João Santos: Presidente discreto mas com sucesso

Adicione como fonte preferencial no Google

Aos 90 anos, João Maria dos Santos Júnior, antigo presidente do Benfica, faleceu ontem em Lisboa. Apoquentado por problemas de saúde nos tempos mais recentes, o homem que durante cinco anos (de 1987 a 1992) comandou os destinos das águias não resistiu a um segundo acidente vascular-cerebral. Os seus últimos dias foram, aliás, passados numa unidade hospitalar e em estado de coma.

João Santos chegou à presidência do clube da Luz quando já contava 72 anos. Até então era um anónimo associado que entre o grande público passava praticamente despercebido. Ser discreto era, por sinal, uma das suas características mais evidentes. Não gostava de agitações e adoptava uma postura de “low profile”, buscando sempre a conciliação entre todos.

O seu cavalheirismo fez com que, paradoxalmente, suscitasse a desconfiança de alguns adeptos do seu próprio clube, pouco habituados a alguém tão convictamente sereno e polido no mundo do futebol.

Ainda assim, nos piques da rivalidade com o FC Porto chegou a tomar posições de pulso forte, o que lhe valeu animosidades a Norte. Ficaram célebres, por exemplo, as ameaças de morte de que foi alvo por parte do então famoso guarda Abel, facto que o impediu de marcar presença no Estádio das Antas quando dois golos de César Brito valeram mais um título nacional ao Benfica (um dos três que o clube ganhou durante a sua gestão).

Vida regrada

Nascido a 3 de Dezembro de 1914, João Santos foi sempre uma pessoa de vida regrada. Remador enquanto jovem, somou triunfos tanto a nível regional como nacional. Curiosamente, a sua experiência enquanto dirigente começou no remo, tendo liderado a Associação Naval de Lisboa e integrado também os órgãos sociais da Federação Portuguesa de Remo.

Dono da empresa Diese, especialista em produtos dietéticos, João Santos não se limitava a ser um empresário de sucesso. Preocupava-se, efectivamente, com o bem-estar das pessoas que o rodeavam, aconselhando-as em relação aos hábitos alimentares e não só.

O amigo Eriksson

Aproveitando a presença de Sven-Goran Eriksson em Lisboa – numa cerimónia na Embaixada britânica, pouco antes do Euro’2004 –, João Santos, já com evidentes problemas de saúde, fez questão de ir abraçar uma das figuras que o ajudaram a devolver o nome do Benfica ao galarim do futebol internacional. O sueco ficou para sempre seu amigo.

À família enlutada e ao Benfica, Record expressa o seu profundo pesar.

Funeral é amanhã

O corpo de João Santos estará a partir das 18 horas de hoje na igreja de Santa Joana Princesa (perto da Av. Estados Unidos da América). O funeral realiza-se amanhã, saindo às 10 horas para o Cemitério do Alto de São João, onde o corpo será cremado. A bandeira do clube ficará a meia haste durante três dias, em sinal de luto.

Deixe o seu comentário
Newsletters RecordReceba gratuitamente no seu email a Newsletter Benfica ver exemplo
Ultimas de Benfica Notícias
Notícias Mais Vistas