Geovanni tenta tudo
Geovanni e o seu empresário, Roberto Assunção, que ontem chegou a Barcelona, vão hoje reunir-se com os dirigentes blaugrana, pedindo-lhes para mudarem a sua posição e ajudar o Benfica a pagar o salário. António Simões não estará presente porque o Benfica, não tendo capacidade financeira, está irredutível e não tem mais nenhuma palavra a dizer. Hoje é o "dia D" e caso não haja cedência não há empréstimo. Será o fim do objectivo de todos
Roberto Assunção, empresário de Geovanni, chegou ontem a Barcelona plenamente convencido de que aquilo que se trata de uma "loucura" para o Benfica – o "alto" salário – não é nada que possa impedir a viagem do jogador para Portugal.
O sogro do futebolista brasileiro acredita num entendimento, o qual "poderá ser definitivamente alcançado" hoje: "Vai haver uma reunião na qual estarão presentes todas as partes", afirmou. E ficou ainda mais crente quando soube o que o Barça garantiu a Geovanni: "Estamos perto de um acordo", disse-lhe um director dos catalães.
Ou seja, no dia em que António Simões voltou a descartar o negócio e nos disse que não vinha a Barcelona [ver outra peça], Assunção aterrou na Catalunha convicto que irá reunir-se com o director-geral da Benfica, SAD. Com quem admitiu, ainda do Brasil, manter "contacto telefónico" nos últimos dias, "marcando o encontro e tomando conhecimento do desejo de Camacho em ter o reforço já no sábado".
Para o representante do futebolista tudo está dependente de "detalhes". Até porque, depois de nos confirmar que o ordenado mensal do jogador anda à volta dos 100 mil euros (20 mil contos), "nada tão alto como se tem comentado", não compreende "qual é o problema em os dois clubes dividirem a despesa".
Será aqui que tudo se pode definir, caso o Barça assuma metade do salário dos próximos seis meses, uma vez que o Benfica, como Simões continua a garantir, parece não ter disponibilidade financeira para o pagar na totalidade.
Se o Barça não ceder, o objectivo do jovem – "quero jogar e ir para o Benfica. Espero que tudo se resolva", disse ontem mais uma vez – deverá esfumar-se. Ontem à noite, já no apartamento de Geovanni, Assunção tentava entrar em contacto com António Simões, depois de o director-geral ter dito que o negócio estava abortado.
Era o derradeiro esforço do empresário, que só hoje terá a certeza se o Barça está disposto a mudar de posição. Geovanni vai pedir ao seu clube para viabilizar o empréstimo. Se não tiver resposta, só viajará para Lisboa se reduzir o seu salário.
«O melhor é o Benfica»
"O Geovanni tem condições para jogar em qualquer clube do Mundo. Existem outros interessados, vários do Brasil, alguns da Alemanha, como Kaiserslauten, o Bordéus, de França, mas o nosso desejo é o Benfica. O melhor é ir para Portugal, porque é lá que estão as melhores condições para triunfar. O clube não ganha o campeonato há alguns anos e podíamos conciliar esse objectivo com o do Geovanni, que é ser importante para uma equipa", afirmou Roberto Assunção, após aterrar, pouco depois das 18:00 horas, quando ainda não tinha entrado em contacto com o director-geral António Simões.
«Ter um filho em Portugal»
Portugal é um desejo tão grande para todos (jogador, esposa e empresário) que, ontem, até se brincou com a possibilidade de Geovanni e Roberta terem um segundo filho em Portugal (já têm a pequena Giovanna de dois anos).
"O Geovanni não se importava de ter outro filho. Quem sabe até podia ser de nacionalidade portuguesa", disse Roberto Assunção, enquanto a sua filha não parecia muito receptiva face à ideia. Ainda assim Roberta, quando falava da ansiedade em que todos têm vivido ultimamente, lá exclamava: "Nunca mais saímos daqui!" Geovanni tem todo o apoio no seu esforço em deixar Barcelona.
Simões: «Não há mais nada a dizer»
António Simões decidiu ontem não responder a Roberto Assunção, negou vir a Barcelona e voltou a descartar o negócio:
"O que vem nos jornais é verdade e não há mais nada a dizer. Há um problema nas verbas, uma diferença entre o pedido e o que o Benfica pode despender. As alternativas estão no Benfica. Mas se a conjuntura o permitir... estaremos atentos ao mercado".
Simões reuniu-se ontem com Camacho.