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23 julho

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Noronha Lopes para Rui Costa: «Não se deixe embalar pelos elogios dos outros presidentes. Estamos fartos de paternalismos»

Ex-candidato muito crítico na AG do Benfica

Noronha Lopes
Noronha Lopes • Foto: Isabel Cutileiro/Benfica
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Noronha Lopes, candidato derrotado por Rui Costa na segunda volta das eleições à presidência do Benfica, criticou o atual projeto desportivo do clube, centrando atenções na ausência de títulos, aposta na formação e presença de participações minoritárias na SAD dos encarnados. O empresário disse ainda para Rui Costa não se deixar "embalar" pelos elogios dos presidentes dos rivais.

O discurso na íntegra:

"Caros consócios,

O que sempre fortaleceu este clube foi a capacidade de ouvir, aprender e corrigir, porque todos queremos a mesma coisa: um Benfica mais forte. Falo-vos como um entre milhares de sócios. O passado pertence ao passado, mas o futuro exige que aprendamos com ele. No ano passado voltámos a falhar. Não foi um acidente; foi mais um capítulo de um ciclo desastroso que não pode continuar. Quando o maior clube de Portugal vive este ciclo, a resposta não pode ser a normalização. Tem de ser a exigência, a análise e a correção.

A legitimidade desta Direção não está em causa. Foi escolhida pelos sócios e deve cumprir o seu mandato. Mas sejamos claros: a legitimidade ganha-se nas eleições, a competência e a exigência conquistam campeonatos. Os clubes vencedores não são os que melhor se justificam; são os que aprendem mais depressa. A humildade de saber ver o que correu mal nunca enfraqueceu o Benfica, sempre o tornou mais forte. É dessa humildade que o Benfica precisa hoje e é isso que os sócios esperam desta direção: que nos explique que lições retirou das últimas épocas e o que será diferente para melhor na próxima. O Benfica não precisa de mudar de identidade, precisa de voltar a encontrá-la.

Apostar na formação não é apenas lançar jovens na equipa principal. É protegê-los quando erram, dar-lhes tempo para crescer e não transformar cada erro numa sentença. Não podemos lançar jovens em contextos de enorme exigência e, se o início não é perfeito, passam rapidamente de promessa a problema e de problema a mais uma venda. É fundamental que se consolide uma política desportiva.

Mas importa também dizer que não fomos campeões apenas por culpa própria; fomos também escandalosamente prejudicados pelas arbitragens. O Benfica não pode viver de desculpas, mas também não pode aceitar injustiças. Não basta reagir, é preciso antecipar e liderar. Continuo a defender mudanças para uma arbitragem mais independente, mais transparente e mais responsável. As propostas que apresentei no ano passado continuam à disposição do clube e espero que contribuam, juntamente com outras, para uma posição do clube nesta matéria. E que depois seja o clube a liderar a apresentação de um plano para a transformação da arbitragem em Portugal. Porque, como a questão dos direitos televisivos mostrou, se esperamos pelos outros, começamos logo a perder.

Há ainda uma questão em que aguardamos esclarecimentos da direção e que tem que ver com as participações minoritárias na SAD. A decisão de bloquear a entrada destes investidores americanos foi acertada, mas continua por explicar qual é a estratégia para o futuro. Que perfil de investidores queremos para a SAD? Que mais-valias devem trazer ao Benfica, para além do capital? Como vamos garantir que servem os interesses do clube e não apenas interesses financeiros? A pergunta que os sócios merecem ver respondida é esta: vamos finalmente definir uma estratégia para este tema ou vamos deixar ficar tudo na mesma?

Senhor Presidente, não se deixe embalar pelos elogios dos presidentes dos nossos adversários. Estamos fartos de paternalismos. O respeito não se pede, impõe-se. Os nossos adversários querem um Benfica que reaja; os benfiquistas querem um Benfica que lidere. Por isso lhe digo: vá à luta, antecipe, fale grosso quando for preciso. Porque quando um Presidente defende o Benfica, os benfiquistas defendem o seu Presidente.

Termino desejando que, com Marco Silva, esta seja finalmente a época da mudança de ciclo. Da ambição. Da exigência. Do Benfica campeão. Que venha de lá o 39 e a conquista da Liga Europa!

Viva o Sport Lisboa e Benfica!"

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