Pedro Henriques: «Este desafio é especial»
Pedro Henriques, nomeado para o Benfica-Sporting, está perto de apitar o primeiro clássico da carreira. O árbitro, que subiu à 1ª categoria em 2001/2002, está, no entanto, habituado a encontros importantes no futebol nacional: entre outros encontros dirigiu o Boavista-Benfica na época passada, marcado pela confirmação dos encarnados como campeões nacionais; em 2003, foi o juiz da final da Taça de Portugal disputada entre o FC Porto e a União de Leiria. Os dragões ganharam por 1-0.
“Este desafio é especial e tem um sabor diferente, sobretudo pelo seu mediatismo. Quando um árbitro começa a carreira, um Benfica-Sporting ou um Sporting-FC Porto ocupa sempre o imaginário. Sinto-me orgulhoso e é uma honra estar num jogo tão importante. Não existe qualquer nervosismo, mas alguma ansiedade e adrenalina à medida que se aproxima a hora do jogo; mas, como militar, sei lidar com esta situação”, afirma Pedro Henriques.
O juiz explica como está a preparar-se para o dérbi. [ver página 3]: “Os treinos realizam-se à hora do jogo para me adaptar à temperatura e à luz. Vou ver vídeos das equipas para perceber como se colocam em cantos e noutros lances. Tenho o acompanhamento de um psicólogo e a minha mulher [Carla Henriques] prepara-me fisicamente.”
Pedro Henriques arbitrou esta época oito jogos e exibiu 34 cartões amarelos, ou seja, uma média de 4,3 cartolinas por partida e não expulsou ninguém. Esta vai ser a primeira vez, em 2005/2006, que dirige um encontro com a presença do Benfica ou Sporting. “A disciplina não se impõe, conquista-se. Tenho um critério largo, mas admito que possam fazer diferente leitura. Gosto do diálogo e garantir o respeito dos jogadores. O cartão amarelo não é uma arma.”
Pedro Henriques convive bem com o facto de não ser internacional, situação que se verifica porque chegou à 1ª categoria com 36 anos. É com esta idade que os árbitros costumam ser indicados à UEFA. “Não é nenhum drama”, refere a propósito.