Álvaro Pacheco e a decisão do playoff: «Casa Pia é de Primeira Liga e temos de demonstrá-lo»

Declarações do treinador dos gansos na conferência de antevisão à 2.ª mão com o Torreense

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Álvaro Pacheco, treinador do Casa Pia
Álvaro Pacheco, treinador do Casa Pia • Foto: LUSA/EPA
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Álvaro Pacheco, treinador do Casa Pia, garante uma equipa com motivação máxima para a receção ao Torrense na 2.ª mão do playoff que vale uma vaga na Liga Betclic para 2026/27. A decisão joga-se esta quinta-feira, às 20 horas, no Estádio Municipal de Rio Maior, depois do 0-0 na 1.ª mão em Torres Vedras.

"Estamos motivados e com muita vontade de jogar. Sabemos a responsabilidade deste jogo e que temos aqui a oportunidade para conquistar o nosso grande objetivo. Para isso, temos de ser nós, temos de ser casapianos. Devemos jogar com a identidade que nos caracteriza e com a coragem que nos tem identificado, percebendo que é essa coragem que nos vai levar lá. Temos uma oportunidade durante 90 minutos, que podem ser 120 ou penáltis, para ir em busca daquilo que este clube, esta instituição, esta equipa e estes jogadores merecem", disse o técnico, numa antevisão em que, entre outros temas, elogiou o Torreense pela conquista da Taça de Portugal e abordou o final de carreira de José Fonte.

Que Torreense espera depois de conquistarem a Taça?

"É verdade, fizeram história. É uma equipa que vem moralizada. Dar os parabéns, fiz questão de dar pessoalmente ao Luís [Tralhão] pessoalmente, porque acho que é um feito fantástico. O Torreense vem motivado, mas, enquanto treinador do Casa Pia, acho que nós temos é de nos focar no que queremos conquistar. Amanhã temos essa oportunidade, por isso o foco está no nosso trabalho e no legado que queremos deixar neste período em que passamos pelo clube. Sabemos que vamos encontrar um adversário difícil, mas temos de nos agarrar ao que somos".

Aspeto físico pode ser determinante?

"Nesta fase, o aspeto mental é o mais importante. O Torreense está motivado, mas nós também. Vai ser um jogo muito equilibrado, decidido nos pormenores. Temos de jogar com coragem e com a lucidez de perceber os momentos. Quando estivermos por cima, ser inteligentes para aproveitar os espaços e fazer golo. Quando o adversário estiver melhor, manter a coesão defensiva e ter um grande controlo emocional para lidar com esses momentos e contrariar. Acredito que será um jogo com golos, porque ambas as equipas vão entrar fortes com ambição muito grande de chegar ao golo".

O facto de terem tido uma semana limpa de trabalho dá alguma vantagem?

"Não vejo assim. Há sempre vantagens e desvantagens. O Torreense vem de um feito histórico e nós viemos de uma semana limpa para trabalhar o jogo. Neste momento, são dois adversários que querem o mesmo objetivo. Nós temos o fator casa e apelo aos adeptos para irem em massa apoiar, porque vão ser importantes e acho que têm de ser o combustível desta equipa. O Casa Pia é uma equipa da Primeira Liga e amanhã temos a oportunidade de demonstrá-lo e principalmente conquistá-lo. O segredo é como conquistar, dar consequência à forma apaixonada e focada como os jogadores trabalharam esta semana. É ter controlo emocional, saber gerir muito o jogo e desfrutar também deste último momento em que vamos jogar juntos, na nossa casa e junto dos nossos adeptos. Vamos ser felizes".

Surpreendido com a conquista do Torreense na Taça?

"Não, não fiquei. Quem segue o futebol da Primeira e da Segunda Liga vê que o segundo escalão é um campeonato muito competitivo, que obriga todas as equipas a estar a um nível muito alto. Isso ficou demonstrado na final. Não me surpreendo com a qualidade dos treinadores portugueses nem do nosso futebol. O Torreense foi um merecido vencedor. Contra as expectativas de muitos, fez a surpresa. Mas o nosso foco tem de ser naquilo que vamos conquistar e de que forma o temos de fazer".

Como/onde viu o jogo do Torreense com o Sporting?

"Vi o jogo em casa, enquanto os adjuntos foram ao estádio. Vi com olhos de treinador para analisar o Torreense. Eles foram iguais a si próprios: uma equipa muito forte defensivamente sem bola, muito perigosa nas transições e nas bolas paradas, e inteligente na gestão dos momentos do jogo. O Sporting se calhar pensou que as coisas podiam correr de forma mais fácil, mas o Torreense nunca permitiu. Teve o mérito de controlar o jogo, aguentou os momentos difíceis e foi premiado pela sua qualidade. É isso que esperamos amanhã: um adversário moralizado e com o sonho de subir. Temos de contrariar isso sendo nós próprios, com coragem, determinação e demonstrando o caráter desta equipa de querer ficar na Primeira Liga.

Quem será o lateral esquerdo amanhã?

"Temos soluções de qualidade: o Abdu [Conté], o [André] Geraldes e também o Kiki, que tem treinado muito bem. A solução sairá destes três".

 Chamada de Khaly à seleção de Angola: 

"A convocatória tem a ver com o trabalho dele. É muito importante ele perceber o que é que o fez chegar à seleção: o foco, a disciplina e o trabalho diário. É um prémio merecido, mas ele tem de continuar focado no trabalho, em crescer como homem e como atleta. Amanhã terá mais uma oportunidade de crescer e ajudar a equipa a conquistar os objetivos".

Será o último jogo de José Fonte. É motivação extra?

"Sim, claramente. É um objetivo nosso e algo que ele merece por aquilo que foi a sua carreira, o seu percurso e os valores que foi passando para o futebol ao longo destes anos. O José Fonte merece terminar de forma digna, e a melhor forma de o fazer é conquistarmos a manutenção e festejarmos a carreira dele no final do jogo".

E Fonte acabará a carreira em campo ou no banco?

"Está convocado, tudo pode acontecer. Pode ser no banco ou pode ser no campo, tudo vai depender daquilo que for o jogo e das necessidades da equipa. Queremos muito ajudá-lo a acabar de uma forma bonita, mas o mais importante serão sempre os interesses e os objetivos do coletivo".

Qual o maior desafio neste playoff? Mudar a mentalidade?

"Não, acho que o desafio é manter o padrão do que temos vindo a fazer. Queríamos e merecíamos ter conquistado a manutenção durante o campeonato, mas não conseguimos. Tivemos esta oportunidade de fazer mais dois jogos. Preparámos muito bem o primeiro, fomos uma equipa eficaz e trouxemos a eliminatória em aberto para a segunda mão. Amanhã é manter a identidade: ser uma equipa intensa, com coragem e unida do primeiro ao último minuto. Além disso, passei a mensagem de que amanhã será, se calhar, o único jogo de futebol a passar a nível mundial. Toda a gente vai estar a olhar, por isso é uma oportunidade tremenda para os jogadores se mostrarem e poderem fazer os contratos das vidas deles".

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