Marco Silva no Benfica: regresso a Portugal onze anos depois, agora para o outro lado da Segunda Circular
Técnico, que comandou o Sporting em 2014/15, volta ao nosso país depois de ter estado na Grécia e em Inglaterra
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O treinador Marco Silva reentra pela porta grande em Portugal, que deixou há 11 anos, vergado a um despedimento por justa causa do Sporting, e logo para orientar o rival Benfica, após uma bem-sucedida passagem por Inglaterra.
Na época seguinte à saída do clube de Alvalade cumpriu uma tradição dos técnicos portugueses e sagrou-se campeão grego no Olympiacos (ainda o seu maior título), mas terão sido os últimos cinco anos no Fulham que convenceram os dirigentes benfiquistas que seria o sucessor ideal de José Mourinho, incapaz de resistir ao chamamento do Real Madrid.
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Aos 48 anos, Marco Silva só por duas vezes se encontrou em posição de lutar por títulos relevantes: Sporting, em que falhou, apesar da conquista da Taça de Portugal, e Olympiacos, pelo qual, naturalmente, triunfou. No Benfica, que se sagrou campeão pela última vez em 2023 e tem em Rui Costa um presidente muito pressionado pelo insucesso recente, terá uma margem de erro reduzida.
A carreira de Marco Silva passou também pelo Estoril (no qual transitou do relvado para o banco de suplentes), Hull City, Watford e Everton, e foi nestes clubes de menor dimensão que os méritos do trabalho do treinador natural de Lisboa mais se evidenciaram, como o comprovam dois títulos da segunda divisão, em Portugal e Inglaterra.
O primeiro foi alcançado em 2011/12 nos canarinhos - que levou do segundo escalão até ao apuramento para as competições europeias em tempo recorde -, depois de substituir o brasileiro Vinícius Eutrópio na quinta jornada e de uma curtíssima passagem como diretor desportivo.
Na época seguinte, o Estoril Praia foi a equipa sensação do futebol português, ao terminar no quinto lugar da I Liga e ganhar o direito a disputar a Liga Europa, e em 2013/14 fez ainda melhor, escalando até à quarta posição, apenas atrás dos três grandes, que igualava o melhor resultado dos estorilistas no escalão principal.
Saiu do Sporting no final de 2014/15, despedido por justa causa por Bruno de Carvalho
A ascensão meteórica do Estoril despertou o interesse do Sporting, mas Marco Silva não resistiu à instabilidade que o clube vivia sob a presidência de Bruno de Carvalho, ao terceiro lugar no campeonato e ao facto de não ter utilizado o fato oficial numa eliminatória da Taça de Portugal de 2014/15, que conquistou ao vencer na final o Sporting de Braga.
Aquele foi o mais bizarro de todos os motivos invocados pelo clube de Alvalade para despedir o técnico por justa causa, em 4 de junho de 2015, um dia antes de Jorge Jesus ser anunciado como novo treinador leonino, uma história que também não teve um final feliz no Sporting tumultuoso de Bruno de Carvalho.
Marco Silva não precisou de muito tempo para regressar à ribalta e o Olympiacos foi veículo ideal para o concretizar. Depois de Leonardo Jardim e Vítor Pereira, foi a vez de o novo técnico benfiquista levar o clube de Pireu à conquista do título grego, uma pequena proeza que Paulo Bento e Pedro Martins (por três vezes) replicaram.
Em 23 de junho de 2016, deixou por iniciativa própria o seu lugar ao sol na Grécia e só voltou a treinar em janeiro do ano seguinte, a convite do Hull City, que procurava desesperadamente manter-se na Premier League. A vida em Inglaterra, ainda que desejada, revelou-se substancialmente menos soalheira e Marco Silva não evitou a despromoção
Em Inglaterra comandou o Hull City, Watford, Everton e Fulham. Passagem pelos cottagers foi a mais longa
O Hull City caiu no segundo escalão, mas não Marco Silva. O seu trabalho foi reconhecido pelo Watford, cujo início fulgurante na Liga inglesa de 2017/18 conheceu um fim abrupto após o assédio feito pelo Everton ao treinador português, que levou ao despedimento de Marco Silva através de um comunicado insólito, no qual os toffees eram apontados como os principais responsáveis.
Marco Silva acabou mesmo por rumar ao Everton e, após um meritório oitavo lugar em 2018/19, nada faria prever o desastre que se seguiu: a goleada por 5-2 sofrida perante o rival Liverpool foi o catalisador do despedimento do treinador, em 5 de dezembro de 2019, que deixou os toffees no 18.º e antepenúltimo lugar da Premier League, em zona de despromoção.
O técnico português demorou a recompor-se da experiência e só voltou a treinar um ano e meio mais tarde. Marco Silva aceitou baixar a fasquia e o Fulham, que militava na segunda divisão e aspirava a voos mais altos, pareceu o clube indicado para preparar o regresso ao melhor campeonato do mundo.
A aposta revelou-se ganhadora: venceu o Championship na época de estreia, em 2021/22, e regressou na seguinte à Premier League, onde se manteve imperturbável desde há quatro anos, sem façanhas, mas também sem sobressaltos (10.º lugar em 2022/23, 13.º em 2023/24 e 11.º em 2024/25 e 2025/26), pacatez que a mudança para o Estádio da Luz promete alterar.