Um lugar na história com o primeiro golo

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Dezembro de 1954. Inauguração do Estádio da Luz. Benfica e FC Porto disputaram os troféus Cosme Damião e Álvaro Gaspar. Os portistas marcaram por três vezes e os encarnados somente uma vez. O extremo benfiquista Francisco Palmeiro foi o responsável pela explosão de alegria de um mar de gente que naquele dia 1 ocorreu ao novo recinto, erguido no ano das Bodas de Ouro do clube, com os muitos contributos de populares.

Presentemente com 70 anos, Francisco Palmeiro conserva bem viva a memória desse golo, o primeiro obtido por um jogador do Benfica no Estádio da Luz. "Recordo-me que o FC Porto estava a ganhar quando marquei o único golo do Benfica. Senti uma alegria muito grande por ter marcado na inauguração de uma obra daquelas", refere, embevecido, observando que "é uma coisa que não se esquece".

Com um indisfarçável orgulho por estar indelevelmente ligado à história do Estádio da Luz, afirma ter "muitas mais recordações boas do que más" do anfiteatro. Aliás, na memória guarda apenas um facto mais amargo que viveu, em 1957, quando o Benfica foi eliminado da Taça dos Campeões Europeus, depois de ter consentido um empate em casa. "Tínhamos perdido em Sevilha e tentamos no nosso campo ultrapassar a eliminatória, mas não conseguimos e foi uma grande desilusão", recorda o antigo jogador, que esteve no clube de 1953 até 1961.

“Naquele tempo, um jogador que entrava num clube, nunca mais saía. Naquela altura, não se ganhava nada. Era o tempo do amor à camisola. Tive várias propostas para Espanha e Brasil, mas o Benfica sempre disse que era inegociável. As coisas eram muito diferentes do que são hoje. Uma equipa era como uma família. Com a chegada de Otto Glória, passou a haver o lar do Benfica. Vivíamos juntos e isso era uma força que tínhamos”, sublinha Francisco Palmeiro, o primeiro jogador português a marcar um golo na Taça dos Clubes Campeões Europeus. Foi em 1957, precisamente no primeiro encontro que o Benfica cumpriu com o Sevilha nesse ano, da Taça dos Campeões Europeus, acabando por ser eliminado no Estádio da Luz, que começa a ser desactivado no próximo dia 24, para depois ser demolido.

Emoção

Há alguns meses que Francisco Palmeiro não vai ao Estádio da Luz, mas confessa sentir “grande emoção” quando entra num espaço que “deu projecção ao clube e a Portugal”.

Orgulhoso, reconhece que “faz parte da história do clube e daquele estádio”. ”Passei lá grandes momentos”, acrescenta o antigo jogador, campeão nacional por três vezes e vencedor da Taça de Portugal em igual número de ocasiões. Como internacional, estreou-se a 6 de Junho de 1956, no Estádio Nacional, no 24º Portugal-Espanha. E também neste jogo mostrou as suas qualidades ao converter três golos.

Saudosista mas a aceitar a demolição

Mesmo saudoso, Francisco Palmeiro aceita a demolição do Estádio da Luz. Diz mesmo sem qualquer ressentimento ser necessário um novo recinto para o Benfica. “Fecha-se um ciclo e, com o novo estádio, abre-se outro”, salienta o antigo jogador, que ainda conserva uma lembrança – um crucifixo – que lhe foi oferecida dias depois do primeiro golo de um benfiquista na Luz.

Francisco Palmeiro argumenta que ”o Benfica tem de acompanhar a evolução”. ”O campo está deteriorado”, frisa, manifestando algum descontentamento por ainda não se ter prestado homenagem na Luz aos “jogadores ainda vivos que fizeram a história” do recinto.

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