Orçamento para 2026/27 aprovado com 54,57% dos votos
O orçamento do Benfica para 2026/27 foi aprovado com 54,57% dos votos. Ao todo, votaram 8209 sócios.
Durante todo o dia, sócios do Benfica estiveram reunidos no Pavilhão n.º2 e... não só já que as duas Assembleias Gerais foram transmitidas por streaming
O orçamento do Benfica para 2026/27 foi aprovado com 54,57% dos votos. Ao todo, votaram 8209 sócios.
Pereira da Costa anuncia que a votação continuará a decorrer durante mais 30 minutos. Depois, os resultados serão anunciados através dos canais oficiais do clube.
"Agradecer a todos por este dia longo e produtivo para nós e para o clube. Agradecer a todos os que estiveram connosco no streaming. Esperar que amanhã seja um dia glorioso e que a época seja mais produtiva do que aquela que passou", referiu o presidente do Benfica.
Nuno Catarino anuncia que, em relação ao processo da centralização, o Benfica pondera agir judicialmente.
"Não precisamos da centralização, foi isso que dissemos na AG. Mas se for benéfico para todos e para o Benfica... Não queremos fazer parte de um grupo de trabalho que não tem solução. Temos estado a trabalhar do ponto de vista jurídico, é complexo. Vamos contestá-la judicialmente, já contratámos especialistas em direito para este processo. Não faz sentido perdermos dinheiro quando os nossos não perdem da mesma forma".
"Este é um processo para melhorar o futebol português e não podemos ser prejudicados. Temos apresentado soluções. Seremos intransigentes na defesa dos nossos direitos", prosseguiu.
Nuno Catarino continua a responder às questões colocadas pelos sócios. O diretor financeiro das águias diz que a alteração do emblema ainda vai demorar porque há questões comerciais envolvidas.
Nuno Catarino anuncia que há um processo em curso para a colocação de novas cadeiras e a pintura dos arcos do Estádio da Luz. Além disso, aborda o caso Prestianni, realçando que "não houve acusação de racismo nem ao clube nem ao jogador".
Pereira da Costa acaba de anunciar que há mais de 8000 sócios a assistir ao streaming da sessão da tarde a partir de 35 países. Além disso, passaram pelo Pavilhão 1350 sócios.
João Diogo Manteigas volta a discursar depois de já ter falado na sessão da manhã. O candidato à presidência do Benfica nas eleições do ano passado questionou se o central experiente que já foi contratado pelas águias é José Maria Giménez (Atlético Madrid) ou Skriniar (Fenerbahçe).
Rui Costa responde, garantindo que "Giménez não é".
Leia o discurso de João Diogo Manteigas na íntegra:
"O objetivo do Benfica é ganhar no presente e no futuro para se deixar de aceitar desculpas em vez de títulos.
Logo, toda a gestão tem que ter um racional. Dentro desta racionalidade, faria sentido um orçamento consolidado com as receitas e prejuízos da SAD porque somos detentores de 65% na mesma.
Posto isto:
1) já antecipámos algum valor do novo contrato com a NOS? Se sim, quanto?
2) já sabem que este assunto me diz muito, o clube-sgps está a pagar a sua dívida e a cumprir com o plano pagamentos à SAD?
3) com a comissão de remunerações, existe algum vice presidente do clube a receber da Benfica Estádio ?
4) podem-nos indicar o número de processo ou dos processos na câmara municipal de Lisboa sobre o District ?
5) a Benfica Multimédia ainda não foi extinta. A última IES é de 2014. Estou preocupado! Vai haver insolvência ?
6) António dos Santos - é a segunda vez que tenta vender as ações sem ser ao Benfica. Na primeira tentativa, foi detido. Na segunda vocês recusaram e bem. Não querem ajudar o senhor acionista a ganhar uns trocos para nós ganharmos mais poder de capital ?
Por último, já que o presidente está cheio de vontade de falar, diga se o central é o José Maria Giménez do Atlético Madrid ou o Skriniar do Fenerbahçe.
Viva o Maior, Viva o Sport Lisboa e Benfica".
Um sócio levantou várias questões e acusou a Mesa da Assembleia Geral de permitir que um sócio vote por outros, considerando que não existe qualquer controlo.
"Quem promete trabalho é o instituto de emprego". Um sócio critica Tomás Barroso, principal responsável das modalidadades, que, de manhã, referiu que só prometia trabalho.
Depois de um sócio ter levantado a questão das atas, Pereira da Costa explicou que a ata da Assembleia Geral do Benfica District será submetida à aprovação em outubro.
Refira-se que Luís Filipe Vieira não ouvi qualquer das intervenções de Rui Costa. De manhã, quando o atual presidente falou, o antigo líder dos encarnados ainda não tinha chegado ao Pavilhão da Luz. Ainda na parte da manhã, saiu antes de Rui Costa voltar a discursar. Luís Filipe Vieira não está presente na Assembleia Geral desta tarde, na qual Rui Costa também já falou para dar início à sessão que visa a discussão e votação do orçamento para a temporada 2026/27.
Rui Costa interrompeu o discurso de um sócio para anunciar que a equipa feminina de hóquei em patins acabou de se sagrar campeã nacional. Os sócios levantam-se para aplaudir.
O Benfica conquistou o seu 13.º título de campeão português consecutivo, ao vencer, por 4-3, após reviravolta, no terreno do Gulpilhares o segundo jogo da final, que esteve uma hora interrompido.
Os sócios que se inscreveram continuam a discursar enquanto a votação do orçamento ainda decorre.
Segundo Pereira da Costa, presidente da MAG, não sendo possivel por estatutos votar alteração ao orçamento nem alterar ordem de trabalhos, o requerimento não foi submetido à votação nesta Assembleia Geral. No entanto, o documento será registado em ata, transformando-o em recomendação à direção para futuros orçamentos.
Mauro Xavier entregou um requerimento à Mesa da Assembleia Geral do Benfica no qual defende a criação de um Orçamento Participativo dedicado às Casas do clube, propondo que o clube afete anualmente 1% dos seus gastos ao financiamento de projetos apresentados pelas delegações benfiquistas.
Saiba mais AQUI
"Senhor Presidente da Mesa, Senhor Presidente do Conselho Fiscal, Senhor Presidente da Direção, caros consócios.
Estamos aqui para discutir e votar um orçamento. Para votar bem, os sócios precisam de ver o Benfica inteiro, o Clube e o Grupo, a SAD, a dívida, os investimentos e os riscos. Sem essa imagem completa, votamos às escuras.
Trago três preocupações e uma proposta.
A primeira diz respeito à SAD.
Há poucos dias, o Benfica travou a venda da maior posição individual da SAD, os 16,38% de José António dos Santos, a um fundo norte-americano.
