O «derby» ao longo dos tempos
7-2 (1945/46)
Na transição das Amoreiras para o Campo Grande (inaugurado a 5 de Outubro de 1941), o Benfica reencontrou-se imediatamente com as vitórias. Na estreia do “derby” no novo recinto e ao cabo de três derrotas consecutivas ganhou por 4-3. Mas foi na época de 1945/46, marcada pelo título conquistado pelo Belenenses, que os encarnados conseguiram o mais robusto de todos os resultados, um espectacular 7-2.
Nessa partida histórica, Mário Rui foi o grande herói da tarde ao apontar três golos, ficando os restantes quatro equitativamente distribuídos por dois dos maiores nomes da história benfiquista: o eterno Rogério de Carvalho e o grande goleador que foi Arsénio Duarte.
2-0 (1957/58)
Entre finais da década de 40 e larga fatia dos anos 50, o Benfica não teve vida fácil. Foi o tempo dos “violinos” e respectivos descendentes, que permitiram um feito notável e que não seria repetido: em oito épocas consecutivas (entre 1947 e 1955) nunca perderam, primeiro no Campo Grande e depois na Luz.
Apesar do tempo de “vacas magras”, nesse período ao Benfica chegaram dois dos expoentes máximos da sua história: José Águas (1950) e Mário Coluna (1954). Em 1957/58, os encarnados derrotaram o Sporting, por 2-0, através de dois golos do maior goleador a seguir a Eusébio: José Águas, que continua a ser, cinquenta anos passados, o maior cabeceador de sempre do futebol português.
4-1 (1972/73)
Seguiu-se a década de ouro, de domínio interno e expressão europeia de excepcional geração de jogadores, liderada pelo talento ímpar de Eusébio da Silva Ferreira. Nas quinze épocas em que pôde contar com o “Pantera Negra”, o Benfica venceu nove jogos, empatou cinco e perdeu apenas um. Eusébio tinha um jeito muito especial para marcar ao grande rival.
Na época de 1972/73, já na fase descendente da carreira, Eusébio ultrapassou todos os limites: o Benfica venceu o grande rival, por 4-1, e os quatro golos encarnados foram da sua autoria. Aliás, entre 1971 e 1974 (já em duelo com Vítor Damas), o Benfica venceu por 2-1, 4-1 e 2-0. Marcou oito golos. Quer dizer, Eusébio marcou oito golos.
1-4 (1947/48)
Em virtude dos acontecimentos posteriores aos 10-0 sofridos pela selecção frente à Inglaterra, em Maio de 1947, o “derby” da época 1946/47 foi amputado das suas principais figuras, entretanto suspensas pela FPF.
Ficou adiada para a temporada seguinte a estreia em jogos Benfica-Sporting a contar para o campeonato de dois dos maiores futebolistas portugueses de todos os tempos: José Travaços e Manuel Vasques. Mas essa partida ficou marcada, acima de tudo, pela proeza de um dos maiores goleadores da história do futebol: Fernando Seixas Peyroteo, que não fez por menos, e marcou os quatro golos da vitória sportinguista, por 4-1, no Campo Grande.
2-4 (1965/66)
Estávamos em pleno domínio benfiquista; desde 1953/54 que o Sporting não vencia no reduto do rival; Eusébio, Coluna e companhia ditavam leis interna e externamente. Na temporada que iria desaguar na fase final do Campeonato do Mundo de Inglaterra, os leões assinaram duas grandes surpresas: foram campeões nacionais e na deslocação à Luz quebraram todas as “regras” e ganharam por 4-2.
Um jogo inesquecível por todas as razões, mas sobretudo por uma que tornou o jogo especial: os quatro golos verde e brancos foram apontados pelo mesmo jogador, João Lourenço. Fabulosa proeza de alguém que terá conquistado ali mesmo, por mérito próprio, o direito de ser “magriço”.
1-2 (1985/86)
Na penúltima jornada do campeonato, o Benfica liderava; tal como vinte anos antes (e nesse período nunca o Sporting venceu na Luz), era época de Mundial com presença portuguesa. De um lado uma equipa sob pressão, do outro um conjunto despreocupado.
A vitória sportinguista, por 2-1, golos de Morato e Manuel Fernandes, permitiu ao FC Porto a conquista do título. Uma partida marcante no intervalo de dois jogos históricos com poucos meses de diferença entre si: 5-0 para a Taça de Portugal (Março), na Luz, a favor do Benfica, e 7-1 para o campeonato (Dezembro), em Alvalade, a favor do Sporting. O tal em que Manuel Fernandes apontou quatro golos.
O saldo positivo de João Pinto
Na época 1996/97, a decisão do “derby” passou pelos pés de João Pinto, que apontou o único tento da partida. Desde que chegou ao Benfica, na época 1992/93, o “pequeno génio” apresenta este saldo nos jogos disputados na Luz: três vitórias, três empates e uma derrota. Domingo estreia-se com a camisola verde e branca.
Melhor série entre 1941 e 1947
A melhor série de vitórias nos Benfica-Sporting pertence aos encarnados. No balanço geral não é surpreendente que assim seja - 33 triunfos contra 12 derrotas -, mas a coisa muda de figura se pensarmos que o referido ciclo vitorioso aconteceu entre 1941 e 1947, ou seja, num período de claro domínio sportinguista.
A incrível era Eusébio
Há dois marcos na história do “derby”, com influência directa para a sua contabilidade global: uma fase até ao tetra do Sporting (1954) e outra depois da chegada de Eusébio. Nos quinze anos em que contou com o “Pantera Negra”, o Benfica venceu nove vezes, empatou cinco e perdeu uma.
O domínio sportinguista
No arranque do campeonato, a vantagem dos Benfica-Sporting a contar para o campeonato foi leonina. Desde 1938 até 1958, ou seja, nos primeiros 20 anos, o Sporting venceu por nove vezes, empatou oito e perdeu três. Em 1958, já agora, conquistava o último título com elementos dos “violinos”: Travaços e Vasques.
A força dos «violinos»
Por falar em “violinos”, foi entre 1947 e 1955 que o Sporting conseguiu a melhor série de resultados: não perdeu durante oito épocas - seis vitórias e dois empates. Um período em que usufruiu da mais emblemática frente de ataque do futebol português, cujo final soube gerir até meados da década de 50.
Quarenta anos muito complicados
Enquanto teve representantes dos “violinos”, o Sporting dominou não só o “derby” como o futebol português; o seu desaparecimento coincidiu praticamente com a chegada de Eusébio, que tudo inverteu. Assim, desde 1958 até hoje, os leões disputaram 42 jogos na Luz, ganharam três, empataram 14 e perderam 25.