O goleador da Taça Latina
Júlio Correia da Silva, eternizado com o nome de Julinho, foi um dos mais extraordinários pontas-de-lança da história do Sport Lisboa e Benfica. Nascido a 1 de dezembro de 1919, no Porto, mais precisamente na freguesia de Ramalde, é o 7.º melhor goleador encarnado de sempre. Morreu anteontem, aos 90 anos, deixando um lastro goleador impressionante mas também o exemplo de um verdadeiro desportista.
Boavista e Ac. Porto
Aos 14 anos, Julinho começou a jogar no Boavista, clube que representou durante seis temporadas, percurso iniciado como guarda-redes. Já como avançado, foi campeão de juniores da AFPorto. Como campeão nacional da IIDivisão transferiu-se para o Académico do Porto, ao serviço do qual se estreou na I Divisão.
Lenda benfiquista
Em 1942, com 22 anos, chegou ao Benfica para iniciar a lenda de um dos mais temíveis pontas-de-lança de sempre com a águia ao peito. E de tal forma se impôs que, logo na primeira época, em 1942/43, ajudou o clube a vencer o campeonato nacional, conquistando também o título de melhor marcador da competição com 24 golos em 16 jogos efetuados.
Desde então e até 1950, Julinho foi a referência máxima do ataque encarnado, ao lado de estrelas como Espírito Santo, Rogério de Carvalho, Arsénio, Joaquim Teixeira, Corona, Pascoal e Rosário entre outros. Era o Peyroteo do Benfica, o avançado com mais faro pelo golo - em 1949 atingiu os 220 pelo Benfica, ultrapassando o máximo que pertencia a Valadas (219). O seu recorde, que atingiria o expressivo número de 272 golos em jogos da primeira categoria, durou até 1952, altura em que foi batido por Arsénio Trindade.
Chega José Águas
Depois de ganhar o campeonato e voltar a ser o máximo goleador, com 28 golos em 22 jogos (na primeira temporada sem Peyroteo no comando do ataque sportinguista), Julinho atingiu o ponto alto da sua vida desportiva ao apontar o golo que deu a Taça Latina ao Benfica, na finalíssima com o Bordéus.
Foi justamente a partir de 1950 que a sua carreira entrou em quebra. Arsénio revelou dotes de um goleador ainda mais exuberante e a contratação de José Águas fez o resto. De 1950/51 a 1953, quando abandonou o clube, Julinho contabilizou apenas 6 presenças na equipa principal, tendo marcado 2 golos.
Depois de abandonar o Benfica, Julinho prosseguiu como jogador-treinador de Coruchense e Benfica e Castelo Branco. Pendurou definitivamente as botas em 1958. Até ao fim dos anos 60 dirigiu Coruchense, Atlético Marinhense (eleito pelos adeptos, em 2000, treinador do século), Casa Pia, Alverca, Torres Novas, Alhandra, Vilafranquense e Sacavenense. Tinha 49 anos quando se desligou do futebol, dedicando-se por inteiro à atividade comercial - gerente de um armazém de mercearia e restauração.