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06 abril

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Fernando Aguiar: «Adversários têm medo de mim»

Fernando Aguiar: «Adversários têm medo de mim»
Fernando Aguiar: «Adversários têm medo de mim» • Foto: Miguel Barreira

RECORD - O Fernando começou a época no onze, depois saiu da equipa e voltou agora por lesão do Petit. Desta vez é para ficar?

FERNANDO AGUIAR - Espero bem que sim. O objectivo de qualquer jogador é agarrar a titularidade e ficar lá. Comecei a época a titular, mas, em Roma, infelizmente, o resultado não foi bom. A equipa até esteve muito bem, só que cometemos erros que uma equipa não pode cometer e acabámos por perder o jogo. Julgo que isso prejudicou-me um bocado.

R - O lance do primeiro golo da Lazio deixou marcas?

FA - Acho que muita gente me quis culpar nesse lance. É certo que não estava nas costas do Claudio López, mas consegui chegar e fiz o corte. Infelizmente, o Argel pensava que o Moreira ia sair e aconteceu o golo. Posso ter parte das culpas, mas penso que não é justo dizer que o Fernando Aguiar é o culpado desse golo. Fiz um corte normal, quem percebe de futebol sabe disso, mas, desde que cheguei ao Benfica, tem sido normal culpar o Fernando Aguiar...

R - Sente-se injustiçado, é isso?

FA - Sim, sim. Isso vê-se pelos comentários sobre mim e a maneira como jogo. As pessoas sabem perfeitamente que não sou tecnicamente perfeito, mas acho que sou eficaz naquilo que faço que é recuperar bolas e destruir jogo do adversário. Penso que até sou muito eficaz nisso. Agora, sou como sou, quando me foram buscar já sabiam qual é a minha forma de jogar e, por isso, não me podem exigir outras coisas.

R - Acha que os adeptos já o compreenderam como jogador?

FA - Há adeptos que gostam muito de mim e há outros que não gostam nada. É como tudo. Alguns vêm falar comigo e elogiam-me bastante porque não paro de trabalhar e dou o "litro". Muitos deles gostam disso e outros já não tanto porque querem mais técnica. Não posso agradar a todos...

R - A sua alcunha de Robocop incomoda-o ou, pelo contrário, até concorda haver algumas semelhanças?

FA - Em casa não fico ligado a máquinas nem preciso de óleo (risos). A minha alimentação é normal, mas é bom ter essa alcunha. Os adversários têm muito respeito por mim, um pouco de medo até, porque sabem bem que nunca fujo ao choque. Noto isso algumas vezes e é bom.

R - Ainda no último jogo, frente ao Marítimo, o Fernando demonstrou ter uma enorme capacidade física no lance do golo ao deixar três "inimigos" no solo. A que se deve tanta energia?

FA - Acho que é dos hamburgueres que comia no Canadá (risos). Deve ser da alimentação que os meus pais me davam. Na Madeira senti as pancadas dos três adversários e de que maneira! Uma pessoa também não é de ferro e, no dia seguinte, senti o meu gémeo e mancava bastante. Mas, se for para fazer mais jogadas de golo, podem bater à vontade que não há problema (risos).

R - É graças a essa força que é dos poucos jogadores do plantel que ainda não se lesionaram nesta época?

FA - Nunca tive grandes lesões. Quando era miúdo ainda parti alguns ossos, mas nunca tive uma lesão muscular nem problemas nos joelhos. De vez em quando, posso torcer um tornozelo, mas nunca fiquei de fora de um jogo por lesão. Nada de segredos especiais, Deus fez-me assim.

R - Já que estamos a falar de lesões, qual a razão para tantos problemas musculares no plantel?

FA - É estranho. Às vezes comentamos o assunto, mas cada pessoa é diferente em termos de estrutura. Por exemplo, posso ter dores, mas aguento melhor do que outro jogador qualquer. Também é melhor parar uns dias do que continuar a forçar e agravar o problema.

R - Quando Simão marcou o golo, foi a correr para o banco dar um abraço a Andersson com uma expressão de raiva. Foi isso que sentiu?

FA - Quando um jogador se sente criticado, a melhor resposta que pode dar é fazer uma jogada que dá golo. É isso que tenho de continuar a fazer apesar de não ser o meu estilo de jogo agarrar na bola e fintar três ou quatro adversários. Quanto ao Andersson, ele vinha de uma lesão provocada por mim num "meiinho" e ele mereceu aquele abraço porque essa lesão era mais grave do que pensei.

R - Há quem o considere um pouco "caceteiro". Concorda com esse rótulo?

FA - Não, porque nunca fui maldoso. Já é de mim, está no meu coração. Agora, é claro que às vezes há contactos. Posso dar um exemplo: se o Simão fizesse o mesmo contacto que eu e o adversário caísse, toda a gente começava a rir e achava engraçado que o Simão tivesse feito aquilo. Quando é o Fernando Aguiar, já é diferente. Mas, os árbitros também já compreenderam isso e sabem que muitas vezes consigo chegar à bola sem fazer falta.

R - Em princípio, o Petit vai ficar mais três jogos de fora. Acha que vai provar de vez o seu valor nesse período?

FA - (...) Em Alverca estive mais em destaque porque a equipa em geral esteve melhor. Já na Madeira, a equipa não esteve tão bem, mas penso que cumpri em termos defensivos. Nesses dois jogos marcámos quatro golos e sofremos apenas um, de livre directo. Portanto, defensivamente a equipa está a cumprir. Estou um pouco cansado de tentar provar o meu valor às pessoas. Tenho de jogar o meu futebol e, passado um tempo, isso bate e já não entra.

