«Fica aqui um espírito enorme de uma equipa que nunca se vergou»
Contava que a equipa já estivesse mais madura nesta fase e que não sofresse desse mal de perder um bocadinho as rédeas do jogo? Na fase em que foi na segunda parte, logo no início sofre o golo, depois de todo o sofrimento que foi para ir atrás, teve que ir para mais. E se isto também tem um bocadinho a ver com o facto de o Benfica nesta semana ter tido uma semana muito preenchida: há desgaste físico, há desgaste mental? E só para terminar: o facto da lesão do Aursnes levou a ter que mudar um bocadinho a estratégia e aquilo que tinha preparado para esta partida?
"Sim. Em relação ao Fredrik, a lesão do Fredrik não alterou [a estratégia]. E há que realçar — pelo menos durante 50, 55, 60 minutos, depois o jogo tornou-se tão completamente diferente que é difícil fazer uma avaliação daquilo que foi a prestação do Sudakov —, mas na primeira parte uma muito boa exibição do Sudakov: sempre equilibrado, sempre a pausar o jogo quando tinha que pausar, sempre a incorporar-se no nosso triângulo no corredor direito quando tinha que o fazer. Uma exibição bem positiva do Sudakov até àquele momento.
Depois nós perdemos um pouco o controlo, mas foi de uma forma geral. É difícil dizer um ou outro jogador que tenha conseguido aguentar aquilo que era o equilíbrio emocional que nós devíamos ter tido. É uma questão coletiva, como é lógico. Mas até lá o Sudakov foi fazendo, e bem, o seu papel, portanto, em relação àquilo que era a estratégia, com o Fredrik ou sem o Fredrik não alterou absolutamente nada.
O que me perguntou em relação ao desgaste: poderá haver, pode ter sido, mas essa é a desculpa mais fácil e eu, como treinador, não irei por aí com certeza. Quando estivermos todos juntos — infelizmente não vamos já estar todos juntos na próxima terça ou quarta-feira, porque seria importante estarmos para analisarmos claramente este jogo... Porque este jogo tem uma coisa boa, que são três pontos. E ainda bem que acontecem este tipo de problemas quando se conseguem os três pontos, porque nos vai permitir analisar e os pontos não nos escorregaram pelas mãos quando estiveram nessa mão durante toda a primeira parte. Vai ser muito importante para nós, porque temos de dar passos em frente e aprender rápido com algumas situações que aconteceram no jogo. Não estamos a falar aqui de uma grande transformação tática do Estrela que nós depois não conseguíssemos encaixar ou algo do género; partiu muito mais de nós. E nós temos de dar passos em frente nesse aspeto.
Se eu esperava que já tivessem resolvido ou não: ao longo da época vão-nos aparecendo questões para as quais temos de estar preparados, mas que por vezes não... Como vos disse, com a primeira parte que fizemos era impossível prever o que nos aconteceu na segunda parte. Não é por cometermos um erro e sofrermos um golo que o jogo tem de mudar completamente e que nós temos de perder coisas que são muito importantes e fundamentais na nossa forma de jogar.
Portanto, aconteceu, há que analisar, há que ver. Torno a referir: fica aqui um espírito enorme de uma equipa que nunca se vergou — como é a nossa obrigação —, mas que nunca se vergou e por isso fomos capazes de ir atrás e fazer um golo nos últimos minutos. Muito importante para nós.
Falou do desgaste: são muitos jogos de seguida, mas temos feito alguma rotação, portanto não quero ir pela desculpa fácil do desgaste. Alguns jogadores sim, mas nem todos. É óbvio que jogar de segunda a domingo traz um desgaste muito grande; não é jogar de domingo a domingo ou de sábado a domingo. Vamos perceber também como é que está o Tomás [Araújo], se não é uma baixa para nós.
Mas há um aspeto muito importante, e eu disse-vos isto: nós só tínhamos uma solução, que era continuar a ganhar jogos. Esta é a mentalidade que se tem de ter neste clube: os oito jogos que tínhamos até à paragem seguinte, tínhamos de os ganhar. E por isso mesmo tenho de dar os parabéns a este grupo de trabalho, porque conseguimos fazê-lo. Foram oito jogos de uma paragem à outra em que ganhámos os oito. Fica um sinal claro de uma mentalidade muito grande deste grupo, com uma segunda parte fora daquilo que tem sido normal para nós e do nível que podemos apresentar"