Diretor das modalidades de pavilhão do Benfica antecipa falta da receitas

"Poderá haver um decréscimo do número de equipas em alguns campeonatos. O papel dos grandes clubes de alguma forma é também estarem preparados e com boas práticas para os clubes mais pequenos, numa realidade diferente, poderem aplicar no dia a dia."

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• Foto: Miguel Barreira
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Rui Lança garantiu que "vai haver um antes e um pós-COVID-19". O diretor das modalidades coletivas de pavilhão do Benfica antecipou o futuro e sublinhou que "as organizações desportivas não estão preparadas para aquilo que é a ausência de receitas diretas e indiretas".

"A falta de receitas vai fazer com que a capacidade de resposta às necessidades seja menor. Fala-se muito do futebol, mas as modalidades, numa dimensão mais inferior, vão viver com isto de igual forma ou de forma mais acentuada", começou por explicar em declarações à BTV, pedindo o auxílio das instituições governativas.

"Nós não competimos sozinhos. Por isso, precisamos de todo o tecido desportivo em Portugal. Há campeonatos que tinham clubes a mais por causa de algumas mudanças que foram feitas nos últimos anos nos quadros competitivos. Poderá haver um decréscimo do número de equipas em alguns campeonatos. O papel dos grandes clubes de alguma forma é também estarem preparados e com boas práticas para os clubes mais pequenos, numa realidade diferente, poderem aplicar no dia a dia. Sem criticar nenhuma, vejo poucas federações capacitadas para reagir a isto, quer do ponto de vista do número de recursos humanos para este tipo de acontecimentos, quer até da capacidade financeira. Há muitos clubes que vão pedir ajuda. Da parte do Governo, mais uma vez vê-se o papel pouco ativo, o que se deve muitas vezes ao número reduzido de pessoas que têm nestas entidades estatais a trabalhar. Não achando que o Estado deve controlar tudo na área desportiva, agora pedia-se uma maior intervenção, nem que fosse para tranquilizar", sublinhou Rui Lança.

Os problemas são de vária ordem e o dirigente encarnado reiterou que mesmo a próxima temporada "será sempre atípica porque a própria preparação não começa só em agosto". Quanto ao desfecho da presente época, Lança apontou para o objetivo de "conseguir encontrar-se um modelo que pudesse apurar o campeão de todas as modalidades sem colocar em causa a verdade desportiva".

"Aqui tem de depender da modalidade. No andebol, basquetebol, voleibol, hóquei em patins e futsal, cada federação tem o seu quadro competitivo já à partida. Algumas são através de playoff, noutras há um misto – como é o caso do andebol –, e depois temos, por exemplo, o hóquei em patins, que é apenas campeonato direto como no futebol. Cada solução tem de ser adaptada à sua realidade. Deveríamos estar envolvidos de forma construtiva para chegar a uma solução para encontrar o campeão de forma justa e sem nunca colocar em causa a segurança", explicou ainda.

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