R - Com um terço de SuperLiga disputada o Benfica já está a oito pontos do FC Porto. O título ainda é possível ou o líder é muito forte?

FA - Na minha opinião, o FC Porto não está tão forte na SuperLiga. Pode estar na Liga dos Campeões, mas não em termos internos. Estão a cumprir o dever deles enquanto o Benfica perdeu dois pontos com o Belenenses e perdeu com o Beira- -Mar, em casa. São estes dois resultados que nos estão atravessados na garganta.

R - A que se deve a irregularidade exibicional da equipa ao longo dos 90 minutos?

FA - É difícil de explicar. Os adversários também têm mérito, mas o FC Porto também já ganhou alguns jogos sem jogar bem. Estou a lembrar-me, por exemplo, do jogo com o Boavista, que foi um dos piores que vi, mas ninguém se lembra disso. O que interessa é que o FC Porto ganhou e somou três pontos. Penso que o Benfica também tem de saber jogar mal em certas alturas. Quando não dá para trocar a bola e estamos a ganhar, é meter a bola para fora ou para a bancada.

R - Mas, os adeptos não gostam de ver a equipa a fazer isso...

FA - Desde que estou no Benfica, a equipa não é a mesma quando joga fora e em casa. Jogamos melhor fora e em casa parece que estamos mais limitados. Isto acontece porque sabemos que, passados dez/quinze minutos, somos assobiados. Vivi muitos anos no Canadá, assisti a muitos jogos de hóquei no gelo e outras modalidades, onde o público está ali para apoiar. Quem gosta de desporto tem de aceitar algumas fases menos boas da sua equipa.

R - Lembra-se do jogo de estreia na I Divisão?

FA - Perfeitamente. Foi contra o E. Amadora, entrei a dois minutos do final quando já estava 1-1. Lembro-me que o Paulo Alves bateu com a cabeça no poste e aleijou-se.

R - Curiosamente, é o próximo adversário do Benfica numa prova em que o Benfica foi eliminado logo à primeira na época passada...

FA - Como não estava cá o ano passado e cheguei à final da Taça com a U. Leiria, a minha mentalidade é diferente. Penso que os jogadores sabem o que têm de fazer, vamos dar tudo e não se vai repetir o sucedido no ano passado! Queremos ganhar e ir longe na Taça.

R - Está prestes a completar 100 jogos na I Divisão. Algum sentimento especial?

FA - Pensava que nunca mais chegava esse dia. É bonito, mas ainda vou tentar fazer mais alguns. Nunca se sabe se chego aos 200...

«Não tive sucesso no Marítimo porque fazia muitas noitadas»

R – Chegou a praticar outras modalidades?

FA – Quando tinha 13 anos, joguei hóquei no gelo numa equipa amadora de Toronto e até era bom jogador apesar de ser pequenino e franzino (risos).

R – Quando é que surgiu o futebol na sua vida?

FA – Comecei a jogar futebol aos 9 anos. Até aos 15, alinhei sempre a avançado, mas depois comecei a crescer, deixei de ser tão rápido, tive de arranjar outra posição e passei a jogar no meio. Ainda bem, porque depois fui para os Toronto Blizzards e, aos 18 anos, cheguei à selecção olímpica.

R – Por que razão veio para Portugal aos 21 anos?

FA – Bom, não foi propriamente um sonho meu. O meu pai impôs-me isso porque me dizia que não queria fazer nada da minha vida. Ele achou que só tinha jeito para o futebol e mandou-me para o Marítimo à experiência. Ofereceram-me cinco anos de contrato, mas só estive lá cinco semanas e 'bazei'.

R – Mas, acabou por voltar...

FA – Voltei para o Canadá, mas o meu pai ficou zangado. Chateei-me com ele e saí de casa para ir viver com um amigo. Depois, fizemos as pazes e ele trouxe-me à experiência para o Belenenses, mas acabei por ir para o Marítimo. Fiz amigos fora do futebol e, claro, fazia noitadas e saía muitas vezes. Por isso, não tive sucesso no Marítimo, mas era jovem e vinha de uma mentalidade completamente diferente.

«Não tenho esperança de continuar no Benfica»

R - O Fernando termina contrato no final da época. Já sabe alguma coisa sobre o futuro?

FA - Queremos sempre continuar no clube onde estamos, sobretudo se nos sentimos bem. Só que sei perfeitamente que isso não vai acontecer. Acho que me vou embora no final da época. Não tenho esperanças de ficar! Há certos factores dos quais não posso falar em público, mas sei que não vou ficar. Mas, isso também não me preocupa porque sei que há clubes interessados.

R - Quais os motivos para essa descrença?

FA - É um "feeling" que tenho. Mesmo sendo o técnico a mandar, acho que vão aparecer mais opções para este lugar, com menos idade, e pressinto que no final da época faço as malas. Mas, repito, não estou muito preocupado porque tenho algumas possibilidades de continuar a carreira na SuperLiga...

«Petit não parece tão bruto como eu»

R - Como analisa os seus rivais no plantel, começando pelo Tiago?

FA - É um jogador que não é um concorrente directo. Aparece muito bem na área, é um excelente jogador, mas não o considero um rival porque joga mais avançado no terreno. Tal como o Andersson, que também é um jogador completamente diferente de mim.

R - Sobra o Petit...

FA - Tem a mesma raça que eu. Como tem uma estatura mais baixa, já dá para enganar algumas pessoas. Não parece tão bruto como eu. Já disfarça um bocado...

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