Mas travar esta operação, por si só, vale pouco.
O acionista mantém a intenção de vender e diz que há outros interessados.
Por isso pergunto.
Vai usar o programa de recompra já aprovado pelos sócios para adquirir esta participação e consolidar o controlo da SAD? A que custo e com que calendário?
Vai avaliar os termos em que um acionista minoritário pode entrar no capital da SAD, garantindo que acrescenta valor real à nossa atividade?
Depois, os direitos televisivos.
Na centralização, o Benfica acabou isolado em vez de liderar uma alternativa. Que estratégia existe para que o Clube não saia prejudicado pela chave que foi aprovada?
A terceira preocupação é a transparência.
Os novos Estatutos permitem remunerar membros da Direção. Os sócios têm o direito de saber, hoje e não apenas em setembro, se já foram atribuídas remunerações, com que critérios e qual o valor global.
A confiança constrói-se com as contas à vista.
Por último, uma proposta concreta, pensada para juntar os benfiquistas em torno de um tema que me diz muito.
Entreguei hoje à Mesa uma proposta de criação de um orçamento participativo.
Proponho que 1% dos gastos anuais do Clube, cerca de 616 mil euros, seja reservado a projetos das Casas do Benfica, sem retirar nada à dotação atual.
Este investimento reforçará o papel das Casas como catedrais fora da Luz.
O Benfica não é Lisboa. É de Portugal inteiro e do mundo. É fundamental apoiarmos mais quem trabalha pelo Clube de forma anónima, todos os dias.
Peço a todos os sócios que apoiem esta proposta, para que depois possam escolher os melhores projetos.
O Benfica tem de prestar contas com clareza e colocar os sócios no centro das decisões.
Esta proposta é um passo simples nessa direção. Por isso está aqui, para ser votada hoje.
Obrigado e viva o Benfica".
Depois da votação do orçamento para a temporada 2026/27, os sócios do Benfica começam a discursar. Estão inscritos 26, menos do que na parte da manhã.
Depois de Rui Costa, Nuno Catarino, vice-presidente para a área financeira, detalhou o orçamento para 2026/27, exercício que começa a 1 de julho.
Nuno Catarino anunciou a ampliação da loja oficial da Luz e a abertura de uma no Vasco da Gama.
O vice-presidente para a área financeira disse também que o Estádio da Luz terá uma lotação de 69 mil adeptos nesta temporada e de 70 mil na próxima. O Benfica teve de adiar a criação de mais 600 lugares para 2026/27 devido ao arranque permaturo da época.
Rui Costa volta a falar, desta feita na abertura da segunda Assembleia Geral de hoje.
"Projetamos para 2026/27 um resultado positivo de 8,4 milhões de euros. Não encaramos este valor como um fim em si, mas como uma condição essencial para continuar a investir onde mais importa: na competitividade das nossas equipas, no desenvolvimento das nossas modalidades e na capacidade do Benfica de lutar por títulos em todas as frentes", afirmou.
"O documento que hoje vos apresentamos é um orçamento de rigor, responsabilidade e ambição, pensado para servir os desígnios do clube, proteger o seu futuro e reforçar a sua capacidade de vencer. Por isso, solicito a confiança dos sócios na aprovação desta proposta", terminou, esperançoso quanto à sua aceitação por parte dos sócios do Benfica.
Arranca a segunda Assembleia Geral no Pavilhão n.º 2 da Luz, desta feita para ser discutido o orçamento e plano de investimentos para a temporada 2026/27.
"Em relação às comissões dos agentes. Foi dito aqui que pagamos acima da média ou da recomendação da FIFA, é completamente errado. E pode-ser ver pelos relatórios de contas. Se há política que fizemos nestes últimos anos foi baixar substancialmente os pagamentos a agentes, ainda que existam pagamentos, por não conhecerem a forma contratual dos jogadores, há pagamentos a agentes, independemente da cláusula ou não, que eles têm direito aos 10 por cento que está recomendado pela FIFA. E isso é asism em toda a parte do mundo, caso contrário os jogadores não são contratados", começou por dizer.
E prosseguiu: "Não temos nenhum compromisso com nenhum agente. Não há nenhum agente que trabalhe mais ou menos com o Benfica. O Benfica não procura agentes, podem mostrar o que quiserem, não há nenhum agente com mais ou menos proximidade com o Benfica. O Benfica não escolhe agentes, escolhe jogadores. Posso mostrar o plantel do Benfica e de quem é cada jogador. [dizem na plateia 'mostra, mostra'] Mas posso mostrar à vontade. Amanhã estarás no pavilhão, que eu sei, e posso mostrar. Não tenho aqui, mas posso mostrar. Não tenho problema nenhum. E até posso publicar, estou muito à vontade sobre essa matéria. Pensam que os jogadores são todos do mesmo empresário?"
"Há um otimismo muito grande em relação a Marco Silva e que seja a melhoria da estabilidade em relação a treinadores. Foram 6 treinadores em 5 anos. É um facto, Entrei com Jorge Jesus, que a meio da época teve aquela situação do Flamengo, que queria voltar. Chegámos a acordo para a rescisão do contrato. Essa época acabou com Veríssimo. Depois disso foi contratado Roger Schmidt e de Roger Schmidt passámos para Bruno Lage. De Bruno Lage passamos para José Mourinho, que só sai pelas razões que vocês sabem. Não há da nossa parte a forma de não querermos segurar os treinadores. É isso que esperamos fazer com Marco Silva, mas as trocas anteriores tiveram as suas razões e vocês concordarão."
"Estamos aqui a elogiar o Schjelderup e foi contratado assim. Esamos aqui a elogiar o Grimaldo e foi mais ou menos contratado assim. O David Luiz igual. O facto de apostarmos na nossa formação não obriga a que não olhemos para a formação de outros países e que não possamos encontrar talento. Foi aqui dito que o nosso scouting tem que chegar mais cedo. E muitas vezes é aqui que se ganha jogadores. Essa aposta resultará sempre? Não. Mas temos que nos antecipar. Trabalhará com a equipa principal, fará equipa B quando tiver que fazer, mas trabalhará com a equipa principal. Muito se tem dito que o Benfica ia começar a temporada e que ainda não tinha chegado ninguém sem ser um miúdo de 17 anos. Sabemos que caminhos estamos a percorrer. Sabemos aquilo que temos que melhorar na equipa em relação ao ano passado. Sabemos que há posições que estão vazias como o caso do defesa-central e que até já foi dito publicamente, e é verdade, o Benfica quer um central mais experiente para aquele setor, uma vez quem tem António, Tomás Araújo, tem agora Índio com 17 anos e consideramos que necessitamos de um defesa com mais experiência a fazer este quarteto. Esse jogador chegará nos próximos dias, é uma coisa que já está tratada, negociada, tudo feito com o jogador. Peço desculpa mas não vou dizer quem é por uma razão muito simples: o que se está a tentar contornar, e é uma coisa que acontece nos mercados, é que muitos clubes como já fizeram o exercício até 30 de junho só querem transferir os jogadores a partir de 1 de julho. Aquilo que estamos a tentar contornar é que ele possa chegar um dia ou dois mais cedo, mesmo quebrando este pedido do clube de onde ele vem. É uma coisa banal, usual. O central está garantido, vai haver a entrada de mais um ala seguramente. Há essa necessidade. Há um dado que tem que ser contabilizado. Não entrou ninguém, mas da equipa base só saiu Otamendi. É uma base válida, que pode ser muito melhor do que foi e o que considerarmos melhorar a partir daqui será troca por troca".
