Lukebakio é "animal competitivo" e lamenta: «Mal consegui mostrar o meu valor na primeira época no Benfica»
Internacional belga temeu não ser chamado para o Mundial
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É com certa amargura que Dodi Lukebakio recorda a temporada no Benfica, admitindo sem rodeios que esperava ter outro protagonismo. O extremo lamenta o facto de não ter conseguido mostrar tudo o que vale na Luz e as consequências que receou. "Sou apenas humano. De repente, muitas coisas começaram a passar pela minha cabeça. Mal consegui mostrar o meu valor na minha primeira temporada no Benfica. E temi perder o meu lugar no Mundial [com a seleção da Bélgica]", admitiu.
Concentrado com os compatriotas, o jogador, de 28 anos, faz agora algumas revelações sobre os últimos meses. "Na última temporada, vivi um dos períodos mais difíceis da minha carreira. Quando sofri uma fratura no tornozelo em novembro, não estava preparado para tal situação. Pensei que não seria tão grave, até que o médico disse que precisava de cirurgia. Foi um choque", recordou, fazendo depois questão de sublinhar que a adaptação ao clube fora das quatro linhas foi positiva. "Quando assinei, disseram-me: 'Dodi, não tens noção do tamanho deste clube". Posso garantir que agora percebo. Os adeptos, o estádio, os media... o Benfica é enorme", afirmou, citado pelo jornal belga HLN.
Lukebakio, que somou 1.167 minutos divididos em 23 jogos de águia ao peito, revelou ainda que chegou a ponderar propostas de outros campeonatos antes de optar pelo Benfica, mas considera ter tomado a decisão certa. "Tive dúvidas durante o verão, mas depois de comparar todas as opções, o Benfica era a escolha lógica", explicou, destacando a possibilidade de lutar por títulos e jogar a Liga dos Campeões.
Depois de uma época marcada por lesões e alguma irregularidade, Lukebakio assume que ficou longe do nível pretendido, mas mantém-se confiante e quer dar tudo, agora, pela equipa de Rudi Garcia. “É verdade que me saí bem como suplente [particular com a Tunísia, que a Bélgica goleou por 5-0], mas sou um animal competitivo. O meu objetivo é sempre jogar e ser titular”, confessou, acrescentando: "Agora, se o meu papel no momento é fazer a diferença vindo do banco, terei o maior prazer. Não estou a pensar em mim. Vencer e orgulhar a Bélgica é o que importa. Quero ajudar a equipa. Estar aqui no Mundial já é a realização de um sonho de infância."
Família e fé como pilares
Fora das quatro linhas, Lukebakio mostrou-se particularmente entusiasmado por poder viver o Mundial na companhia da família. A mulher, Genie, deverá juntar-se em breve à concentração da Bélgica, acompanhada dos dois filhos e por outros familiares. "O meu filho tem quatro anos e a minha filha dois. Ainda são demasiado novos para perceber o que é um Mundial", contou, entre risos. "Nem sabem que este é o símbolo da Bélgica. Para eles é Benfica. Ou o Sevilha", disse ainda. O extremo assumiu que partilhar esta experiência com os filhos é "a melhor parte" da competição e elogiou ainda a sensibilidade da equipa técnica belga, que reserva momentos para os jogadores estarem com as famílias.
A fé é outro dos pilares da vida do jogador. Cada vez mais confortável em falar publicamente sobre as suas crenças, Lukebakio explicou que gosta de transmitir a mensagem de que a espiritualidade pode impactar o dia a dia de algúem. "Acho bonito partilhar a minha fé e mostrar como ela nos pode tornar melhores pessoas", afirmou. O avançado usa diariamente uma pulseira com significado religioso e revelou que, embora alguns colegas sejam mais discretos, vários internacionais belgas falam abertamente sobre a fé. "Eu como padre do grupo? Sou mais o irmão mais velho do grupo do que o padre", brincou, acrescentando que, apesar de ainda não terem ido juntos à igreja durante o estágio, é habitual alguns jogadores rezarem em conjunto.