Conheça o percurso de José Luís Gonçalves, o jovem mentor do Aves que desafia o Sporting
Com apenas 31 anos é o diretor desportivo mais jovem do futebol português
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RECORD - O seu maior desafio ao assumir este projeto era garantir para o Aves o estatuto de clube estabilizado na 1.ª Liga?
JOSÉ LUÍS GONÇALVES – Tudo nasceu de uma brincadeira na qual Luiz Andrade e Luís Duque disseram que pretendiam contar comigo. Achavam que, pela relação que tinha em Chaves e o trabalho realizado, nunca aceitaria mudar. Disse-lhes para me apresentarem o projeto e que, logo no dia, diria sim ou não. Fui ter com eles a Lisboa e percebi logo que estava a nascer algo muito relevante.
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R - Depois de jogar futebol como sentiu a vocação para abraçar a vertente da gestão?
JLG – De facto joguei futebol. Na 3.ª divisão, na 2.ª B... No Fão, no Vianense, no Mirandela. Há quem goste de dizer que é jogador, mas no meu caso percebi que não ia passar daquele nível. Ganhando 600/700 euros. Recebendo um mês e depois não sabendo quando receberia o seguinte. O presidente do Ac. Viseu, António Albino, era muito meu amigo e convidou-me para ir para lá em 2014/15. Abracei a função de diretor desportivo com 27 anos. Estive lá um ano, dois em Chaves e agora estou nas Aves. Fiquei-lhe muito agradecido. Não é fácil apostar em alguém com 27 anos para uma função tão importante. O Ac. Viseu tinha muitas dificuldades e tudo o que se fez foi graças ao presidente. Era ele que metia tudo do bolso dele. Mesmo sendo o objetivo a permanência, houve uma fase em fevereiro em que ainda acreditámos que seria possível subir, mas depois não deu para mais. Correu tudo bem e recebi então o convite de Francisco Carvalho, do Chaves, que há quem diga que é o meu pai. Alguém que estimo muito Adoro-o. Tive dois anos de sonho no clube, com Vítor Oliveira e Jorge Simão. Num ano subimos de divisão e no seguinte só falou irmos à final da Taça devido ao penálti defendido por Douglas aos 94’... O Vítor Oliveira foi um professor para mim. Ganhámos uma grande relação. Já é um clube bom no futebol português, onde existe um clubismo muito próprio. Foi então que apareceu o Aves. Toda a gente ficou surpreendida por ter aceitado, só que adorei o desafio e o projeto. Se me perguntar, digo já que não estou arrependido. Ainda hoje digo que a primeira equipa que quero que ganhe é o Aves, a segunda o Benfica, o meu clube do coração, e a terceira é o Chaves. Consegui ganhar carinho por um emblema do qual continuo a gostar.
R - Sentiu que desde o início o clube correspondia à sua ambição?
JLG – Desde o primeiro dia sempre achei que íamos ficar nos oito primeiros. Por isso até ficámos aquém das expectativas. As pessoas dizem que fiz um grande trabalho, mas com estas condições custa menos. O plantel foi construído de novo, só ficaram dois ou três jogadores, e só foi pena o Ricardo Soares não ter sido feliz. Depois tivemos a fase mais conturbada da época, dado que a pior coisa que nos aconteceu foi o Lito Vidigal. Tememos o pior. Até eu, que sou muito confiante. Mas fomos buscar o José Mota e comparo-o muito a Vítor Oliveira, foram sem dúvidas as melhores pessoas que conheci no futebol.
R - O José Luís é muito conhecido nos meandos do futebol mas faz questão de trabalhar na sombra?
JLG – Gosto de trabalhar e que o meu trabalho seja reconhecido pelo meu patrão. Não de aparecer. Olho para o meu presidente como se fosse meu pai. Tenho de me preocupar com todas as questões, mas com o foco no sucesso no final da temporada. O reconhecimento tem de partir dos nossos e não dos outros. O meu objetivo foi chegar ao Aves e marcar a diferença.