"Não há contratação nenhuma que não passe pelo departamento de futebol, scouting e equipa técnica. Quando ouvi que não se dá aos treinadores aquilo que eles pedem, está fora de questão. Não há treinador do Benfica que não entre neste processo. Está fora de questão levantar a hipótese de os jogadores serem escolhidos por A, B ou C sem que haja um acordo e uma aprovação global do perfil do jogador que necessitamos. Não há jogadores que jogam porque foram caros. Essa ideia cai por terra quando disseram aqui que o Sudakov esteve a segunda parte da época no banco quando é o jogador mais caro da história do clube."
Depois, o presidente do Benfica falou sobre as arbitragens, garantindo que na próxima temporada haverá "tolerância zero" para com o Conselho de Disciplina, a Federação Portuguesa de Futebol e Pedro Proença.
"Eu não me justifiquei, de maneira nenhuma, de uma época má, péssima, com as arbitragens. Não me justifiquei com isso, mas não posso deixar de apontar isso como um dos motivos. Nem eu nem nenhum de nós, porque todos vocês disseram o mesmo. Não vamos ser hipócritas em dizer que o presidente 'não o pode dizer, mas eu posso'. Não justifico com isso, disse no meu discurso inicial, mas também não o posso esconder que este foi um tema importante para não chegarmos onde queríamos chegar. E neste situação, aquilo que deixámos de fazer, não só nos manifestámos publicamente as vezes que entendemos, manifestámos junto do Conselho de Arbitragem mais do que uma vez, mostrando todos os processos que envolviam o Benfica e nos sentíamos prejudicados. Apresentámos várias propostas para dar mais credibilidade à arbitragem e respeito ao Sport Lisboa e Benfica. Entraremos para época com tolerância zero, quer com o Conselho de Disciplina, quer com a Federação Portuguesa de Futebol onde está Pedro Proença. E também com ele tolerância zero. Independentemente do que vocês possam dizer, nós não estamos amarrados a nada. Não estamos presos a nada e iremos fazer o nosso papel em defender o clube intransigentemente, seja com quem for. É uma das preocupações que temos, sim. A saída de Duarte Gomes é uma saída muito preocupante e o CA tem que mostrar o porquê desta saída. Tem que explicar o porquê desta saída. Esta saída vai ao encontro de tudo o que temos vindo a protestar junto do CA. O que fez com que esta pessoa saísse? Quando apontámos o que apontámos e que esta pessoa estava inserida...", referiu.
Rui Costa começou por falar das modalidades do Benfica:
"Agradecer ao Tomás e a todos vocês pelas vossas intervenções, quer as mais críticas, como as mais construtivas porque nós aqui, obrigatoriamente e sobretudo num ano como aquele que acabou, não podemos escolher que tipo de crítica queremos e nunca levei a mal ou não aceitei as críticas feitas pelos sócios do Benfica. Em relação ao que o Tomás já disse e começando aqui por outros temas, deixando o futebol mais para a frente... muito foi falado das modalidades. O Tomás entrou em outubro. Estou crente que vai ser um grande trabalho. O planeamento que está a ser feito em todas as modalidades assim me dá essa expectativa. Em relação ao que acabou ou acaba esta fim de semana, o hóquei em patins feminino e o futsal masculino... foi aqui dito que se ganhou muito pouco para aquilo que foi investido", começou por referir.
"Nós nunca ficaremos com aquilo que ganharemos, independentemente dos investimentos. Mas tenho dito muitas vezes que estamos a confundir tudo aquilo que investimos nas modalidades com o estarmos acima da média nas modalidades. Tenho vindo a explicar e mostrámos em gráficos que, mais do que o que foi feito a nível de investimentos, foi ajustar as nossas equipas às realidades dos nossos adversários. Nunca foi chegar e pôr isto num patamar insustentável para o clube. Houve uma quebra de investimento nos anos anteriores nas modalidades e aquilo que procurámos fazer foi equilibrar as nossas equipas. Temos um 'handicap', mas não deixa de ser um orgulho, que é o facto de termos quase o dobro das modalidades dos nossos adversários. E isso não deixa de ser impactante e, portanto, o investimento que é feito é dividido em 20 equipas, ao contrário dos nossos adversários. Não estamos num patamar de dizer que estamos a investir mais do que os outros e por isso estamos com uma vantagem muito grande, não. Procuramos que aquilo que investimos nas modalidades e que está compatível com cada modalidade nos traga mais títulos e isso é indiscutível", acrescentou.
"Este ano, por exemplo, em termos de campeonatos nacionais, e falta disputar um amanhã, foram descoradas muitas Taças de Portugal e Taças da Liga que não podem ser descoradas neste clube. Foi a partir desses troféus que o número de troféus ganhos reduziu significativamente. Perdemos o campeonato de basquetebol, onde estávamos a ser hegemónicos há quatro anos. Infelizmente perdemos a final, mas acima de tudo três competições que não estávamos habituados a perder. O voleibol foi uma modalidade que nos deu títulos e que, de facto, nos últimos dois anos, perdemos essa hegemonia para o Sporting e que nos está a pesar muito na contabilidade dos títulos. Temos que dizer que estamos a ganhar pouco, mas não podemos comparar com o que estávamos a ganhar antes. Nos últimos cinco anos anteriores aos meus posso dizer que o Benfica ganhou 5 títulos de campeonatos nacionais contra 10 que ganhámos agora. É suficiente? Não não é. Este investimento serviu para equilibrar as nossas equipas e os títulos começaram a aparecer. O futuro e a esperança no futuro é que eles sejam redobrados e que a taxa de sucesso seja superior. Ouvi uma preocupação sobre o futebol feminino, devido à saída de algumas atletas, que esgotaram o seu período no Benfica. A garantia é que a equipa será reforçada. É um projeto no qual não deixaremos de investir e não deixaremos de querer continuar a ganhar", concluiu
Está a chegar ao fim esta primeira de duas Assembleias Gerais do Benfica, com 1043 sócios a marcarem presença no Pavilhão n.º 2 da Luz na parte da manhã. Houve 54 intervenções presenciais, 270 questões ou propostas via online e participações via remota ou visualizações de 7566 sócios espalhados por 41 países, de todos os continentes.
