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16 maio

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Isaías: «Resolvemos a crise com aquele 6-3»

Perto de completar 50 anos, aquele que ficou conhecido como Profeta não esquece os tempos na Luz. O brasileiro destaca a exibição em Highbury Park , frente ao Arsenal, e os duelos nas Antas, mas há um

Isaías: «Resolvemos a crise com aquele 6-3»
Isaías: «Resolvemos a crise com aquele 6-3» • Foto: arquivo/joão trindade

Perto de completar 50 anos, aquele que ficou conhecido como Profeta não esquece os tempos na Luz. O brasileiro destaca a exibição em Highbury Park , frente ao Arsenal, e os duelos nas Antas, mas há um dérbi que marcou a carreira.

RECORD – Este sábado há um Benfica-Sporting para a Taça de Portugal. Que recordações lhe traz este jogo?

ISAÍAS – É aquele jogo por que todos ansiamos desde o início da época. O jogador que se evidenciar nesta partida sabe que vai conquistar a admiração dos adeptos, logo é uma oportunidade de ouro para alcançar um futuro brilhante. O Benfica-Sporting é aquele dérbi que todos querem ver. Os dias que antecedem este desafio são sempre especiais.

R – Mas para si não há um dérbi mais especial?

I – É claro que há um que está na minha memória. Resolvemos a crise com aquele 6-3 numa altura em que ninguém acreditava em nós. Só os jogadores e a equipa técnica acreditavam que era possível vencer, mesmo alguns dirigentes davam como certo o triunfo do Sporting.

R – Havia razões para essa falta de confiança?

I – Na semana anterior tínhamos empatado com o Estrela da Amadora num desafio em que até fui eu a marcar o golo do Benfica. A desconfiança instalou-se, mas conseguimos isolar-nos no início da semana e considerámos esse dérbi o jogo do tudo ou nada. Estávamos confiantes que essa vitória em Alvalade podia ser a resolução de todos os problemas que nos afetavam e foi isso que aconteceu.

R – Ainda se lembra dos festejos?

I – [Rindo] Começaram logo no balneário, em Alvalade. Foi uma festa das rijas que se prolongou, depois, no Estádio da Luz, pois tínhamos centenas de adeptos à nossa espera. Nunca vou esquecer esses momentos! Depois dessa vitória só era preciso controlar a vantagem e nós não falhámos.

R – Marcou dois golos nesse encontro, mas considera que foi a sua melhor exibição pelo Benfica? Também há o bis frente ao Arsenal...

I – Para ser sincero, ainda hoje coloco o DVD onde estão gravados todos esses jogos e alguns comentários sobre as minhas exibições. Passei momentos muito difíceis no Benfica, mas também vivi fases gloriosas. É muito complicado para mim dizer qual foi o melhor jogo. É certo que o dérbi dos 6-3 é memorável, assim como essa eliminatória com o Arsenal, mas outros desafios que continuam bem vivos na minha memória. Os 4-4 em Leverkusen... É certo que não marquei qualquer golo, mas é um daqueles jogos que fica sempre gravado, pelas dificuldades que enfrentámos ao longo dos 90 minutos. Também não esqueço os jogos no Estádio da Antas, que eram sempre muito complicados por razões que não tinham nada a ver com o futebol. O mais importante nestes jogos é ficarmos unidos e concentrados até ao último minuto. O futebol mudou muito nestes últimos anos, mas se puder deixar uma mensagem à atual equipa do Benfica, é esta: unam-se e acreditem sempre até ao fim.

R – Quando chegou a Portugal, alguma vez pensou que ia ficar na história do Benfica?

I – É certo que o Benfica foi o auge da minha carreira. Cheguei a Portugal com 24 anos para representar um clube que até desceu de divisão mas consegui dar a volta por cima. Quando chegamos ao final de uma época e somos cobiçados pelos três grandes do futebol português, só nos podemos sentir orgulhosos. Para mim atingir o máximo no futebol é isso, ser cobiçado pelos melhores. Às vezes, quando vejo as minhas partidas, até tenho vontade de voltar a jogar futebol.

R – Continua a acompanhar a equipa do Benfica ou desligou-se um pouco?

I – Infelizmente desliguei-me um pouco, mas pretendo voltar a reatar essa ligação a Portugal e ao Benfica. Vou fazer 50 anos no dia 17 de novembro e tentei trazer ao Brasil essa equipa do Benfica que se sagrou campeã em 1993/94, mas a ausência de um patrocinador acabou por inviabilizar essa possibilidade. Pretendo ir a Portugal no próximo ano e vou aproveitar para ver os meus velhos amigos no Benfica. Aliás, estou a começar um novo projeto que pode beneficiar-nos a todos.

R – Quais são as principais diferenças que encontra entre o futebol atual e aquele que era praticado há 15 anos?

I – Diziam que eu chutava dez vezes para fazer um golo. Até podia ser verdade, mas o único jogador que aparece é aquele que marca golos. O Cristiano Ronaldo, o Messi e até o Neymar, que começa a aparecer, destacam-se porquê? Fazem golos e não têm medo de arriscar. Hoje em dia, o futebol vive uma crise que começa logo na formação. Os centrais, por exemplo, antes tentavam jogar e sair com a bola controlada, mas hoje só sabem bater. O espetáculo foi colocado num plano secundário, há muito medo de perder e isso acaba por afetar a qualidade dos jogos. Felizmente ainda vão aparecendo alguns fenómenos, como o Messi e o Ronaldo, que continuam a fazer-nos sonhar. O mais bonito no futebol são os golos, e hoje isso foi esquecido.

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