Vale e Azevedo expulso em assembleia histórica
Vale e Azevedo foi expulso, por maioria, de sócio do Benfica, na sequência da assembleia geral efectuada ontem, na Luz. Num total de 8.077 votos (relativos a 410 associados), 4.901 foram favoráveis à expulsão do antigo presidente, enquanto se registaram 2.476 votos contra. Houve ainda 200 abstenções.
Esta assembleia geral fez história no clube da Luz, não só por ter decorrido à porta fechada, como por, pela primeira vez, ter sido votada a saída de um associado que exerceu o cargo de presidente.
No final da reunião, Tinoco de Faria, presidente da AG, esclareceu o processo: "A iniciativa de apurar responsabilidades foi da AG anterior. Esta direcção só criou as condições para o processo evoluir. Vale e Azevedo exerceu o direito de defesa. Houve um relatório remetido à direcção e posteriormente à AG. Agora os sócios decidiram."
Convidado a comentar a singularidade do procedimento, Tinoco de Faria considerou-o "inédito". Sobre as dúvidas levantadas por alguns apoiantes de Vale em relação à contagem, não deu grande importância. "Foi uma AG quente, com algumas declarações veementes, mas a contagem decorreu com normalidade. Uma eventual readmissão do sócio é teoricamente possível", concluiu.
AG à porta fechada
De forma surpreendente e inédita na história recente do clube, a assembleia geral do Benfica efectuou-se ontem à porta fechada, não sendo permitida a entrada da comunicação social no Pavilhão nº 2 da Luz.
Esta situação não deixou de causar estranheza, inclusive em muitos sócios, mas Tinoco de Faria, presidente da Mesa, justificou esta medida: "Tendo em conta o carácter especial da reunião, houve necessidade de salvaguardar o bom nome das pessoas".
Contrariamente ao que habitualmente sucede, a votação adoptada também foi secreta. Para o efeito foram colocadas urnas no recinto benfiquista para que os sócios pudessem exercer o direito de voto com discrição.
Reunião pouco concorrida mas com pontos quentes
A assembleia de ontem foi pouco concorrida. Apenas 410 associados marcaram presença numa reunião cuja votação final não gerou unanimidade por parte dos sócios. Destaque para a presença de personalidades como Eusébio, Manuel Vilarinho, Manuel Damásio, Ferreira Queimado, Adriano Afonso, João Rodrigues, Gaspar Ramos, José Manuel Capristano e Abílio Rodrigues, entre outros. Luís Filipe Vieira escusou--se a comentar a expulsão de Vale e Azevedo, saindo do Pavilhão nº 2 da Luz sem proferir uma única palavra. Foi fácil constatar que o ambiente na AG terá sido por vezes escaldante e, no final, houve mesmo algumas bocas de apoiantes de Vale em relação a elementos próximos da actual direcção. A polícia estava de prevenção.