Discurso de João Diogo Manteigas na íntegra:
"Meus caros, é para mim um orgulho participar enquanto sócio nesta 1.ª Assembleia desportiva do Sport Lisboa e Benfica. Uma assembleia única criada especificamente para os sócios debaterem com a direção o que mais interessa: futebol e modalidades.
A grandeza do Benfica mede-se pelas suas conquistas com base na exigência histórica e inegociável dos seus sócios.
Mas a verdade é que se sente lá fora o conformismo do “quase”. Isto deve ser combatido. Não vamos normalizar a mediocridade. Atenção: a história do Benfica não aceita desculpas em vez de títulos.
Não vos quero relembrar o passado mais distante. Cumpro a regra desta Assembleia apenas sobre esta época. Foi de insucesso desportivo global porque vocês falharam na preparação e na gestão. Mas a verdade é que têm 3 anos para mudar o rumo e transmitir confiança a quem vos deu. O Benfica, esse, terá sempre a nós, que o apoiaremos eternamente.
Reconheço que já existem sinais positivos. A contratação de Marco Silva antes do início da época é um deles. Um treinador corajoso que abraça o Benfica numa altura complexa. Mas precisamos que nos digam mais hoje. Como é que vamos ganhar? Qual é o vosso projeto para esta época e para as seguintes? Motivem-nos. Façam-nos acreditar. E terão sorte. O vosso sucesso será o nosso sucesso.
Da minha parte, hoje, vou contribuir com dois tópicos que considero essenciais para o futuro imediato do Benfica:
- No FUTEBOL, parece evidente que se deve ajudar Mário Branco a definir o seu papel. Só tem contrato por mais 1 ano e não se vai tornar omnipresente. Ou se é diretor geral ou desportivo. Os dois cargos têm demasiada autonomia e relevância para que sejam exercidos pela mesma pessoa. Sendo diretor geral, foco total e imediato na arbitragem, em particular, no conselho de arbitragem e no seu presidente Luciano Gonçalves. Pergunto-vos se já sabem a verdadeira razão pela qual Duarte Gomes se demitiu da Federação e do cargo importante que assumiu. Se não sabem, perguntem diretamente a Pedro Proença que vocês apoiaram contra a vontade da maioria dos benfiquistas. Dou-vos uma pista: Hélder Malheiro, Pedro Garcia e Luciano Gonçalves. Agora, façam o vosso trabalho e pressionem.
- Nas MODALIDADES faz sentido termos um diretor geral desportivo. Poderiam considerar opções internas como Raul Moreira ou José Jardim. Ou considerar um nome externo como Pedro Nunes, digno benfiquista, figura respeitada das modalidades e que sabe o que é ganhar.
Meus caros, Quando não se ganha nesta casa, é porque vocês não prestaram atenção suficiente e não se sacrificaram o suficiente. Não sangraram o suficiente tal como os nossos sócios e adeptos em Madrid às portas do Bernabéu sem que vocês tivessem denunciado e exigido responsabilidades. Esforcem-se para nos unir e proteger o Benfica.
No final, no Benfica, tal como na vida, todos estamos sujeitos a prazo. Por isso, meus senhores e minhas senhoras, o que é que vocês estão dispostos a fazer pelo Benfica? O que é que estão dispostos a fazer por todos nós? Como é que vamos GANHAR JÁ ESTA ÉPOCA sabendo que iremos sempre apoiar o BENFICA.
Viva o SPORT LISBOA E BENFICA."
Discurso de Cristóvão Carvalho na íntegra:
"Senhor Presidente da Mesa da Assembleia Geral, Senhor Presidente do Sport Lisboa e Benfica, Caros Consócios Benfiquistas,
Está na hora de discutirmos os nossos problemas dentro de casa. Entre a nossa família benfiquista. Olhem bem para mim. Ouçam-me com atenção. E julguem-me só no fim!
Eu não venho aqui falar com estratégias de bastidores. Não trago agendas escondidas. Fui candidato às últimas eleições porque amo este clube, e hoje venho falar-vos com o coração nas mãos! Digo-vos com realismo e de frente: estamos descontentes! Estamos profundamente descontentes! E temos a obrigação de exigir mais, muito mais, ao Presidente, à sua Direção e à sua Administração.
Se analisarmos os últimos cinco anos da gestão do nosso Presidente Rui Costa na liderança do futebol do Benfica, há um dado que nenhum de nós pode ignorar: conquistámos apenas UM campeonato nacional! APENAS UM!! Para a dimensão, para a história, para os recursos e para a exigência do Sport Lisboa e Benfica, este resultado é claramente insuficiente!
E o que é mais preocupante? É que enquanto os resultados desportivos ficavam aquém das expectativas, o investimento financeiro disparava! Contratamos cada vez mais caro. Investiram-se milhões e milhões em reforços. Aumentaram-se os custos da estrutura. Mas esta Direção não conseguiu transformar esse investimento em domínio desportivo! A última época é o espelho dessas contradições.
Apostámos num treinador reconhecido internacionalmente, considerado por muitos um dos melhores do mundo, e terminámos o campeonato num inacreditável terceiro lugar! A gestão do futebol tem sido marcada por uma preocupante falta de consistência estratégica. Ano após ano, vemos mudanças de rumo, apostas contraditórias e uma incapacidade de construir um projeto sólido e vencedor.
As consequências estão à vista de todos: o Benfica está fora da Liga dos Campeões, afastado das receitas milionárias, e com a obrigação inaceitável de disputar TRÊS pré-eliminatórias para tentar chegar à Liga Europa! Isto é um risco desportivo elevado que nenhum benfiquista considera aceitável!
Apresentamos ainda um plantel desequilibrado. Temos posições claramente sobrecarregadas e outras manifestamente carenciadas. Há qualidade individual, sim, mas falta equilíbrio coletivo. E quando falta planeamento, meus senhores, o talento sozinho não chega!
Enquanto nós andamos nisto, os nossos principais adversários fortalecem-se. E parte do crescimento deles resulta da nossa própria ineficiência! Fomos nós que desperdiçámos oportunidades para afirmar uma liderança clara no futebol português!
E perguntamos porquê? Em grande parte devido à comunicação do nosso clube! Nos últimos anos, o Benfica perdeu capacidade de liderança na narrativa pública. Tem faltado clareza, consistência e coragem para defender os interesses do clube perante os ataques que enfrentamos. A nossa comunicação não pode ser apenas reativa e, acima de tudo, tardia! Tem de ser estratégica, firme e permanente!
