Eu show Miccoli
Dificilmente Miccoli poderia oferecer uma imagem de maior leveza ou agilidade do que aquela em que fez do pé direito um gancho e, após rodar sobre a perna esquerda, deixou Ricardo pregado e surpreso, ganhando espaço para levar a bola para a pequena área.
Para quem tinha peso a mais no início da época, terá sido, no domingo, o lance (74’) que melhor confirmou a recuperação, o regresso à melhor forma, o verdadeiro futebolista e atleta que, por circunstâncias várias, nunca terá chegado ao limite das suas capacidades desde que chegou ao Estádio da Luz, na época passada.
Depois de mais uma rotura muscular, no início da temporada, e do programa de trabalho específico definido no sentido de lhe roubar os quilos que tinha a mais, Miccoli confirma agora o que muitos suspeitavam e prova a qualidade para ser jogador de topo para o Benfica, ao conjugar finalmente todas as características que o fizeram ganhar estatuto de internacional italiano.
Os futebolistas atingem alto nível de produção técnica e táctica quando estão nas melhores condições físicas e psicológicas e não terá sido por acaso que, frente ao Beira-Mar, o pequeno atacante apresentou-se com um dos desempenhos mais vistoso da época, no seguimento aliás do que já tinha feito em Leiria.
Desta vez não apareceu o golo para coroar a exibição, ficaram no entanto na memória, para além do gancho, os 7 remates desferidos, todos eles com perigo para a baliza de Alê – o guardião defendeu três tiros.
Ricardo até pediu camisola ao italiano
O aveirense Ricardo fala, sem complexos, do momento mágico de Miccoli. A tal ponto que conta ter ficado com um recordação do jogo: “Troquei a camisola com ele. Vou guardá-la religiosamente e nunca esquecerei esse lance.”
O defesa do Beira-Mar explica ter sido surpreendido . “É impossível fazer algo nestas situações. Estava à espera que o Miccoli fizesse tudo, menos aquilo. É um lance de génio, que está ao alcance de poucos. Ele estava de costas para a baliza, nunca pensei que girasse”, diz, vestindo a pele de espectador: “Qualquer um fica deliciado com aquele lance.”
Titular na vitória do Beira-Mar na Luz em Janeiro de 2005, Ricardo teve, desta vez, noite infeliz, marcado o 3.º golo dos encarnados. “Com o Miccoli nas minhas costas, tinha de interceptar a bola. Mas a minha posição não me permitiu tirá-la.”