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João Gabriel: «Enquanto em Alvalade e Dragão vemos o primeiro-ministro, ministros e figuras relevantes, na Luz...»

Antigo diretor de comunicação do Benfica fala da liderança de Rui Costa

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Rui Costa na tribuna da Luz com Toni e Shéu
Rui Costa na tribuna da Luz com Toni e Shéu • Foto: Paulo Calado

João Gabriel, antigo diretor de comunicação do Benfica, voltou a lançar novas farpas à liderança de Rui Costa nas águias. Numa publicação no LinkedIn questionando "Rui Costa tem condições para continuar? É a ele que lhe cabe responder!", João Gabriel parte da "tribunal presidencial" da Luz para dar conta "da falta de trabalho institucional" que "obriga" o dirigenta das águias a "ir correr a AR".

"Há, (...), um cenário distinto que não pode ser ignorado: o próprio Rui Costa reconhecer que já não tem condições para continuar. Essa é uma decisão que só ao próprio compete, mas que exige lucidez e sentido de responsabilidade. Se entender que perdeu capacidade de liderança, apoio interno ou margem para inverter o ciclo desastroso em que mergulhou o clube, então deve assumi-lo com frontalidade. Até lá, importa separar duas coisas: a crítica legítima e necessária — a deslegitimação apressada. O que precisamos mesmo saber é se Rui Costa continua a entender ter condições para continuar", pode ler-se.

A liderança de Rui Costa no Benfica vive hoje um momento de tensão evidente. Os sinais de desgaste acumulam-se, os erros são visíveis e a contestação cresce
João Gabriel

Antigo diretor de comunicação do Benfica

Leia a publicação na íntegra:

"Rui Costa tem condições para continuar? É a ele que lhe cabe responder!

A tribuna presidencial da Luz é hoje o espelho do que tem sido esta direção do Benfica. Quem ajudou a construir a história do clube merece todo o respeito e reconhecimento, mas a tribuna presidencial é — devia ser — um espaço de representação, de afirmação e de construção de futuro. É ali que se estabelecem relações, que se reforça o peso do clube e que se projeta o Benfica. Novos ou melhores contratos, lobby, parcerias estratégicas, influência institucional. Continuar fechado sobre o passado é ignorar as exigências do presente e comprometer aquilo que o Benfica pode e deve ser no futuro.

Enquanto em Alvalade ou no Dragão vemos o Primeiro-Ministro, ministros, presidentes de câmara e figuras relevantes da sociedade a nível nacional e internacional, na Luz assistimos, jogo após jogo, a uma presença massiva de ex-jogadores (e quase sempre os mesmos). Sinal claro da falta de trabalho institucional, o que obriga depois a ir correr a AR.

A liderança de Rui Costa no Benfica vive hoje um momento de tensão evidente. Os sinais de desgaste acumulam-se, os erros são visíveis e a contestação cresce. Mas há uma linha que não deve ser ultrapassada: a da deslegitimação precipitada de um presidente que, há menos de meio ano, foi reforçado por duas votações expressivas dos sócios.

Num clube democrático como o Benfica, a legitimidade não é um conceito abstrato nem moldável ao sabor da frustração desportiva. Apesar da gestão errática, sem uma linha estratégica clara e consistente, um passivo consolidado que aumentou 189 milhões em cinco anos, a perda de peso nas instâncias desportivas e uma política de contratações dispendiosa e sem eficácia, a tentação de respostas musculadas cresce. Foi desta frustração que nasceu, esta semana, uma petição para a convocação de uma Assembleia Geral com carácter destrutivo.

Não creio que essa seja a solução. Seria um ato de instabilidade que pouco acrescentaria à resolução dos problemas reais. Pior: poderia fragilizar ainda mais o clube num momento em que precisa de foco, reorganização e clareza.

Há, no entanto, um cenário distinto que não pode ser ignorado: o próprio Rui Costa reconhecer que já não tem condições para continuar. Essa é uma decisão que só ao próprio compete, mas que exige lucidez e sentido de responsabilidade. Se entender que perdeu capacidade de liderança, apoio interno ou margem para inverter o ciclo desastroso em que mergulhou o clube, então deve assumi-lo com frontalidade.

Até lá, importa separar duas coisas: a crítica legítima e necessária — a deslegitimação apressada. O que precisamos mesmo saber é se Rui Costa continua a entender ter condições para continuar."

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