O Benfica precisa de voltar a afirmar-se, com força, fora das quatro linhas! Não podemos estar quase sempre em silêncio enquanto o “sistema” do futebol português goza com a nossa cara, e os critérios das arbitragens nos prejudicam gravemente! Exigimos vergonha na cara a quem nos arbitra! Exigimos respeito pelo maior clube português!
Benfiquistas: não estão cansados de ver o nosso clube ser discutido na praça pública? Não estão cansados de ouvir os antibenfiquistas falar mal do Benfica? Eu estou! Estou farto!
Mas, benfiquistas... o nosso dia a dia não pode ser apenas feito de lamentos. O Benfica não vive de choradinhos, o Benfica vive de soluções! Por isso, quero saudar aqui, de forma clara, uma decisão que considero muito positiva por esta direção: a contratação do nosso treinador Marco Silva! Trata-se de um treinador competente, respeitado, experiente e que, não menos importante, é um benfiquista como nós! É um sócio como nós!
Mas sejamos claros: Marco Silva, sozinho, não resolverá os problemas do futebol do Benfica! Nenhum treinador consegue vencer sem uma estrutura alinhada, sem um plantel equilibrado e sem uma liderança forte que o proteja nos momentos difíceis. Se acreditamos neste treinador, esta Direção tem de lhe dar condições reais para trabalhar. Temos de o proteger da instabilidade e evitar, de uma vez por todas, os erros do passado! Desejo-lhe como Benfiquista as maiores felicidades. O sucesso dele será a alegria de todos nós!
Caros consócios, o momento pede exigência, mas exige também união! Exige que sejamos capazes de identificar os erros sem deixar de acreditar no futuro. Exige que coloquemos o Sport Lisboa e Benfica acima de interesses pessoais, de agendas políticas e de divisões internas.
O Benfica não são os presidentes. O Benfica somos todos nós! O clube precisa de todos. Precisa dos seus sócios. Precisa dos seus adeptos. Precisa da sua massa associativa. Precisa da nossa exigência e da nossa paixão! No futebol, e em todas as modalidades! Porque os desafios que temos pela frente são gigantescos. Mas a história deste clube ensina-nos que, quando os benfiquistas se unem em torno dos valores que os definem, não há obstáculo na terra que não possa ser ultrapassado!
Hoje é um dia histórico, esta AG está a ser transmitida em direto para o mundo. E o Benfica só pode confiar nos benfiquistas! Só podemos confiar em nós!
Façamos desta época um novo começo! Com ambição! Com exigência! Com responsabilidade! E acima de tudo, UNIDOS! Pelo Sport Lisboa e Benfica!
Eu cá estarei, como sempre estive, na linha da frente. Sem medo, sem amarras, pronto para exigir o máximo a esta Direção e pronto para lutar contra qualquer um que tente diminuir a nossa grandeza lá fora!
Vamos resgatar a nossa mística! Levantemos a cabeça! De pé, benfiquistas! Pelo nosso orgulho! Pela nossa história!
VIVA O SPORT LISBOA E BENFICA!"
Discurso de Martim Mayer:
"Uma palavra de compaixão para com todos os Sócios e Adeptos do Benfica que vivem na Venezuela, para quem peço uma salva de palmas de solidariedade. Não podemos continuar a adiar o Benfica.
Senhor Presidente Rui Costa, O Benfica não é o Real Madrid B e o respeito pelo clube do nosso coração, deve ser preservado sempre e vale muito mais do que qualquer quantia de dinheiro. E cabe ao Presidente do Benfica saber passar esse respeito. E esse respeito está a faltar e tem consequências. Exemplos: Nos direitos tv que cada x mais estão a ir contra os nossos interesses …
Na arbitragem onde chegámos a um ponto em que nos limitamos a queixar do quanto nos prejudicam. Não podemos continuar a adiar o Benfica. Enquanto não anteciparmos problemas e reagirmos tarde e a más horas, teremos o sistema contra nós. Mas lá está… se não nos damos ao respeito, ninguém nos respeita.
Quando passaremos a fazer gestão ativa das ações da SAD? Quando vier outro oportunista para nos tentar comprar? não existe uma estratégia de desenvolvimento e também aqui estamos a adiar o Benfica. E se nada for feito AGORA, isto terá prejuízos profundos para o nosso futuro. E por fim no projeto desportivo onde nos querem a habituar a aceitar o inaceitável. Cabe ao Presidente do Benfica pôr tudo e todos na ordem. E cabe à Direção do Benfica definir uma Estrutura estável e de médio prazo, caso contrário sai Schmidt, entra Lage, sai Lage, entra Mourinho, sai Mourinho entra Silva, e o projeto do futebol do Benfica resume-se ao treinador…
Precisamos de ganhar MUITO MAIS TÍTULOS mas para isso precisamos de ter uma Visão de médio prazo, precisamos de estabilidade que permita reforçar a identidade do nosso futebol. Com pessoas concretas que executem o trabalho necessário para que olhemos para dentro de campo e todos consigam sentir que estamos a JOGAR À BENFICA.
Nós Benfiquistas, somos muitos e bons mas se o Presidente do Benfica não tem ideias e não comunica com os sócios e não sabe agregar os sócios não estamos só a adiar o Benfica. Estamos a destruir todos os dias o que foi bem feito no passado desde 1904.
Os resultados - ou a falta deles - estão à vista. Vivemos a pior década do futebol do Benfica desde 1904.
É URGENTE que esta Direção mude a sua postura e aqui deixo o meu apelo para que o faça quanto antes.
Viva o BENFICA!"
Discurso de Francisco Benitez na íntegra:
"Senhor Presidente da Mesa, Senhor Presidente do Conselho Fiscal, Senhor Presidente da Direção, caros benfiquistas.
Há cinco anos, na campanha de 2021, era eu candidato, e Rui Costa perguntava se era o Sr. Benitez que ia planear o futebol do Benfica. Cinco anos depois, já sabemos que não sou eu a liderar o futebol, mas a pergunta do agora presidente do Benfica continua sem resposta. E é uma pergunta sobre o clube, sobre o seu rumo, ou falta dele.
Os sócios não sabem quem define a estratégia de futebol do Benfica. É Rui Costa? É Rui Pedro Braz? Foi Lourenço Pereira Coelho? É Mário Branco? É agora Marco Silva? Os nomes mudam, os cargos mudam, os treinadores mudam, os jogadores mudam, e os problemas mantêm-se. Falamos em assumir responsabilidades, mas a culpa morre solteira.
