João Pereira sobre saída do Casa Pia: «Sinto que deveriam ter confiado em mim»
Treinador esteve na 4.ª Conferência da Bola Branca, da Rádio Renascença
Seguir Autor:
João Pereira, antigo treinador do Casa Pia, esteve na 4.ª Conferência da Bola Branca, da Rádio Renascença, e abordou a saída dos gansos, que vão hoje discutir a segunda mão do playoff da Liga com o Torreense, no início da temporada.
"Sinto que deveriam ter confiado em mim. Um dia antes, disse que tinha a certeza que íamos fazer uma grande temporada. Desejo que hoje consigam a permanência. Estou muito grato às pessoas que acreditaram em mim, independentemente de depois terem desacreditado, faz parte do futebol, são decisões que têm de ser tomadas", começou por dizer, antes de revelar que já poderia ter voltado ao ativo.
"O Casa Pia viveu um período menos positivo. Muitos clubes na Liga vivem com uma vitória em 9 ou 10 jogos. Sei que há clubes que pensaram em trocar este ano, felizmente não trocaram e acabaram por fazer uma boa época ou uma excelente época, dentro daquilo que são os seus objetivos. Cheguei a ser abordado. Por opção, tomei a decisão de não trabalhar. Estou a terminar, em Madrid, o curso UEFA Pro. É sempre diferente a forma de liderar um clube, tendo ou não a licença", defendeu.
Na mesma entrevista, o técnico, de 34 anos, disse que André Villas-Boas vai ser melhor presidente do que treinador e mostrou confiança que Vitinha, com quem trabalhou no FC Porto, pode vir a conquistar a Bola de Ouro, apesar de ter estado perto de deixar o futebol aos 15 anos.
"Eu acredito e até poderíamos discutir se já não deveria ter ganho, isso não é a minha função, mas tenho a minha opinião. Sempre foi o que é, muito trabalhador, muito humilde. Já na altura se reconhecia muita capacidade nele. Ele não tinha o espaço devido na altura. Tinha, ao seu lado, Fábio Vieira, Romário Baró, o André Silva, o Afonso Sousa. Na altura, se calhar, não tinha o número de jogos a titular que pretendia, até por uma questão de rotatividade, que deve existir na formação. Ele ponderou desistir. Foi um trabalho interno que o FC Porto, na altura, fez, quando ele tinha 15 anos, nos iniciados. Tinha de fazer viagens muito longas, a pressão da escola, dos pais…Felizmente, deu continuidade", salientou.
Ainda assim, e questionado sobre se o médio do PSG tinha sido o melhor jogador com quem trabalhou até ao momento, João Pereira preferiu salientar outro nome. "O Renato Nhaga. Era um jogador que jogava futebol há pouco tempo, com 17 anos estreia-se na Liga, num jogo contra o Sp. Braga, pelo Casa Pia, que não é um clube com uma formação grande. Vem de um contexto de segunda divisão nacional e que hoje está no Galatasaray, foi campeão, tem a vida organizada, se tiver juízo e for bem aconselhado. É um miúdo que é tão humilde quanto era quando estava no Casa Pia", assegurou.
O fã de Jurgen Klopp negou, ainda, ter sido convidado por José Mourinho para fazer parte da equipa técnica do Fenerbahçe e disse que, um dia, gostava de treinar uma equipa na Liga dos Campeões. Para já, quer abraçar um projeto que "saiba o que quer", seja em Portugal ou no estrangeiro.
"Não vou esconder, tive entrevistas, mudei de agente, por querer experimentar algo diferente, numa empresa com capacidade para abrir outras portas, outras ligas. Veremos o que vai acontecer. Seja em Portugal ou no estrangeiro, o que quero é um projeto que saiba o que quer, com boas pessoas e em que possa levar pessoas importantes para mim", concluiu.