Última grande festa de um título encarnado

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A ÚLTIMA vez que o Benfica conquistou o título foi há sete anos, na época 1993/94, mas em bom rigor essa celebração não ocorreu no Estádio da Luz, embora a grande festa tenha sido depois organizada e vivida com intensidade pelo “povo benfiquista” na sua casa. Primeiro, na quarta-feira 25 de Maio de 1994 realizou-se a 32.ª jornada do campeonato (antepenúltima) e o Benfica venceu o Gil Vicente (3-0), mantendo quatro pontos de vantagem sobre o FC Porto (na altura, a vitória valia dois pontos). Dessa forma, o título ficou matematicamente assegurado, pois os encarnados tinham vantagem no desempate com o FC Porto (triunfo na Luz, por 2-0, e empate nas Antas, 3-3).

O Gil Vicente-Benfica efectuou-se no Estádio 1.º de Maio, em Braga, por desejo da Direcção do clube de Barcelos, que pretendia receber o provável futuro campeão “num recinto mais condigno” e, claro, obter a maior receita possível. Como sempre, os benfiquistas do norte compareceram em peso e vibraram com os golos de João Vieira Pinto (3 e 74) e Kulkov (86), seguindo-se a loucura final, com o treinador Toni e os jogadores a serem “afogados” num autêntico mar vermelho. E no domingo seguinte, 29 de Maio, o Estádio da Luz viveu um dia inteiro de festa, desde manhã cedo, com a multidão ávida de celebrar e bater palmas aos seus heróis por mais um título.

Triunfo (6-3) em Alvalade

Embora o FC Porto tenha obtido o segundo lugar, o grande rival do Benfica na corrida para o título foi o Sporting, num campeonato marcado pelo histórico triunfo encarnado em Alvalade, por 6-3. Na 30.ª jornada, o Benfica só tinha um ponto de avanço sobre o Sporting, pelo que o “derby” de Lisboa fez parar todo o país.

É certo que o Sporting até marcou primeiro, por Cadete (8), mas três golos de João Vieira Pinto em apenas 14 minutos (30, 37 e 44) decidiram tudo, apesar do tento de Figo (35). Ao intervalo havia 3-2 para o Benfica, mas Isaías (48 e 57) e Hélder (74) ampliaram a vantagem, amenizada por Balakov (80, g.p.). No final, Carlos Queiroz, técnico do Sporting, era a imagem da desolação, enquanto Toni já sonhava com o título.

Equipa notável e histórica

O Benfica utilizou 23 jogadores na época 1993/94, a última em que conquistou o título, sendo curioso observar os nomes dos campeões. Entre eles encontra-se, por exemplo, Rui Costa, hoje a brilhar em Itália (Fiorentina) e que naquela temporada ganhou o seu, até hoje, único campeonato.

Na baliza, Neno foi titular indiscutível, com Silvino e Paulo Santos a jogarem apenas na última jornada. A defesa tinha a dupla de centrais composta por Hélder (hoje no Corunha) e Mozer, enquanto havia ainda a juventude de Abel Xavier e a experiência de Veloso. O meio-campo contava, além de Rui Costa, com o excelente sueco Scharwz e, então no auge da sua forma, Vítor Paneira. Mas o sector mais impressionante era o ataque, dado o extenso leque de opções, desde a versatilidade de João Vieira Pinto à potência de remate de Isaías, por exemplo. Vejamos todos os campeões, sob o comando de Toni:

Guarda-redes – Neno, Silvino e Paulo Santos; Defesas – Abel Xavier, Abel Silva, Hélder, Mozer, William, Veloso, Kenedy, Nuno Afonso e Pedro Henrique; Médios – Vítor Paneira, Rui Costa, Schwarz, Kulkov e Hernâni; Avançados – João Vieira Pinto, Isaías, Ailton, Yuran, Rui Águas e César Brito.

Família benfiquista em delírio na Luz

A festa final, já com o título conquistado em Braga, ocorreu no domingo 29 de Maio, num Benfica-Vitória de Guimarães (0-0) que quase passou despercebido. Afinal, importante mesmo era a celebração que até incluiu os filhos de alguns jogadores, rigorosamente equipados à Benfica.

Toni foi campeão mas acabou por sair

Apesar de ter sido uma época complicada, sobretudo na gestão da dupla Kulkov-Yuran, o técnico Toni conseguiu levar o Benfica à vitória final, mas uma nova Direcção tinha, entretanto, tomado posse (Manuel Damásio) e apostava na renovação, provocando a saída de Toni.

Sueco Schwarz feliz disse adeus a Lisboa

O médio Stefan Schwarz, cuja qualidade ainda hoje deve fazer sentir saudades aos benfiquistas, despediu-se dos adeptos na Luz e afirmou: “É bom partir depois de conquistar o título, passei momentos muito felizes no Benfica e, sempre que puder, virei de férias...” E da Luz rumou ao Arsenal.

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