Falamos em projetos desportivos e estruturas, mas se perguntar a um sócio ou adepto comum pelo projeto do Benfica, ninguém o consegue explicar. Quando tudo se altera ao mesmo tempo e nada melhora, a explicação costuma ser simples. Falta um projeto. Onde há um projeto, as pessoas entram para o executar. Onde não há, vive-se ao sabor dos acontecimentos.
O resultado está à vista. Muito investimento no futebol profissional, um campeonato em cinco anos, centenas de milhões de euros gastos em contratações que quase nunca tiveram o impacto esperado, e nenhuma afirmação consistente na Europa. Rui Costa assume o falhanço da última época, mas ainda não o ouvi falar sobre o falhanço dos últimos cinco anos. Um falhanço que aconteceu porque não houve projeto nem responsabilização. Em vez disso, houve navegação à vista e uma série de fézadas que testam a minha fé na capacidade da atual direção.
Mas há um lugar onde esta falta de rumo se vê melhor do que em qualquer outro. A formação, que devia ser o coração do nosso futebol. O Seixal continua a ser uma das melhores academias da Europa. Continua a produzir internacionais e ativos muito valiosos. Mas a pergunta essencial fica por responder. Qual é realmente o papel da formação no projeto desportivo do Benfica?
O diretor do Benfica Campus, Guilherme Muller, dizia recentemente que o modelo do Seixal é formar atletas para representar o clube e não para os vender. Os números contam uma história diferente. Na época passada foram utilizados dezasseis jogadores formados no clube. Parece muito e tentou-se passar essa ideia como se fosse uma vitória do clube. A realidade é bastante diferente. Em minutos jogados, só António Silva e Tomás Araújo tiveram utilização regular. No total, a formação valeu 13,4% dos minutos da equipa principal, uma das percentagens mais baixas da última década.
Senhor Presidente, não aproveitar a formação é desonrar e desperdiçar o investimento que foi feito nesta área ao longo das últimas duas décadas. Tudo o que fazemos neste clube tem que nos aproximar das vitórias. Lamentavelmente, vejo que temos feito o caminho inverso. A formação tem de servir para ganhar, sim, mas também para criar referências dentro do balneário, para construir equipas vencedoras, para nos dar capitães, para formar homens e não apenas atletas. A formação não deve servir para estreias simbólicas e para mais-valias de vendas. Enquanto assim for, estaremos a desperdiçar o que temos de melhor. Por isso não pergunto quantos jovens se estrearam. Faço três perguntas, e peço-lhe que nos esclareça hoje.
Em primeiro lugar: Que compromisso concreto assumiu a Direção com Marco Silva quanto aos jogadores da formação? Depois: quantos desses atletas terão papel regular na equipa principal e se existe um indicador claro definido neste aspecto? Finalmente: o que fará a Direção se esse compromisso não for cumprido? Os sócios já ouviram muitas promessas e já se despediram de muitos jogadores que não chegaram a cumprir-se no Benfica. O que esperamos agora são compromissos com números e com prazos, como deve acontecer em qualquer organização da dimensão do Sport Lisboa e Benfica. E isso tem que ser dito aos donos do clube, que estão aqui diante de mim. Chega de gastar nas palavras quando pouco se faz para as tornar realidade.
O Benfica precisa de um rumo, e precisa que alguém assuma, com nome e com cara, a responsabilidade pelo futebol do Sport Lisboa e Benfica.
Viva o Benfica."
Discurso de Noronha na íntegra:
"Caros consócios
O que sempre fortaleceu este clube foi a capacidade de ouvir, aprender e corrigir, porque todos queremos a mesma coisa: um Benfica mais forte
Falo-vos como um entre milhares de sócios.
O passado pertence ao passado.
Mas o futuro exige que aprendamos com ele.
No ano passado voltámos a falhar.
Não foi um acidente. Foi mais um capítulo de um ciclo desastroso que não pode continuar.
Quando o maior clube de Portugal vive este ciclo, a resposta não pode ser a normalização.
Tem de ser a exigência, a análise e a correção
A legitimidade desta Direção não está em causa. Foi escolhida pelos sócios e deve cumprir o seu mandato.
Mas sejamos claros :
a legitimidade ganha-se nas eleições.
A competência e a exigência conquistam campeonatos.
Os clubes vencedores não são os que melhor se justificam. São os que aprendem mais depressa.
A humildade de saber ver o que correu mal nunca enfraqueceu o Benfica. Sempre o tornou mais forte. É dessa humildade que o Benfica precisa hoje. E é isso que os sócios esperam desta direção. Que nos explique que lições retirou das últimas épocas e o que será diferente para melhor na próxima.
O Benfica não precisa de mudar de identidade. Precisa de voltar a encontrá-la.
Apostar na formação não é apenas lançar jovens na equipa principal. É protegê-los quando erram, dar-lhes tempo para crescer e não transformar cada erro numa sentença.
Não podemos lançar jovens em contextos de enorme exigência e, se o início não é perfeito, passam rapidamente de promessa a problema e de problema a mais uma venda.
É fundamental que se consolide uma política desportiva.
Mas importa também dizer que não fomos campeões apenas por culpa própria.
Fomos também escandalosamente prejudicados pelas arbitragens.
O Benfica não pode viver de desculpas, mas também não pode aceitar injustiças. Não basta reagir. É preciso antecipar e liderar.
Continuo a defender mudanças para uma arbitragem mais independente, mais transparente e mais responsável. As propostas que apresentei no ano passado continuam à disposição do clube e espero que contribuam juntamente, com outras, para uma posição do clube nesta matéria. E que depois seja clube a liderar a apresentação dum plano para a transformação da arbitragem em Portugal. Porque como a questão dos direitos televisivos mostrou, se esperamos pelos outros, começamos logo a perder.
Ha ainda uma questão que aguardamos esclarecimentos da direção e que tem que ver com as participações minoritárias na SAD.
A decisão de bloquear a entrada destes investidores americanos foi acertada. Mas continua por explicar qual é a estratégia para o futuro.
Que perfil de investidores queremos para a SAD? Que mais-valias devem trazer ao Benfica, para além do capital? Como vamos garantir que servem os interesses do clube e não apenas interesses financeiros?
A pergunta que os sócios merecem ver respondida é esta: vamos finalmente definir uma estratégia para este tema ou vamos deixar ficar tudo na mesma?
Senhor Presidente,
Não se deixe embalar pelos elogios dos presidentes dos nossos adversários.
Estamos fartos de paternalismos.
O respeito não se pede. Impõe-se.
Os nossos adversários querem um Benfica que reaja.
Os benfiquistas querem um Benfica que lidere.
Por isso lhe digo: Vá à luta. Antecipe.
Fale grosso quando for preciso.
