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O Benfica inaugurou esta segunda-feira a exposição ‘Um por Todos e Todos pelo Estádio - Memórias do Estádio da Luz (1954-2003)’, no âmbito das celebrações dos 70 anos da inauguração do antigo recinto das águias, numa cerimónia que juntou quase 100 convidados, principalmente antigos jogadores que fizeram a história daquele recinto.
Naquele espaço, e até final da temporada, vão estar as memórias de quase 49 anos de história de um estádio que começou a ser construído a 14 de junho de 1953 e foi inaugurado a 1 de dezembro de 1954, graças ao esforço e suor de milhares benfiquistas. Em exposição encontram-se objetos, recortes de jornais, fotografias e os números dos protagonistas, surgindo Eusébio como o que mais golos marcou (298). Jogos ali realizados foram 1.095.
Antigo guarda-redes do Benfica e da Seleção Nacional, José Henrique ainda se lembra de como começaram as obras, com centenas de benfiquistas a pegarem numa enxada para rasgar a terra. "Fui com um cunhado e, de enxada na mão, dei a primeira cavadela", conta. Longe de sonhar que viria a exibir-se naquele estádio, Zé Gato, como ficou conhecido, ainda assistiria à inauguração, a 1 de dezembro de 1954. Até aí, o Campo 28 de Maio, no Campo Grande, fora a casa dos encarnados.
Diamantino obrigado a correr
As várias gerações de jogadores que se juntaram no Museu Cosme Damião recordaram com nostalgia o antigo estádio, destacando a força que o chamado inferno da Luz lhes transmitia. "Aquele estádio tinha muitas coisas que nos fazia ser melhores jogadores. Quem teve oportunidade de jogar ali lembra-se da magia e da importância do 3.º anel nas nossas exibições. Muitas vez ganhei bolas que julgava perdidas, porque o 3.º anel obrigava-me a correr e a ir buscá-las antes delas saírem. O novo estádio não tem essa magia", assegura, elegendo a demolição do antigo como o pior momento. "Era mais a favor da remodelação", justificou.
Da mesma geração de Diamantino, Carlos Manuel lembra que era o último a entrar, o primeiro jogo como titular das águias e o balneário. "Foi importantíssimo para mim, uma escola", refere. O ambiente das bancadas impunha respeito. "Quem jogou neste palco mítico, neste templo, vai lembrar-se de uma coisa muito grande", sublinha o antigo médio dos encarnados e da Seleção.
Paneira e os 80 mil
Para quem chegava não era fácil encarar de frente com os sócios. "O que lhe quero perguntar é o que ele sentiu quando saiu daquele túnel com mais de 100 metros e olhou para o 3.º anel", desafiou Toni, dirigindo-se a Vitor Paneira, de quem foi treinador. "Recordo-me que estava a aquecer atrás da baliza, com 80 e tal mil... É muito cedo para ti, está muita gente", contou, entre sorrisos.
"A sensação era de pavor, de medo de jogar perante 80 e tal mil e as coisas não correrem bem. Tínhamos sempre a pressão de querer agradar ao 3.º anel. Era claro para qualquer jogar. Quem jogou naquele estádio sabe o inferno que era, também para os adversários", acrescentou o antigo extremo. Toni conheceu bem esse sentimento. "A primeira vez que percorri aquele túnel foi pela Académica, para a Taça. Quando entrei e dei de caras com o 3.º anel... Assustava mesmo", relatou o treinador, que viveu "o apogeu e o lado cruel do futebol".
Contratado em 1993 ao Estrela da Amadora, Abel Xavier sentiu bem as diferenças de realidades, apesar de se ter sagrado campeão logo na primeira época. "Nos primeiros seis meses, tive uma relação difícil [com os adeptos] sem esquecer a adaptação à pressão de um estádio mítico. Mas rapidamente adquiri a capacidade mental para jogar com tantos adeptos", sintetizou. Apesar de tudo, Abel Xavier não tem dúvidas: "Tenho memórias fantásticas, não só da dimensão do estádio, como do balneário, da mística."
Para Paneira ficou uma certeza. "Quando o estádio estava com a equipa, era extraordinário, ganhava jogos. Se este inferno estiver com a equipa em todos os jogos, vamos ter um grande Benfica, vamos conseguir grandes conquistas", concluiu o antigo extremo.
Afinal, como sublinhou Rui Costa, o estádio que agora é lembrado em exposição, foi local de sonhos e mística. "A tão famosa mística já vinha de tempos anteriores, mas foi no Estádio da Luz que atingiu enorme expressão. Cabe-nos mais do que nunca preservar essa mística, porque assim estaremos mais próximos de vencer e materializar o ideal benfiquista de ganhar, ganhar sempre", sublinhou o presidente do clube da Luz
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