Os homens do presidente
Camacho, Trapattoni, Koeman, Fernando Santos, Chalana, Quique Flores e Jorge Jesus...
Dez anos de presidência correspondem a sete treinadores. Com a chegada de Jorge Jesus ao banco das águias, o Benfica começou finalmente a conhecer a estabilidade neste capítulo, pois, até à chegada do atual técnico, só Camacho terminou uma segunda temporada. Para a história perduram as amizades entretanto criadas...
Jose Antonio Camacho
Camacho foi uma aposta pessoal de Luís Filipe Vieira quando o atual presidente ainda só era o responsável pelo futebol do Benfica. Numa altura em que a prioridade era a construção do novo estádio e do centro de estágio, o antigo jogador promoveu uma autêntica revolução no departamento do futebol, tornando-se no braço direito do presidente, entretanto eleito. Na segunda época de trabalho em Portugal, o espanhol manteve a carta branca para controlar o futebol profissional e garantiu a Luís Filipe Vieira o seu primeiro título: a Taça de Portugal. No final da época, Camacho não resistiu a um convite para treinar o Real Madrid, o seu clube do coração, deixando uma sólida relação de amizade com Vieira. Estes laços perduraram e, quando Vieira despediu Fernando Santos em 2007, recorreu ao espanhol. Contudo, Camacho não conseguiu colocar a equipa a jogar bom futebol e saiu antes do final da época. A amizade com o presidente das águias resistiu ao divórcio laboral.
Giovanni Trapattoni
A saída de Camacho foi compensada com a contratação de Giovanni Trapattoni. O experiente técnico aceitou o convite de Luís Filipe Vieira após ter deixado o cargo de selecionador italiano. Ciente das limitações do plantel, o italiano conseguiu gerir a equipa de forma exemplar e terminou com o jejum de títulos na Luz, que durava 11 anos. Numa época em que o futebol profissional estava entregue a José Veiga, o transalpino nunca estabeleceu uma relação de amizade, mas o respeito mutuo mantém-se. Saiu no final da época alegando “razões pessoais”. Poucos meses depois regressava à atividade, ao comando técnico do Estugarda.
Ronald Koeman
Mais uma vez a aposta do presidente do Benfica foi um treinador estrangeiro. Ronald Koeman foi o escolhido, um técnico holandês oriundo do Ajax que vinha para Portugal com a missão de colocar a equipa a jogar um futebol atrativo, que recuperasse a empatia com os adeptos. A temporada começou da melhor maneira com a conquista da Supertaça, diante do V. Setúbal. No campeonato destaca-se a vitória no Estádio do Dragão, mas uma série de resultados frente a equipas mais fracas acabou por afastar as águias da luta pelo título. A eliminação nos quartos-de-final da Liga dos Campeões, diante do Barcelona, não evitou a saída do holandês no final da temporada.
Fernando Chalana
Foi a solução encontrada por Vieira para render Camacho. Chalana tentou recuperar o ânimo do grupo e lutar pelo objetivo que restava: a Taça. O sonho morreu em Alvalade, mas, pelo espírito de missão mostrado, tem o reconhecimento de Vieira. Trabalha com os jovens no Seixal.
Quique Flores
Numa época em que houve uma aposta forte no reforço do plantel com a vinda de nomes como Aimar e Reyes, Quique Flores foi o escolhido para voltar a trazer títulos ao Benfica. O espanhol nunca conseguiu repetir o sucesso que obteve no Getafe e no Valencia. A equipa, fruto da irregularidade das suas exibições, foi falhando objetivos, e só ganhou a primeira Taça da Liga na história do clube. Acabou por rescindir no final da temporada sem ter criado empatia com Vieira.