A análise do treinador do Benfica depois do jogo com o Sp. Braga
Adeptos não merecem resposta sobre futuro ou cabe a outra pessoa dar?
"Claro que me cabe a mim dar a resposta. Já me viu esconder das minhas decisões? Agora que ninguém me obrigue a comunicar decisões porque sou eu que decido os momentos. Não estou em condições de lhe responder. Na minha cabeça, desde que se começou a falar de hipóteses, só havia o ganhar e fazer o melhor. O respeito que o Benfica merece, que a minha profissão merece. Que ninguém toque aí, a não ser que seja algum idiota que o faça. Que ninguém toque por aí. Tenho o direito de me ter isolado. Não falei com ninguém de outro clube. Não falei com ninguém de nenhum clube. Não fazia sentido fazer outra coisa que não fosse concentrar-me. Não soa a despedida, soa ao respeito que tenho por eles, soa a uma defesa antecipada. O futebol tem estas coisas, eles serem criticados hoje parece-me de uma injustiça. Quando os critiquei depois do Casa Pia saiu-me da alma. Hoje quando é o dia em que se pensa que o Benfica terminará em terceiro é o dia em que tenho de os defender porque acho que o merecem. Não quero começar a próxima época castigado. Decidi ficar por aqui. Vou ficar por aqui. Já me sucedeu em Roma começar uma época com um castigo de uma época anterior. Não é uma boa situação. Não é bom. Por mim e pelo meu clube, calma. Só falta uma semana..."
O que condicionou mais o Benfica hoje?
"Diferença de eficácia entre uma equipa e outra. O Andreas [Schjelderup] fez um jogo demolidor, mas não tivemos eficácia em transformar em golos aquilo que criámos. Não quero dizer que defensivamente fomos perfeitos, mas sofremos um golo de fora de área e de um cruzamento que não sei se poderíamos ter feito algo mais. Não ouvi mas custa-me acreditar que o Carlos tenha dito algo contrário ao que disse. É um rapaz fantástico. Deve ter dado ênfase ao esforço dos seus jogadores. O Benfica em condições normais teria feito 3, 4 golos e teria ganho o jogo."
Dahl na seleção sueca, convocatória amanhã...
"Não sei. Não é para mim. É para o Potter. Teve uma grande evolução. Não é o Roberto Carlos da Suécia mas é um bom jogador, um bom homem, é daqueles jogadores que os treinadores respeitam sempre, mas a decisão é de Potter"
O resultado da próxima jornada influencia a decisão do futuro?
"Não. Estou a falar do Benfica, estás a falar do Real. O trabalho que temos feito para mim não vai mudar terminar em 2.º ou 3.º. Não é isso que vai influenciar. Claro que o Benfica quer jogar Champions e que eu também prefiro mas não tem influência"
Irritado com os jogadores?
"Acho que é muito difícil fazer o que fizerem. Nunca perderam a linha da entrega, do profissionalismo, da resiliência. Acho que o facto de estarmos a uma jornada e a equipa não ter perdido reflete o caráter da equipa. Tivemos um par de jogos em que por culpa nossa, há um par de jogos nem eu gostei nem os jogadores. Fizemos jogos extraordinários, o jogo com o Sporting é extraordinário, hoje acho que tivemos períodos em que empurraram o Braga para trás. É difícil sentir coisas e continuar a lutar. Não é fácil e dou-lhes esse crédito. Obviamente que há críticas, que haverá adjetivos negativos relativamente à equipa, aos jogadores, mas uma coisa é o que dizem e outra aquilo que sentimos. Sob o ponto de vista da atitude, repito, também ao nível da qualidade, a humildade, é um grupo intocável, com o que me diverti muito, fui para o treino sempre feliz. É um bom grupo de homens."
No dia 1 de março disse que queria ficar... Depois de tudo o que se tem passado, assinava agora?
"Não. Porque 1 de março é 1 de março e porque a última semana do campeonato não é para se pensar em futuro, em contratos, é para pensar na missão que tínhamos que era de fazer um milagre. Acho que percebem o quero dizer com o milagre. A partir do momento em que entrámos nesta última fase, decidi que não queria ouvir ninguém, que queria estar "isolado" no meu espaço de trabalho. Como já disse há um par de semanas, há um jogo com o Estoril e a partir de segunda já poderei responder, o que será o meu futuro enquanto treinador e o futuro do Benfica."
Com que sensações sai deste jogo?
Com essas sensações, de que o Benfica fez um bom jogo, só não digo muito bom porque não ganhámos. Um jogo em que merecemos ganhar, a eficácia joga. Acho que devem ter tido 2 remates à baliza, nós fizemos uma dezena. Tivemos muitas oportunidades de golo. Acho que é um bom jogo sob o ponto de vista coletivo e individual. Um adversário que é bom a não deixar-se dominar, fomos muito mais fortes mas não ganhámos. Perdes quase, quase um objetivo. O meu feeling é de satisfação relativamente ao esforço. Não saio daqui defraudado.
José Mourinho faz o rescaldo do empate do Benfica na receção ao Sp. Braga (2-2). Siga ao minuto.
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