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Quando na tarde de segunda-feira Jorge Jesus entrou nas instalações da SAD do Benfica, no Estádio da Luz, para se reunir com o presidente Luís Filipe Vieira, pensou que sairia de lá com a renovação do
Quando na tarde de segunda-feira Jorge Jesus entrou nas instalações da SAD do Benfica, no Estádio da Luz, para se reunir com o presidente Luís Filipe Vieira, pensou que sairia de lá com a renovação do contrato acertada. Em vez disso, regressou a casa com uma sensação de fim de linha. A ligação de 6 anos ao Benfica terminara minutos antes.
Tudo porque no dia seguinte, pela hora do almoço, deveria viajar para Paris, na companhia de Luís Filipe Vieira, onde estava agendado o encontro com o empresário Jorge Mendes. Em vez de uma dura negociação pela continuidade na Luz, tinha sido confrontado com uma proposta de "6 milhões de euros líquidos por ano"... do estrangeiro. A noite ia ser longa e mal dormida. Passada a ponderar o próximo passo.
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Testemunho
A história que a seguir relatamos baseia-se em testemunhos recolhidos junto de pessoas próximas a Vieira e Jesus. Estavam apenas eles no gabinete do presidente. Mas depois ambos partilharam a sua versão dos acontecimentos com terceiros. Amigos, colegas, pessoas de confiança. Após cruzar os dados, que começaram a chegar-nos às mãos desde a manhã de quarta-feira, foi possível reconstituir boa parte do que se passou entre a tarde de segunda-feira e a noite de quarta. Nem todos os pormenores serão referidos uma vez que alguns eram garantidos por uma parte e negados pela outra.
Conversa de amigos
Vieira terá começado por explicar a Jesus que poderia dirigir-se a ele como presidente, mas preferia fazê-lo como amigo, numa primeira fase. E nessa condição que vem de longa data iniciou a conversa, colocando-o a par de algumas propostas que Jorge Mendes tinha para ele no estrangeiro. "Todas entre os 4 e os 6 milhões de euros líquidos por ano", assegurou. Também havia a possibilidade de Itália, mas não passava dos 3 milhões: era a proposta que o AC Milan repetia um ano depois. "Deves excluir Itália, até porque já recusaste o Milan na época passada. O melhor é França", aconselhou o amigo Luís Filipe Vieira.
Surpreso, Jesus deu mostras de não gostar do rumo da conversa. Estava ali para negociar a renovação com o Benfica e não para ser aconselhado a sair de Portugal. Vieira acusou o toque e por momentos "vestiu a pele" de presidente. Explicou ao seu treinador o novo plano desportivo e financeiro para a temporada 2015/16, colocou-o a par da redução substancial do orçamento para o futebol profissional, referiu os jogadores que seriam transferidos nas próximas semanas e rematou o assunto garantindo que se Jesus quisesse ficar no Benfica encontraria uma forma de continuar a pagar-lhe o mesmo vencimento. Em momento algum lhe falou numa possível redução salarial.
Avião para Paris
Levantaram-se para sair mas de repente o líder encarnado pega no telefone e tenta entrar em contacto com Jorge Mendes. Este não atende e Vieira volta a sentar-se. Diz a Jesus que a oportunidade para ganhar 6 milhões por ano, livres de impostos, acontece uma vez na vida. Que ele tinha de pensar na família e aceitar. Sim, devia fazê-lo e não se falava mais nisso. Explica que já tem alugado um avião para o dia seguinte. Encontrar-se-ão com Mendes em Paris para negociar o futuro contrato com o Paris Saint-Germain. "Se não for possível ficares lá este ano, vais uma época para o Qatar, treinar a equipa do irmão do presidente do PSG. Daqui a um ano voltas a Paris."
Presidente e técnico despedem-se cordialmente e marcam encontro para o dia seguinte no aeroporto de Lisboa.
Pensar na família
Em casa, sem dormir, Jesus relembra toda a conversa que teve com Vieira. Para ele está claro que o presidente do Benfica não lhe quer renovar o contrato. Pode nem ser bem assim, mas essa é uma ideia que já ninguém lhe vai tirar da cabeça. Como da cabeça também não lhe sai a família. E é por ela que rejeita emigrar. Antes de ir dormir toma a decisão: não viajará para Paris no dia seguinte. Nem renovará contrato com o Benfica. Deixar Portugal está fora de hipótese e disso vai dar conta a Jorge Mendes assim que este lhe telefonar.
