jogo. Com o habitual esquema dos três centrais, a equipa de Inácio apareceu solta, envolvente e a jogar bonito. Esteve mesmo à beira de marcar (7"), mas Argel surgiu no caminho do remate frouxo de Hugo Cunha. O Benfica via jogar mas quando Simão arrancou os primeiros aplausos no Jamor (o remate em jeito saiu ao lado) como que despertou para a necessidade de começar a trabalhar para a vitória.
E em boa verdade não teve de esperar muito para ter resultados. Um grande lance de Geovanni (grande responsável pelo 3-0 com que o Benfica chegou ao intervalo) e Armando, terminou com um remate indefensável de Fehér. Era o primeiro de três, todos eles a concluírem belíssimas movimentações do ataque encarnado. O Benfica entrou então num ciclo arrasador. Geovanni era o motor de explosão, Zahovic dava o toque de classe, Simão procurava ser feliz sem obsessões, Tiago e Petit tinham o meio-campo sob controlo. Descontrolado ficou Cléber quando Fehér lhe fugiu outra vez. Martins dos Santos avisou-o. Nem de propósito: no lance seguinte, Cléber atirou o húngaro outra vez ao chão. O árbitro até poderia ter poupado o vermelho, mas achou que não havia razões para ser tolerante. O balanço do Benfica cresceu. Pese embora as tentativas de Pedro Mendes e Nuno Assis, era o Benfica quem conseguia provocar os desequilíbrios suficientes para acentuar a diferença. Sempre com Simão nos lances dos golos.
A segunda parte começou com outro golo mas... em Aveiro. Os adeptos benfiquistas reagiram, lembraram-se do que também estava em jogo e começaram a puxar por Simão. A equipa não. Parecia estar interessada em cumprir o resto do tempo de jogo como mera formalidade. O Vitória aproveitou, claro. E com Fangueiro em campo ganhou alma e criou situações de golo. O pior é que até Bossio estava em dia sim. O esforço minhoto era em vão. Tal como o de Simão que durante largo tempo da segunda parte atacou sozinho. Só muito tarde é que a equipa começou a dedicar-se quase em exclusivo a Simão e ao golo que lhe poderia dar a Bota de Ouro. Mas quem marcou outra vez foi Fehér... a passe de Simão. Toda a sua fé estava afinal nas botas do húngaro.