FC Porto-Benfica, 2-0: Como se oferecem golos e pontos mortais

O Benfica foi melhor tecnicamente mas marcou golo e meio na própria baliza; o campeão ganhou porque ainda tem um bom fundo de jogo

FC Porto-Benfica, 2-0: Como se oferecem golos e pontos mortais
FC Porto-Benfica, 2-0: Como se oferecem golos e pontos mortais • Foto: Luís Vieira
Adicione como fonte preferencial no Google

O FC Porto ganhou ontem ao Benfica na despedida dos clássicos das Antas, por 2-0, mas o resultado não diz tudo o que se passou em campo.

Os golos foram dois episódios do jogo: no primeiro foi um erro crasso de Miguel, que tentou passar com o peito a bola a Moreira e deu-a a Derlei ali mesmo na frente da baliza; no segundo acabou por ser Argel a marcar na própria baliza, depois de um canto tenso de Ricardo Fernandes. Um golo em cada parte, mas o FC Porto não jogou para isso, nem o Benfica para ficar em branco. Foi mais o Benfica que perdeu o jogo do que o FC Porto que o ganhou, porque marcar golo e meio na própria baliza é de mais.

Apesar de tudo, há uma diferença substancial que é necessário relevar: o FC Porto, mesmo a jogar mal, mesmo a fazer muito pouco do que costuma fazer - por mérito do Benfica -, teve ainda o fundo de jogo que lhe permitiu não sofrer golos. O que é isso do fundo de jogo? É ser uma equipa, é os jogadores saberem sempre onde devem estar, onde funciona o princípio da ajuda e das compensações, onde não se cometem erros vitais. E isso, em minha opinião, viu-se mesmo neste bisonho campeão. Quando individiualmente as coisas não correm bem - e não correram, basta ver que Deco não conseguiu uma jogada das suas -, se não há esse fundo de jogo e um pouco de sorte, não é possível ganhar um jogo a um Benfica tão bom, tão descaradamente à vontade em muitos períodos.

Esperava-se outro jogo, mas ele foi indiscutivelmente marcado pelas escolhas de Camacho. O técnico do Benfica jogou praticamente em 4x3x3, com Simão a partir de uma posição atrás dos dois pontas-de-lança para deambular por toda a frente atacante. Com três homens na frente, Tiago fechava a direita e tinha o apoio de Miguel, e Zahovic fechava na esquerda e também avançava. Camacho deslocou o centro de gravidade da equipa para a frente e o famoso "pressing" alto do FC Porto foi quase sempre... do Benfica.

Com os seus homens bem adiantados, o Benfica nunca foi dominado, dominou mesmo durante vários períodos, teve mais tempo de posse de bola (na primeira parte) e não dispôs, pelo menos, de menos oportunidades de marcar que o FC Porto. Esteve sempre muito mais confortável em campo e, com o seu "pressing" alto, nunca deixou os "Mourinho boys" fazerem o seu jogo de posse de bola à procura do erro do adversário ou das combinações em profundidade.

Mourinho optou pelo 4x4x2, com Ricardo Fernandes encostado à esquerda e Deco mais à direita. Um livre no primeiro minuto (boa defesa de um bom Moreira a remate de Deco) parecia lançar a equipa, mas rapidamente se viu que o Benfica ia mostrar os limites do FC Porto, que não tem extremos para dias importantes.

Mourinho ainda tentou encostar Maniche à direita para explorar o temperamento pouco defensivo de Zahovic, mas a equipa não encontrou o seu eixo de jogo atacante. Nunca conseguiu, por exemplo, fazer nascer o jogo nos pontapés longos para Jankauskas ou Derlei ganharem de cabeça e, depois, alguém aparecer na segunda bola. Luisão ganhou a maioria dos poucos lances que o FC Porto ensaiou, tirando um em que Jorge Costa atirou a bola a meio do seu meio campo para as costas dos defesas e Derlei, sempre generoso, ainda a foi apanhar de cabeça mas rematando-a em desequilíbrio.

De resto, cabe dizer que na primeira parte o Benfica conseguiu um bom remate (bicicleta de Argel e boa defesa de Baía) e o resto foi um Sokota na área, depois de boa iniciativa, a ser desarmado por Ricardo Carvalho, e o mesmo defesa a ter de derrubar Simão, que se isolava. Oportunidade de golo mesmo o Benfica conseguiu-a já com João Pereira em campo (saiu Fehér, o que mostra a falta de banco...), num cruzamento do miúdo que acabou na barra, depois de cabeceamento de Sokota (62').

De resto, o FC Porto fizera o segundo golo logo aos 53', e a partir daí geriu a vantagem, sinal de que não estava nada confiante. As substituições de Mourinho também foram na base da contenção (Pedro Mendes e Bosingwa e, no fim, Hugo Almeida). Mas jogadas de princípio e fim, o FC Porto teve muito poucas e as defesas mais difíceis de Moreira foram em desvios a corrigir os seus defesas (como um desvio de Luisão, aos 14'), mais um remate de Ricardo Fernandes, ou outro de Ricardo Carvalho (49'), mostrando como esteve longe dos níveis de construção habituais. A defesa segurou o pouco que o ataque fez.

Deixe o seu comentário
Newsletters RecordReceba gratuitamente no seu email a Newsletter Benfica ver exemplo
Ultimas de Benfica Notícias
Notícias Mais Vistas