Sem Rodriguinhos

O hispano-brasileiro fez mais dois golos e mostrou que o Benfica precisa mesmo dele...

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Dois golos de Rodrigo, em dois disparos prontos, sem rodriguinhos, chegaram para o Benfica vencer tranquilamente um Marítimo inseguro na defesa e tímido nas saídas, reassumindo a liderança da Liga. O jogo nunca chegou a complicar-se para os encarnados, que até dispuseram de algumas boas ocasiões para alargar a vantagem, mas Oblak ainda teve de brilhar, com duas superdefesas, para manter a folha limpa com que viaja desde que substituiu Artur nas redes encarnadas.

Consulte o direto do encontro.

A conclusão da tarde, porém, é outra: se Jesus continua renitente em apostar nos jogadores vindos da formação, já ganhou a aposta no avançado hispano-brasileiro, cada vez mais fundamental na produção da equipa, face à lesão de Cardozo e ao ocaso de Lima. A pior notícia que janeiro poderia trazer ao Benfica seria a perda do goleador.

O primeiro jogo do Benfica após a saída de Matic não colocou problemas de maior à organização do meio-campo, onde Fejsa marcou presença segura, sem inventar, e Enzo Pérez viu alargada a sua influência na forma de a equipa sair a jogar. Perante o 4x3x3 do Marítimo, onde a presença de Danilo Pereira na segunda linha tinha a intenção de fazer subir a linha de pressão, o segredo benfiquista foram, porém, as constantes trocas posicionais na frente de ataque. Gaitán e Markovic alternavam o flanco e Rodrigo ou Lima (mais o primeiro do que o segundo) surgiam com frequência nos corredores laterais, aproveitando as constantes diagonais dos extremos. A linha defensiva do Marítimo nunca se entendeu com esta forma de jogar dos donos da casa e começou cedo a abrir brechas. Ao terceiro remate – todos entre o lateral-direito e o central – o Benfica marcou mesmo: Gaitán lançou Lima, Igor Rossi cortou de carrinho, mas Rodrigo foi mais rápido do que Gegé a acorrer à segunda bola e bateu José Sá.

A ganhar aos 19’, o Benfica ainda manteve a intensidade no seu jogo durante mais uns minutos, mas acabou por ceder à desconcentração e permitir a reação do Marítimo. Assim que conseguiu transportar o fulcro do jogo um pouco mais para a frente, a equipa madeirense mostrou a sua qualidade ofensiva e esteve por duas vezes à beira do empate: primeiro, Derley fugiu bem ao fora-de-jogo e obrigou Oblak a uma boa defesa; depois, no canto que se seguiu, foi Nuno Rocha quem, de cabeça, tirou o melhor do guarda-redes esloveno. Oblak teve aqui a sua quota-parte da vitória, até porque nove minutos depois desta dupla defesa Rodrigo fez o 2-0, em mais um lance infantil da defesa maritimista.

O intervalo era a altura de Pedro Martins mudar alguma coisa: trocou Marakis por Weeks e recuou Danilo Pereira, de forma a avançar a equipa. Só que o Benfica jogava de cadeirão e esteve algumas vezes à beira do 3-0 em lances de contra-ataque: Rodrigo perdeu o hat trick aos 54’ por falta de pé direito e Lima forçou José Sá a duas excelentes defesas, aos 67’ e aos 80’. Quando Heldon, na última intervenção antes de sair, viu Oblak desviar um remate seu para o poste, a novidade em campo era já o regresso do Benfica ao 4x3x3, por força da saída de Rodrigo e da entrada de Ruben Amorim.

O jogo estava tão resolvido que Jorge Jesus bem podia ter dado o tal sinal de que está com Luís Filipe Vieira no modo como o presidente acredita na formação do clube. As duas substituições que restavam serviram para as entradas de Ivan Cavaleiro e André Gomes, mas se o primeiro pisou o relvado aos 89’, o segundo já só o fez no período de descontos. A ideia não foi seguramente expô-los à demonstração pública da sua irrelevância, mas se fosse não teria saído melhor de outra forma.

Árbitro: Hugo Miguel (nota 2)

Dois erros graves, um a beneficiar cada equipa, mancharam a atuação de Hugo Miguel. Primeiro, a validação do segundo golo do Benfica: Rodrigo estava fora-de-jogo quando a bola foi tocada por Markovic, para o isolar. Depois, aos 75’, Markovic foi mesmo tocado em falta na área por Nuno Rocha: era penálti e não havia caso para amostragem de cartão amarelo por simulação ao avançado benfiquista. De resto, foi sempre coerente.

Momento: minuto 35

João Diogo atrapalhou-se com a chegada de Rodrigo e Markovic e deu uma rosca na bola que permitiu ao avançado benfiquista isolar-se (ainda que em fora-de-jogo, no passe do sérvio) e acabar com o desafio. O 2-0 fechava a questão.

Nota técnica

Jorge Jesus não inventou: pôs Fejsa no lugar de Matic e manteve a aposta na frente de ataque móvel. As substituições foram as normais, incluindo o 4x3x3 final. (4)

Pedro Martins falhou a abordagem inicial: a primeira linha de pressão foi ultrapassada e Marakis era curto para auxílio a uma defesa frágil. Equilibrou quando era tarde. (2)

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