O brinco perdido de Vítor Baptista

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O CLÁSSICO Benfica-Sporting do campeonato de 77/78 terminou com uma vitória tangencial (1-0) para os encarnados. O único golo da partida foi marcado por Vítor Baptista, segundo a crónica de Record: "um golão". No entanto, o principal acontecimento do encontro não foi a vitória benfiquista, nem o golo, nem sequer a perna partida de Jordão. O pormenor que imortalizou esse jogo foi o facto de Vítor Baptista ter perdido o brinco durante os festejos do golo.

O lance do golo aconteceu aos 54 minutos, e segundo Record, após uma jogada de "verdadeiro futebol simplista e eficiente": Cavungi centrou do lado direito, "Vítor Baptista recebeu-a no peito, antecipando-se a Inácio, e disparou uma autêntica 'bomba', com o pé direito, ao ângulo superior esquerdo de Botelho. Um golo total!".

A cena do dia, aconteceu após a "obra de arte". Quando terminaram os festejos, a bola voltou ao centro do terreno mas o marcador não. Vítor Baptista ficou perto da grande área dos leões a olhar para o chão, Toni e Humberto Coelho acercaram-se do companheiro e perceberam a sua preocupação ao verem a sua orelha sem o habitual brinco.

Após cerca de dez minutos de buscas, às quais se juntaram restantes companheiros e alguns adversários, a preciosidade não apareceu e o jogo teve de recomeçar. Contudo, mal Rosa Santos apitou pela última vez, Vítor Baptista não regressou às cabinas pois iniciou, com a ajuda de alguns voluntários, uma segunda fase de procura.

O brinco nunca apareceu mas a história, talvez única, tornou-se um clássico e será sempre lembrada como um dos momentos mais cómicos do futebol nacional.

Perder dinheiro a trabalhar

Vítor Baptista foi considerado por Record como "A figura do jogo" e, no final, não explicou como conseguira o magnífico golo mas sim como perdera o precioso brinco.

Segundo o jogador, foi quando Cavungi o abraçou que o objecto lhe desapareceu da orelha. Apesar de confessar a felicidade pela vitória do Benfica, e pelo golo, Vítor Baptista explicou: "O brinco custou doze contos e penso que o prémio de jogo é de oito. Em suma, perdi dinheiro a trabalhar."

A moda dos homens usarem brinco só chegou a Portugal na década de 90, mas o extravagante jogador do Benfica já usava um em 1978. O facto causava curiosidade, mas para Vítor Baptista era uma situação normal.

"Durmo com ele, ando com ele na rua, como com ele e, naturalmente, também o uso dentro das quatro linhas", explicou o homem que se intitulava, "o Maior".

Jordão parte a perna em choque com Alberto

O Benfica-Sporting de 77/78 teve, além do episódio do brinco, outro incidente bem mais grave. Aos 25 minutos, um choque entre Alberto e Jordão provocou ao sportinguista fracturas da tíbia e do perónio, facto que o deixou fora dos relvados até ao final dessa época. No hospital, Jordão defendeu o benfiquista: "o Alberto não me arrumou de propósito."

Árbitro Rosa Santos estreou-se em «derbies»

Rosa Santos estreou-se em "derbies" entre os velhos rivais de Lisboa no "jogo do brinco". Sobre a exibição do funcionário da segurança social de Beja, Record escreveu: "Rosa Santos deixou correr o marfim...", acusando-o de permitir, "uma dureza que já não se usa." O árbitro teria depois uma carreira brilhante cujo ponto alto foi a participação no Euro 88.

Espião do Liverpool assistiu ao clássico

Tom Saunders, olheiro do Liverpool, esteve na Luz a espiar o Benfica que ia defrontar os ingleses para a Taça dos Campeões. Além de ter considerado o Benfica uma excelente equipa, Saunders ficou maravilhado com Vítor Batista: "achei imensa graça ao facto do nº9 andar à procura do brinco. Em Inglaterra, teria recebido aplausos..."

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