Em terra
Fim da manhã de terça-feira. Mais ou menos no momento em que devia estar a seguir para o aeroporto, a fim de encontrar-se com Vieira, toca o telefone. O Sporting concretizava o ataque há muito tempo delineado. Do outro lado da linha alguém se apresenta como "Guilherme, administrador da SAD do Sporting". Trata-se de Guilherme Pinheiro, de facto administrador da SAD leonina. Jesus não o conhece mas ouve o pedido até ao fim. O interlocutor pretende saber se o ainda treinador do Benfica aceita encontrar-se com o presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, "para uma conversa, esta tarde". Depois de ouvir o sim, o emissário do líder leonino agenda o encontro. Pouco depois, o telefone volta a tocar. Agora é Luís Filipe Vieira. Quer saber se Jesus está a caminho do aeroporto. Este diz-lhe que não. Que depois de pensar durante a noite, chegou à conclusão que, precisamente por pensar na família, não iria deixar Portugal.
O presidente do Benfica percebe que não o vai demover e agenda um encontro com o treinador para o dia seguinte. "Para tratar da tua renovação", explicou.
Sem retorno
Quando Luís Filipe Vieira desliga o telefone está convencido que no dia seguinte renovará com Jesus. Mas quando o treinador, do outro lado, também desliga o telefone, sabe que não assinará qualquer compromisso com os encarnados na quarta-feira. Entendia o convite como uma obrigação e não como um desejo sincero. Nessas condições preferia colocar um ponto final nos 6 anos de ligação. Escolhia recordar 6 bons anos em vez de juntar-lhe mais uma ou duas épocas sem entusiasmo.
À noite, e já depois de encontrar-se com Bruno de Carvalho, está com o seu pai, Virgolino, em Caneças, na casa de repouso. O telefone toca, vê que é Luís Filipe Vieira e não atende. De regresso a casa, recebe uma chamada de Jorge Mendes. O empresário quer saber por que não viajou para Paris. Depois de ouvir a explicação combina um encontro cara a cara para a noite do dia seguinte, no Hotel Tivoli.
"Não renovo"
Mendes quer saber as razões que levaram Jesus a recusar a hipótese de emigrar. Ouve a explicação na noite de quarta. Faz saber ao treinador que tinha e tem várias hipóteses para ele. França, Itália, Turquia, Qatar. Era só escolher. Não, não e não, é o que recebe como resposta. Rendido, passa ao plano B. "Pronto, eu falo com o Vieira e renova-se com o Benfica", garantiu.
O que a seguir sai da boca de Jesus não podia deixar o empresário mais surpreendido: "Nem pensar. Já deixaram bem claro que não me querem. Nem que me oferecessem o dobro do que agora ganho!"
PROTAGONISTAS DA "NOVELA" NO BENFICA
Luís F. Vieira
Reuniu-se segunda-feira com o treinador e propôs-lhe a saída para um clube estrangeiro, onde iria auferir 6 milhões de euros por ano. A ideia seria viajar no dia seguinte para Paris, onde Jorge Mendes iria apresentar-lhe as propostas. Mas, na noite de terça-feira, já não conseguiu falar com Jesus.
Jorge Jesus
Sai da reunião com Vieira com a sensação que o presidente o queria empurrar para fora do Benfica. Dorme mal nessa noite e, no dia seguinte, recebe um telefonema de um administrador da SAD do Sporting e aceita falar com Bruno de Carvalho. Nesse mesmo dia diz a Vieira que não viajará a Paris. E vai negociar com o clube rival.
Jorge Mendes
Jorge Mendes esperou por Jesus na capital francesa, mas o treinador não chegou a Paris. No dia seguinte telefonou-lhe para saber por que não viajou. Depois de ouvir a explicação, combinou um encontro para quarta-feira, em Lisboa. Nessa reunião, Jesus explicou que não queria ir para o estrangeiro nem renovar com o Benfica.
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