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O diretor de comunicação do Benfica, Luís Bernardo, assinalou esta quinta-feira em tribunal que o FC Porto quis associar os 'encarnados' a um "polvo como o Apito Dourado", ao divulgar e-mails internos do clube lisboeta.
"Toda a estratégia montada pelo FC Porto tinha como objetivo dizer que havia [no Benfica] um polvo como o Apito Dourado", declarou Luís Bernardo, considerando que os próprios árbitros começaram a ter "medo" de marcar faltas a favor do clube da Luz.
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O diretor de comunicação do Benfica está a depor no Tribunal Central Cível do Porto, no início do julgamento da ação em que o Benfica reclama uma indemnização a empresas e figuras do universo do FC Porto pela divulgação de e-mails internos do clube.
Segundo Luís Bernardo, a divulgação dos emails confidenciais, "de forma programada", obedeceu a uma "estratégia de desgaste", que prejudicou o Benfica em mais de 17 milhões de euros, dos quais 200 mil só no departamento de comunicação.
"Houve uma estratégia pensada para ter um efeito específico. Quando há uma entidade que tem acesso à informação de outra e a publica no seu canal sem contraditório, está definida a estratégia. Descontextualizaram também situações", declarou.
Luís Bernardo considerou ser "óbvio e claro" que essa estratégia foi delineada pela estrutura dirigente do FC Porto e que o diretor de comunicação do clube, Francisco J. Marques, "assumiu o compromisso" de a executar.
Hoje e sexta-feira ouvem-se as testemunhas do Benfica, enquanto as testemunhas arroladas pelos réus devem falar nos dias 28 e 29 de março.
As próximas testemunhas do Benfica a ouvir em tribunal serão, segundo fonte do clube, Miguel Bento, diretor comercial e de marketing do Benfica, Miguel Moreira, diretor financeiro dos 'encarnados', e Bernardo Carvalho, que trabalha com negócios internacionais da Sociedade Anónima Desportiva (SAD).
No processo em que é autora, a SAD do Benfica corresponsabiliza por "danos de imagem", causados pela divulgação dos e-mails, a homóloga do FC Porto, o presidente da sociedade e do clube, Pinto da Costa, os administradores Fernando Gomes e Adelino Caldeira e o diretor de comunicação, Francisco J. Marques, além da FCP Média, empresa detentora da estação televisiva Porto Canal.
O Benfica alega que a divulgação dos e-mails afetou a credibilidade do clube, prejudicando os seus interesses comerciais e chegando a provocar a queda de cotação das ações da SAD na bolsa.
O FC Porto alega que se limitou a divulgar informação de interesse público e que as mensagens de correio eletrónico em causa revelam práticas deturpadores da verdade desportiva.
Numa audiência prévia realizada em 20 de novembro de 2018, em que se fixou o valor da causa, foi também admitida a reconvenção (uma espécie de contra-ação), deduzida pela ré, pedindo uma indemnização cujo valor não foi divulgado.
Em 11 de janeiro deste ano, foi anunciado que Benfica e FC Porto falharam, em audiência preliminar, um acordo que permitiria evitar o julgamento.
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