Alternate Text

Próximo jogo:

By:

Logo ESC Online

Casa Pia AC

Casa Pia AC

20:45

06 abril

Benfica

Benfica

Rui Vitória: O oposto de Jesus

Rui Vitória: O oposto de Jesus
Rui Vitória: O oposto de Jesus

Nos últimos anos, os adeptos do Benfica habituaram-se à imagem de um treinador enérgico que nunca se sentava no banco ao longo dos 90 minutos, não parava de gritar ordens aos jogadores e, por vezes, até lançava alguns impropérios ao árbitro assistente mais próximo. Com a chegada de Rui Vitória esta situação vai alterar-se quase de uma forma radical. O ainda treinador do V. Guimarães procura passar uma imagem de serenidade, com a qual tenta tranquilizar os jogadores.

"Sou uma pessoa que, por norma, não se desequilibra com nada, mas isso não significa que não seja humano. Considero que enquanto treinadores devemos manter a lucidez para destrinçar a parte mais emotiva da parte mais racional", escreveu o técnico no livro a "A arte da guerra para treinadores", onde se mostra como um modelo para a sua equipa: "Um treinador que perde a cabeça com um árbitro, que mensagem é que passa aos seus jogadores? Pode estar a dizer-lhes que também podem perder a cabeça e isso é grave. Se o líder perde a cabeça como é que os soldados não se sentirão também eles perdidos."

A forma de comunicar com os seus futebolistas ao longo da partida também é diferente. Enquanto JJ sempre optou por interpelar os jogadores, gritando junto à linha lateral, Rui Vitória idealizou um método diferente. "Designo um ou dois mensageiros que são jogadores com capacidade de comunicação (jogadores que estejam mais perto da zona onde me encontro). Eles podem mais facilmente levar a mensagem e levar as indicações para dentro de campo", defende o técnico que lembra que a comunicação "nem sempre é fácil" devido ao facto de os plantéis serem constituídos de jogadores de várias nacionalidades.

Confiança no trabalho

Rui Vitória reconhece que o futebol "é um jogo onde há sempre imponderáveis", mas acredita que o trabalho realizado ao longo da semana pode reduzir os fatores de risco.

Sem nunca abdicar do sistema de jogo que começa a desenhar logo na pré-época, o responsável técnico admite utilizar algumas nuances táticas em função do adversário e prepara vários planos de contingência procurando prever um variado número de imponderáveis. "Tenho, antecipadamente, uma série de cenários possíveis na minha cabeça e já elaborei, também mentalmente, as possíveis respostas a estes cenários como estar a ganhar, a perder, ficar com mais um jogador. Este é o esboço", admite.

Mind games no repertório

Rui Vitória dá grande importância à vertente mental da competição e dispensa a utilização de alguns truques de forma a tentar aumentar a potencialidade dos seus jogadores. Na final da Taça em que o V. Guimarães derrotou o Benfica, o técnico parou numa estação de serviço para garantir que chegava depois do rival. "Se tivéssemos chegado antes teríamos encontrado os adeptos encarnados à espera da sua equipa, provavelmente enfurecidos, e isso teria efeitos muito negativos nos nossos jogadores. Assim deixámos o Benfica ir à frente e a claque dispersou", revela no seu livro. Quando orientava o Paços de Ferreira e disputou a final da Taça da Liga com o Benfica, o técnico recorreu a um vídeo motivacional realizado pela famílias dos seus jogadores.

Preparação semanal está "desenhada"

A carga de treinos que Rui Vitória aplica nos clubes onde trabalha está há muito delineada. No dia a seguir aos jogos, os titulares realizam um treino de recuperação e analisam o jogo anterior. Segue-se um dia de folga que antecede um treino mais intensivo. Normalmente, à quinta-feira, as preocupações de Rui Vitória estão viradas para os aspetos mais táticos. A carga vai diminuindo gradualmente até à véspera do desafio, uma sessão habitualmente utilizada por Rui Vitória para afinar as derradeiras estratégias. O trabalho individual com os jogadores é outro pormenor que o treinador nunca dispensa.

FILOSOFIA DE TREINO

Com os jogadores: "Há treinadores que são muito próximos dos jogadores, mas eu sinto-me mais confortável numa posição um bocadinho mais exterior. Essa posição garante uma maior capacidade de análise"

Com os dirigentes: "O treinador deve ter a capacidade de perceber a filosofia do clube que integra. A partir daí será fácil estar em sintonia com a direção. Sempre tive boas relações com os dirigentes onde estive"

Com os adeptos: "Como treinador tenho de perceber muito bem de que ‘massa’ é feita a massa associativa do meu clube: como se comporta, como reage, como sente, o que gosta de ver"

Pré-temporada: "É a oportunidade de ouro para o treinador comunicar aos seus jogadores o seu estilo de jogo. É neste momento de relativa calmaria que melhor se pode desenhar a equipa".

Liberdade tática: "Não quero jogadores mecânicos. Quero jogadores que tenham a capacidade de perceber que o jogo tem vida própria, que sejam capazes de se adaptar à dinâmica da partida:"

Reforços: "Quando escolho jogadores para trabalharem comigo procuro conhecer exaustivamente a sua personalidade, o seu estilo de vida e a sua trajetória"

Deixe o seu comentário
Newsletters RecordReceba gratuitamente no seu email a Newsletter Benfica ver exemplo
Ultimas de Benfica
Notícias
Notícias Mais Vistas