Carlos Azenha: «Lamento não poder trabalhar com Toni»
Apesar de Toni e António Simões lhe terem endereçado o convite, Luís Filipe Vieira tomou outra opção, situação que o ex-técnico do Vitória de Setúbal diz compreender: ”Ele escolheu apenas a pessoa que no seu entender melhores garantias dava para esse lugar”
CARLOS Azenha ”foi” preparador físico do Benfica durante uma semana. O tempo entre o convite de Toni e António Simões e a contratação de José Gomes, por parte da SAD. Uma história curiosa, que Azenha conta na primeira pessoa, sem deixar transparecer qualquer rancor ou mágoa.
”Não renovei contrato com o Vitória de Setúbal porque me foi endereçado um convite para fazer parte da equipa técnica do Benfica”, começa por explicar Carlos Azenha, para depois lembrar os passos que o levaram do sonho à realidade: ”Depois das conversas com Toni e António Simões, para mim ficou claro que iria para o Benfica, até porque no dia da vigem da equipa para os Estados Unidos, Toni voltou a telefonar-me, confirmando o que me havia dito dois dias antes.”
– As notícias que davam, depois, José Gomes no Benfica não o incomodaram?
– Passaram-me ao lado, porque pensava estar tudo acertado.
– Chegou a falar com algum dirigente do Benfica, para além de António Simões?
– Não.
– E quando soube que já não ingressava no Benfica?
– Quando o Toni chegou dos Estados Unidos telefonou-me, dizendo-me que sabia da existência de contactos com o José Gomes. Nessa altura fiz logo questão de o libertar do compromisso que tinha comigo. Expliquei-lhe que não valia a pena estar a bater-se pela minha entrada uma vez que existia esse compromisso com José Gomes. Se o presidente escolheu assim, por certo reconhece capacidades ao José Gomes e entende ser ele a pessoa indicada para ocupar o cargo. Desejo-lhes, por isso, as maiores felicidades.
– Magoado com tudo isto?
– Não, apenas lamento três coisas: não poder ter trabalhado com Toni, que é uma figura ímpar do nosso futebol; não ter tido a oportunidade de trabalhar com o catedrático da metodologia de treino neste país, que é o Jesualdo Ferreira e, por último, não ter conseguido cumprir o sonho que o meu pai tinha de eu treinar no Benfica.
Estágios em Itália
Carlos Azenha já realizou três estágios em clubes italianos, uma opção, de resto, seguida por muitos outros técnicos portugueses. Por isso mesmo, pedimos-lhe que explicasse melhor o porquê de tais investimentos e o retorno que os mesmos possibilitam.
”Em primeiro lugar, devo dizer-lhe que só realizo esse tipo de estágios quando se reúnem determinados pressupostos. Principal, por exemplo, é que o técnico com quem me interessa estagiar esteja disponível para discutir comigo aquilo que eu achar importante. Ir ver só por ver não interessa, importa é poder trocar opiniões acerca dos diferentes métodos de trabalho. Nesse sentido, realizei estágios no Milan de Arrigo Sacchi, na Sampdoria com Boskov e Filipovic e no Parma, com Malesani. Se se aprende alguma coisa? Olhe, das duas uma: ou vamos encontrar realidades bem diferentes daquelas que vivemos, e nesse caso, obviamente, tentamos assimilar aquilo que nos parecer melhor; ou acabamos por constatar, como já me aconteceu, que afinal lá por fora não se fazem coisas diferentes daquelas que trabalhamos aqui. Mesmo nesse caso acaba por ser proveitoso, pois verificamos que vamos no caminho certo.”
Mas Azenha não fez estágios apenas em clubes, como explica de seguida: ”Fiz, igualmente, um estágio no Centro de Alto Rendimento de Musculação, em Itália, para me aperfeiçoar ao nível do treino de força. Por outro lado, mantenho contactos directos com treinadores argentinos para trocar opiniões acerca do desenvolvimento e concepção dos programas de treino.”
Todo este investimento de tempo e dinheiro para quê?, perguntamos: ”Ou reforçamos os níveis de conhecimento ou, pelo menos, certificamo-nos de que o nível dos nossos conhecimentos não é inferior ao dos outros.”
Aceitar um dos dois convites da I Liga ou estagiar na NBA?
”Felizmente, estar no desemprego não me causa problemas, porque tenho os meus negócios (ginásios), o que me permite não depender financeiramente do futebol. Nesta altura estou em reflexão sobre aquilo que vou fazer, uma vez que me foram endereçados convites de dois clubes da I Liga.
A única certeza que tenho, nesta altura, é que vou deixar o ensino oficial no dia 1 de Setembro. Depois, como lhe disse, caso decida não aceitar nenhum dos convites que possuo, vou aos Estados Unidos realizar um estágio junto de uma equipa da NBA, porque é aí que os conceitos de metodologia de treino estão mais avançados”.
Software de apoio para treinadores
Carlos Azenha vai lançar no mercado um novo produto, que servirá para auxiliar os treinadores. ”Durante este ano vou apresentar o primeiro software a nível nacional para o treinador. Trata-se de um instrumento que pode facilitar a programação da época, a escolha de exercícios e o controlo do treino.”
Quem é quem
Nome: Carlos Soares Azenha
Nascido a 4 de Novembro de 1966, em Lisboa
Divorciado, com um filho
Habilitações: Licenciatura em Educação Física e Desporto, com a opção de Futebol, pela Faculdade de Motricidade Humana; Finalista de mestrado de alto rendimento
Clubes como jogador: Sacavenense
Clubes como treinador: Sacavenense, Belenenses, Camacha, Farense e Vitória de Setúbal