Porque quando um Presidente defende o Benfica, os benfiquistas defendem o seu Presidente.
Termino desejando que com Marco Silva, esta seja finalmente a época da mudança de ciclo.
Da ambição. Da exigência. Do Benfica campeão.
Que venha de la o 39 e a conquista da Liga Europa
Viva o Sport Lisboa e Benfica!"
João Noronha Lopes, candidato derrotado por Rui Costa na segunda volta das eleições, também está a acompanhar os trabalhos no Pavilhão n.º 2 da Luz.
Luís Filipe Vieira, ex-presidente do Benfica, acaba de chegar, de forma discreta, ao pavilhão n.º 2 da Luz.
A direção está a ser criticada por causa da falta de vitórias, falta de planeamento, política de contratações e resultados das modalidades. "O Benfica não vive para ganhar, vive para justificar porque não ganhou" e "és o presidente que mais me desiludiu". Estas foram algumas das frases proferidas por sócios anónimos.
Mauro Xavier critica a gestão e a inércia da direção do clube da Luz
"Senhor Presidente da Mesa, Senhor Presidente do Conselho Fiscal, Senhor Presidente da Direção, caros consócios.
Começo pelos factos.
O Benfica investiu mais de 130 milhões de euros em reforços.
Terminou o campeonato sem perder um único jogo, mas empatou um terço dos jogos realizados.
Acabou em terceiro, a oito pontos do campeão e a dois do segundo, fora da Liga dos Campeões.
Quando se tem mais recursos do que os rivais e se ganha menos, há um problema sério de preparação, de execução e de gestão.
Os nossos erros não apagam os erros graves de arbitragem que marcaram momentos decisivos da época.
Depois do que aconteceu na final da Taça de Portugal de 2024/25, esperava-se uma reação firme e uma proposta de reforma.
Passou-se quase uma época e tudo ficou na mesma. Prejudicados de novo e sem resposta à altura.
Escutem ativamente os sócios, não podemos continuar a ser espectadores quando atacam o nosso clube.
O Benfica tem de pôr na mesa uma reforma estrutural da arbitragem e juntar os clubes que defendem a verdade desportiva para a aprovar. É assim que se usa o nosso peso institucional.
No projeto desportivo, Marco Silva será o sexto treinador em cinco anos desta Direção.
Trocámos o treinador, o diretor desportivo, o scouting. Tratámos os sintomas e ignorámos a doença.
O modelo desportivo continua por apresentar. O que vai ser feito de diferente?
Não nos deixem a adivinhar. Expliquem aos sócios como vamos evitar o caminho que nos levou a vencer tão pouco em cinco anos.
Hoje também é dia de celebrarmos os bons exemplos.
O futebol feminino foi campeão nacional. Nos pavilhões, as equipas femininas conquistaram catorze dos vinte e dois títulos nacionais em disputa.
Mostraram o nosso ADN vencedor e merecem o reconhecimento de todos nós.
E parabéns também ao hóquei em patins, pelo 25.º campeonato, e ao râguebi, que 25 anos depois voltou a fazer história.
Senhor Presidente, escreveu há poucos dias que o Benfica entra na nova época mais forte.
Queremos todos acreditar nisso, porque todos queremos o mesmo. Ganhar.
Por isso faço votos sinceros para que os próximos três anos tragam o 39, o 40 e o 41.
Só assim o balanço destes anos se tornará positivo. Passaremos de um campeonato em cinco épocas para quatro em oito, metade dos campeonatos em disputa neste período.
Não podemos esperar menos.
Contem connosco para apoiar e defender este clube seja onde for. Nós contamos convosco.
Viva o Benfica."
Os sócios inscrevem-se para falar. Cada sócio terá 3 minutos com tolerância de 30 segundos. Já foram recebidas 240 perguntas.
Alguns dos antigos candidatos nas últimas eleições, no caso João Diogo Manteigas, Cristóvão Carvalho e Martim Mayer estão no Pavilhão n.º 2 da Luz. Segundo o que Record conseguiu confirmar, Luís Filipe Vieira também irá marcar presença.
Rui Costa admite falhanço da época desportiva.
"Exmo Senhor Presidente da Assembleia Geral,
Exmo Senhor Presidente do Conselho Fiscal,
Caros colegas de Direção e demais Órgãos Sociais do Sport Lisboa e Benfica,
Caros Consócios,
Quero começar por agradecer a todos os Benfiquistas que hoje marcam presença nesta Assembleia Geral e que nos acompanham por via digital através das plataformas de comunicação do Clube.
A vossa participação é a maior demonstração da vitalidade democrática do Sport Lisboa e Benfica.
É aqui, perante os Sócios, que prestamos contas do trabalho realizado, que assumimos responsabilidades pelas decisões tomadas e que apresentamos a visão que temos para o futuro do nosso Clube.
O Benfica sempre foi construído desta forma: na exigência, no debate e na convicção de que só com a participação dos Sócios conseguimos tornar o Clube cada vez mais forte.
É precisamente com esse espírito que hoje aqui estamos para proceder ao balanço da época que agora está a findar.
Importa reconhecer aquilo que fizemos bem, assumir aquilo que não correu como desejávamos e, acima de tudo, corrigir o que tiver de ser melhorado.
Começando pelo futebol profissional, importa dizer com total frontalidade aquilo que todos sentimos.
A época ficou aquém da exigência que define o Sport Lisboa e Benfica.
A conquista da Supertaça é um título que valorizamos, mas está longe de corresponder às ambições que tínhamos para esta temporada.
O terceiro lugar no Campeonato Nacional e a ausência da Liga dos Campeões do próximo ano não correspondem aos objetivos que traçámos nem ao investimento realizado.
Não ignoramos esta realidade, nem procuramos escondê-la. Assumimos esse desfecho com sentido de responsabilidade e com a convicção de que o Benfica tem de voltar a ocupar o lugar que lhe pertence. Ser campeão nacional, o principal objetivo com que partimos em cada ano.
Ao mesmo tempo, importa analisar a época com rigor e sem simplificações.
Estávamos cientes que iríamos enfrentar um contexto particularmente exigente, marcado por um calendário condicionado pela realização do Campeonato do Mundo de Clubes, o que reduziu significativamente o tempo disponível entre o final da temporada e o arranque competitivo da nova época.
Foi também nesse enquadramento que procurámos reforçar a equipa com novos jogadores que pudessem ter um rendimento elevado imediato, algo que, quer por erros de expectativas da nossa parte, quer por questões de adaptação, acabou por não acontecer da forma como pretendíamos, culminando numa irregularidade exibicional que muito nos comprometeu em termos de classificação.
