Dois penáltis mal assinalados e uma expulsão errada: 'pai' do VAR analisa lances polémicos da jornada
Relatório de David Elleray, consultor contratado pela Federação Portuguesa de Futebol
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David Elleray, consultor contratado pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e 'pai' do VAR, tem elaborado relatórios com análise e esclarecimento dos jogos das competições profissionais em Portugal. Esta semana, o antigo árbitro FIFA e atual diretor técnico do International Board clarificou lances do V. Guimarães-Boavista, Santa Clara-P. Ferreira e Tondela-Gil Vicente, da 21.ª jornada.
A análise dos lances
V. Guimarães-Boavista (minuto 60)
- Um remate atinge um defesa no braço/mão direita e o árbitro permite que o jogo prossiga e mais tarde interrompe para um pontapé livre;
- Depois de receber informação do VAR, o árbitro efetua uma revisão 'on-field review' e assinala pontapé de penálti;
- As imagens mostram que o defesa moveu o seu braço direito para cima e afastado do corpo na direção da bola;
- Intervenção correta do VAR uma vez que o árbitro cometeu um 'claro e óbvio erro' em não assinalar pontapé de penálti.
Santa Clara-P. Ferreira (minuto 40)
- Num pontapé de canto a bola atinge um defesa e a bola sai do terreno de jogo;
- O árbitro, cuja visão se encontra afetada pela luminosidade do sol, assinala pontapé de canto, não havendo protestos por parte dos jogadores;
- Após informação do VAR, o árbitro efetua uma revisão 'on-field review' e assinala pontapé de penálti;
- As imagens não mostram qualquer evidência que a bola teve contacto com a mão/braço do defesa.Mesmo que houvesse contacto, a mão/braço estava junto ao corpo não aumentando a volumetria do corpo de forma não natural;
- O árbitro agiu corretamente em assinalar pontapé de canto (e não pontapé de penálti);
- Intervenção incorreta do VAR uma vez que o árbitro não cometeu nenhum 'claro e óbvio erro' em não assinalar pontapé de penálti;
- A decisão final de assinalar pontapé de penálti foi incorreta.
Minuto 45
- O pontapé de penálti é inicialmente defendido pelo guarda-redes mas o executante acaba por marcar golo no ressalto;
- O árbitro assistente levanta a bandeira indicando que o guarda-redesse adiantou da linha de baliza antes do pontapé ser executado;
- O árbitro corretamente aplica a vantagem e valida o golo
Tondela-Gil Vicente (minuto 2)
- Um atacante na área de penálti, passa o guarda-redes e remata à baliza;
- A bola atinge um defensor no braço, em frente à baliza, e ressalta para baixo;
- O árbitro assinala pontapé de penálti e exibe o cartão vermelho ao defesa;
- Não houve intervenção do VAR;
- As imagens mostram que no momento do contacto o braço do defesa estava junto ao corpo não aumentando a volumetria do corpo de forma não natural; não houve movimento do braço em direção à bola. Como tal, não houve infração de ‘mão’.
- Devia ter havido intervenção do VAR uma vez que o árbitro cometeu um ‘claro e óbvio erro’ em assinalar pontapé de penálti e expulsar o defesa.