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06 abril

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Rakip recorda "jogo sujo" do Benfica: «Treinávamos com um treinador que nem sequer era do clube»

Internacional macedónio, de 29 anos, concedeu entrevista ao podcast 'Lundh'

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Erdal Rakip, antigo jogador do Malmö
Erdal Rakip, antigo jogador do Malmö • Foto: Malmö/X

Erdal Rakip, lembra-se dele? O médio de 29 anos, nascido na Suécia mas internacional pela Macedónia, concedeu recentemente uma entrevista ao podcast 'Lundh' e não escondeu a mágoa que sente sobre a sua passagem 'sombra' pelo Benfica, clube pelo qual assinou em 2017/18 mas nunca chegou a estrear-se.

"Quando cheguei ao Benfica percebi logo que as coisas não eram como eu tinha imaginado. Fui contratado como jogador livre após terminar época no Malmö, mas senti que não havia um plano desportivo para mim. Mal tive tempo de conhecer as instalações e já se falava em emprestar-me", começou por dizer o médio, continuando: "O Benfica decidiu que eu devia ir para o Crystal Palace para ganhar experiência. Eu aceitei porque queria jogar, mas a verdade é que o Benfica apenas me enviou para lá porque queriam 'colocar-me' em algum lado. Quando o empréstimo em Inglaterra terminou e eu não joguei, o meu regresso ao Benfica foi um pesadelo."

Acreditando que teria uma nova oportunidade no Benfica, Erdal Rakip diz que deparou-se com o pior que poderia imaginar. "Quando voltei de Londres, fui completamente colocado de parte. O clube simplesmente 'congelou-me'. Eu não treinava com a equipa principal, mandavam-me treinar sozinho ou com jogadores que eles também queriam despachar. Foi uma situação muito difícil. Tu sentes-te um prisioneiro, estás num grande clube, numa cidade fantástica, mas não te deixam ser aquilo que queres: um jogador de futebol", refere, afirmando que o 'grupo dos afastados' era tratado de forma totalmente diferente: "Foi trágico. Eu e mais uns cinco ou seis jogadores fomos colocados à parte. Não podíamos treinar com a equipa principal, nem com a equipa B. Treinávamos em horários diferentes, às vezes sozinhos ou com um treinador que nem sequer era do clube. Não podíamos usar o balneário principal nem comer no refeitório ao mesmo tempo que os outros. Queriam que nos sentíssemos mal para forçar uma saída."

Erdal Rakip revela ainda que houve "jogo sujo" por parte do Benfica durante a sua passagem pelo clube. "Tentavam quebrar-te psicologicamente. Diziam: 'Tens esta oferta deste clube, tens de aceitar'. Se eu dizia que não era um bom passo para a minha carreira, a resposta era: 'Então vais continuar a treinar à parte'. É uma forma de jogo sujo. No Benfica, se não estás nos planos, passas de estrela a ninguém num segundo", vinca, lamentando o "lado muito frio do futebol profissional que as pessoas não veem" e o facto de Rui Vitória, o treinador do Benfica na altura, nunca ter tido uma conversa com ele: "Ninguém falava comigo. Não havia uma explicação do treinador ou dos diretores. Eu estava lá, cumpria o meu horário, mas era como se eu fosse invisível. Eles queriam que eu abrisse mão do dinheiro para me deixarem sair. É um lado muito frio do futebol profissional que as pessoas não veem. Nunca tive uma oportunidade real de mostrar o que valia nos treinos com o grupo. O treinador [Rui Vitória] nem sequer falava connosco. Estávamos ali apenas para cumprir contrato até que alguém cedesse. É um clube enorme, com uma estrutura fantástica, mas a forma como tratam os jogadores que não querem é muito dura."

O internacional montenegrino, atualmente sem clube depois de ter saído do Antalyaspor, assume que teve de ceder à pressão que era alegadamente feita pelo Benfica para poder voltar a desfrutar do futebol. "Para finalmente conseguir sair daquela situação no Benfica, tive de abdicar de uma parte considerável do que tinha a receber por contrato. Foi o preço a pagar pela minha liberdade e para poder voltar a jogar e ser feliz no Malmö. Foi uma lição cara, mas necessária", sublinha.

Ainda assim, Erdal Rakip não está totalmente arrependido de ter assinado pelo Benfica. "Se me arrependo? É difícil dizer. O Benfica é um dos maiores clubes do mundo, era um sonho. Mas vendo como as coisas correram e a forma como fui tratado, claro que gostaria que tivesse sido diferente. Aprendi muito sobre o lado obscuro do futebol", terminou.

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