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Di María e conquista do Mundial: «Não sei se os jogadores na Europa sentem tanto a seleção como nós»

Avançado recordou percurso na competição e admite que o mais difícil foi a lesão e não poder ter ajudado a Celeste

• Foto: Reuters
Angel Di María viveu no final de 2022 o momento mais feliz da carreira com a conquista do Mundial, um momento único que o jogador do Benfica considera que é vivido de forma mais intensa pelos argentinos. 

"É impactante, é uma loucura, ninguém estava na rua, paralisou-se o mundo. O nosso país estava paralizado, só importava isso e graças a Deus pudemos ganhar. Acho que não acontece em outras partes do mundo. Os jogadores na Europa, não sei se sentem tanto como nós a seleção. Quando chega a convocatória para mim é uma alegria imensa voltar a estar. Para mim é completamente diferente. Para mim a vida é lutar, como me ensinaram os meus pais. É algo natural do ser humano, que devemos bater com a cabeça contra a parede até romper", afirmou o avançado, no documentário 'Campeões, um ano depois', publicado no canal 'Star +', onde recorda já tudo o que conquistou graças a toda a sua dedicação: "Ao meu pai não tocou ser jogador, eu consegui passar do Rosario Central ao Benfica, do Benfica para o Real Madrid e depois o Manchester United, PSG. Eu fiz isso de uma maneira diferente mas sempre olhando para a frente". 

O jogador do Benfica, que recorda a vida de luta e sacrifício, fez depois uma retrospetiva do percurso da alviceleste no Qatar, mas o que mais o impactou foi a forma como a equipa foi recebida.

"Sabiamos que seria uma loucura, mas não imaginávamos que ia a ser o que foi. As ruas lotadas, todo isso foi inexplicável, nunca pensámos que ia acontecer o que aconteceu. É incrível o que fazem as pessoas para irem ao Mundial, pessoas que vendem o carro, a casa e depois estão a dormir na rua. É inexplicável, e poder dar essa alegria, ninguém va esquecer", lembrou, ainda que vinque que a conquista não mudou nada de substancial na sua vida: "Continuo a viver igual, vou jantar com a minha família, levo as minhas filhas à escola, a minha vida é igual. A única coisa que mudou é que conseguimos o mundial. Encheu-me completamente", atirou.

Sobre o caminho da Argentina no Mundial, é preciso recordar que a Celeste caiu diante da Arábia Saudita logo no primeiro jogo, mas Di María sublinha a forma como a equipa soube reagir. "O guarda-redes deles parecia o herói do Mundial. Juntámo-nos a falar e dissemos que tinha sido um acidente e que foi melhor que acontecesse no primeiro jogo do mundial. Depois veio o jogo com o México, não tínhamos margem para errar. Terminou por aparecer quem tinha que aparecer", atirou, aludindo a Messi, que marcou com assistência do jogador dos encarnados: "O Enzo passou-me bola e eu tentei ir para a frente e procurar Messi que sempre está naquela zona. Eu passei para ele um 'tijolo' que controlou como se nada tivesse acontecido". 

Apesar do final feliz, Di María teve ainda de ultrapassar uma lesão durante a competição e admite que "os momentos mais difíceis é quando estás fora e não podes ajudar", anotou, lembrando ainda a surpresa quando a equipa percebeu que não iriam defrontar o Brasil, o eterno-rival, nas meias-finais da competição: "Não podíamos acreditar no que acontecia. Estávamos no balneário [antes do jogo com a Holanda] e vimos que o Brasil ficou eliminado [peça Croácia]. Não podíamos acreditar porque estava a ganhar. Pensávamos que se passássemos os íamos defrontar. Foi uma coisa rara que ficassem eliminados, mas são coisas que acontecem". 

Sobre o jogo decisivo, Di María garante que até poucas horas antes do jogo começar não sabia que iria ser titular, mas recorda a sensação de ter conseguido marcar na final, frente à França.

"Scaloni não me tinha dito que ia jogar. Perguntava-me sempre como me sentia, quando olhei para a equipa titular vi que não estava [na direita], mas quando olhei para o setor esquerdo, eu estava lá. Fiquei surpreendido e ele explicou que por esse lado eu ia a fazer a diferença no jogo, que Koundé era mais central que lateral e a verdade é que o plano funcionou na perfeição", enalteceu, recordando as conquistas pela seleção: "No final, deu tudo certo e fiz um golo em cada final (Copa America, Finalíssima e Mundial). Ainda não acredito que tive a oportunidade de marcar golos em cada uma dessas finais".

Sobre o golo que apontou, diante dos gauleses, Di María assinala que "o que fica na historia é a jogada em um ou dois toques como se estivessem a jogar no bairro". "Foi uma jogada incrível. Eu fiz o que faço sempre, correr, e acabei a empurrar a bola, nada mais. Quando marquei o golo, veio a minha a cabeça não ter podido jogar a final do Mundial 2014, eu tinha vontade de jogar, não sabia se ia a jogar contra França. Nesses minutos que joguei tentei fazer o mesmo para ajudar a equipa. Foram três finais perdidas, uma no Mundial, que era o desejo de todos os argentinos, duas Copas America perdidas nos penáltis. Foram muitos anos para ultrapassar isso, mas o final feliz foi no nosso final de carreira".

Depois de ultrapassada a França, o momento da glória, em que levanta a Taça. "Pesa sim, mas o que pesa é o que custa a ganhar. Quando recebi a medalha e dei o beijo na taça, é um brilho diferente, é uma sensação única e é difícil de explicar o que acontece na cabeça quando estás a passar por aquilo", justificou no documentário, que terá a contribuição do Otamendi, no próximo dia 5.
Por Valter Marques e Alejandro Panfil. Buenos Aires. Argentina
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