Como já afirmei publicamente, não escondemos os nossos erros em fatores arbitrais. Sou o primeiro a assumir que falhámos em vários planos. Mas também não podemos aceitar que os nossos falhanços sirvam para escamotear erros de arbitragem relevantes que condicionaram e muito o nosso percurso e tiveram um desfecho importante no desenrolar do campeonato.
Nenhuma destas circunstâncias diminui a nossa responsabilidade. Nenhuma! Mas servem, isso sim, para enquadrar uma época que ficou aquém das expectativas e da qual retiramos ensinamentos importantes.
Caros Consócios,
Aqui chegados, importa olhar para o futuro e para a próxima época.
Com o arranque dos trabalhos no Benfica Campus, na passada quinta-feira, iniciamos uma nova etapa, assente numa renovada estrutura técnica e numa visão clara para devolver o Benfica ao lugar que lhe pertence.
Estamos a preparar esta nova temporada com rigor, exigência e sentido de responsabilidade, conscientes de que os Benfiquistas esperam respostas dentro de campo e estamos determinados em corresponder a essa expectativa. É isso que todos pretendemos.
Queremos e tudo vamos fazer para conquistar o campeonato nacional e ter uma presença expressiva na Liga Europa. No fundo, devolver o Benfica ao lugar que os Sócios exigem e que a história do Clube nos impõe.
Caros Consócios,
No futebol feminino, vencemos o Campeonato Nacional e a Taça de Portugal, reafirmando de forma inequívoca a nossa hegemonia no panorama português.
Trata-se de uma trajetória de sucesso que queremos consolidar, depois da conquista do hexacampeonato, e que nos orgulha profundamente.
Mas as nossas metas não se esgotam nas fronteiras nacionais. Queremos continuar a crescer a nível internacional.
É com esse objetivo que partimos para a nova época, com a mesmo compromisso, a mesma cultura de excelência e o espírito vencedor que definem o Sport Lisboa e Benfica.
Caros Consócios,
O Sport Lisboa e Benfica está longe de esgotar-se no futebol, tal como comprova a forma vibrante e apaixonada como todos vivemos os jogos aqui nestes pavilhões.
O Benfica é um Clube eclético por vocação, por tradição e por convicção. É essa identidade que faz de nós uma referência nacional e internacional e que nos obriga, todos os anos, a competir para vencer em todas as modalidades. Sublinho, em todas as modalidades!
Fomos gloriosos no feminino, mas menos do que queríamos no masculino.
A época que agora termina permitiu-nos conquistar, até ao momento, 17 títulos entre competições nacionais e internacionais, menos um título do que na temporada anterior.
Nesta tarde, podemos acrescentar ainda mais um campeonato ao nosso palmarés com uma vitória da nossa equipa feminina de hóquei em patins.
E amanhã, como todos desejamos, garantir aqui na Luz, com o apoio dos nossos adeptos, o bicampeonato de futsal.
Se globalmente o palmarés desta época merece ser valorizado, também aqui a nossa aspiração obriga-nos a dizer que queremos mais.
Refiro-me, em particular, às modalidades masculinas de pavilhão, onde todos estamos de acordo: o Benfica tem de ser mais vitorioso, porque temos criado as condições para isso
É esse o nosso desígnio e continuará a ser o nosso compromisso, quer a nível de investimento quer em termos de empenho de todas as estruturas do Clube.
Há, ainda assim, neste contexto, conquistas que merecem um destaque especial e devem ser relevadas.
Saúdo a conquista do 25.º Campeonato Nacional de hóquei em patins, o triplete conquistado no andebol feminino e o tricampeonato nacional no basquetebol feminino, títulos que expressam a ambição do nosso projeto desportivo e a capacidade competitiva dos nossos atletas.
Parabéns, igualmente, à equipa de futsal feminino que recuperou o título, numa trajetória que tem sido enormemente vitoriosa.
A todas as equipas que conquistaram títulos nacionais nesta época, deixo, em nome da Direção, uma palavra de profundo reconhecimento.
Representaram o Benfica com talento, dedicação e enorme sentido de responsabilidade. Merecem, por isso, a nossa gratidão.
Caros Consócios,
No Benfica, nunca nos conformamos com aquilo que alcançamos. Essa é a essência do Clube que amamos.
Estamos, por isso, a implementar um conjunto de mudanças organizacionais nas modalidades de pavilhão, reforçando estruturas, metodologias e processos, para que o Benfica seja cada vez mais consistente, mais competitivo e mais vencedor.
Melhorias estruturais, mas também ao nível da mentalidade competitiva, que nos permitam conquistar títulos de forma cada vez mais vincada.
Caras e caros sócios,
Nas restantes competições disputadas fora dos pavilhões, há igualmente margem para melhorar mas também motivos de enorme orgulho.
Quero aqui, nesta Assembleia Geral, ressaltar o regresso do Benfica ao título nacional de râguebi, 25 anos depois, numa das modalidades mais históricas que temos, e que é centenária. Até por isso, trata-se de um feito de enorme significado para todos os Benfiquistas.
Para além do râguebi, destaco igualmente o heptacampeonato nacional da nossa equipa feminina de polo aquático, os excelentes resultados alcançados pela natação e a conquista da Taça dos Clubes Campeões Europeus de estafetas mistas em corta-mato, que voltou a levar o nome do Benfica ao mais alto patamar europeu.
Permitam-me, por fim, uma palavra para o nosso Projeto Olímpico e, em particular, para Fernando Pimenta.
O seu benfiquismo, a sua dedicação, a sua excelência competitiva representam da melhor forma os valores do Sport Lisboa e Benfica.
O recente título de campeão da Europa é mais uma prova da sua dimensão enquanto atleta e embaixador do nosso Clube e de Portugal. Em seu nome, saúdo todos os atletas que diariamente elevam o símbolo do Benfica nas maiores competições nacionais e internacionais.
Caras e Caros Sócios,
Somos e seremos sempre uma Direção disponível para prestar contas, para ouvir os Sócios e para responder às questões que entendam colocar.
Iremos fazê-lo sempre com transparência e respeito, mas também com a responsabilidade que uma gestão desportiva de um clube da dimensão do Benfica impõe.
Termino renovando a confiança de que o futuro será construído com o contributo de todos, ficando agora à vossa disposição para todos os esclarecimentos que considerem necessários.
Viva o Sport Lisboa e Benfica"
Vai começar a Assembleia Geral para discutir a temporada 2025/26, no Pavilhão n.º 2 da Luz. Os trabalhos começam com o discurso de Rui Costa.
O pavilhão n.º 2 do complexo do Benfica recebe este sábado duas assembleias gerais: a partir das 9 horas, os sócios vão debater a última temporada. Depois, às 14h30, começará a discussão e a votação do orçamento para 2026/27.
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