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Investigação aos laboratórios: clubes da 1ª Liga não aproveitam os cantos

Estudo analisa ao pormenor a forma como as equipas portuguesas e inglesas batem os cantos

• Foto: Paulo Calado
Costuma-se dizer que as bolas paradas podem resolver jogos. Mas estarão os laboratórios da liga portuguesa a trabalhar em condições e retirar o maior aproveitamento deste momento do jogo? Neste estudo analisamos ao pormenor a forma como cobram e defendem os cantos e a principal conclusão é que o aproveitamento deste momento de jogo é baixo.

Para esta análise foram observados um total de 5261 cantos (2322 em Portugal e 2939 em Inglaterra) correspondente a 224 jogos da liga portuguesa e 296 jogos da liga inglesa. Relativamente à 1.ª Liga, em 548 golos marcados até à jornada mencionada anteriormente, registaram-se apenas 53 golos, o que corresponde a 9,67%. Em contrapartida na Premier League, em 751 golos concretizados, 111 foram de canto, ou seja, 14,78%. Curiosamente, o aproveitamento deste momento de jogo para festejar é de apenas 2,28% (53 golos em 2322 cantos) em Portugal e de 3,78% (111 golos em 2939 cantos) em Inglaterra. No total das duas ligas, a percentagem de aproveitamento é de 3,12%, com 164 golos em 5261 cantos.

Mas, afinal, a que se deve esta dificuldade em converter um canto em golo? Entre outros fatores, o sucesso neste momento de jogo passa pela qualidade do primeiro passe do marcador do canto. Neste capítulo, Benfica (73%), FC Porto e Marítimo (ambos com 72%) são as equipas com maior percentagem de acerto, enquanto Estoril (55%) e Vizela (57%) são as que apresentam um valor mais baixo. Na Premier League, Newcastle (77,5%), Fulham (76,4%) e Manchester City (73,2%) são as equipas que representam maior eficácia no primeiro passe, enquanto Chelsea (56%) e Leicester (58,8%) são das que têm um valor mais baixo. Para este primeiro passe, a zona de penálti até à entrada da pequena área é a mais solicitada aquando da marcação do canto em ambas as ligas, sendo a zona do segundo poste aquela que é menos vezes procurada.

Zona de marcação de cantos na 1.ª Liga
Zona de marcação de cantos na 1.ª Liga

O Rio Ave (44%), bem destacado dos demais, é a equipa que mais aproveita estes momentos para tentar rematar à baliza adversária. Por outro lado, Boavista (20,7%), Sporting (20,9%) e Benfica (22,9%) são as que menos aproveitam. No que diz respeito ao campeonato inglês, o Fulham, do treinador português Marco Silva, é a equipa que mais situações de finalização (35,3%) consegue criar. Já Aston Villa (20,8%) e Chelsea (20,9%) são as equipas que menos finalizam durante este momento de jogo. Apesar da percentagem de finalizações a partir de canto ser praticamente igual em ambas as ligas (27,9% em Portugal e 28% em Inglaterra), a eficácia (finalizações que deram em golo) é superior na liga inglesa (13,5%) comparativamente com a liga portuguesa (8%).

Relativamente à colocação de jogadores dentro da área em situação defensiva, todas as equipas da 1.ª Liga colocam, em média, entre 8 a 10 jogadores, sendo também comum as equipas defenderem com todos os elementos no seu terço defensivo. Não havendo diferenças significativas entre os clubes portugueses, o Boavista é a equipa que apresenta a média mais elevada neste capítulo, com 9,66 e, por outro lado, o Sp. Braga é a equipa com média mais baixa (8,62). Neste capítulo, em Inglaterra as duas equipas com mais elementos, em média, a defender na sua área são o Everton (9,48) e o Liverpool (9,43), enquanto o Wolverhampton (8,4) a equipa que coloca menos. Interessante também perceber que o resultado do jogo no momento influencia o número de elementos que as equipas colocam na área adversária neste momento ofensivo, registando-se, de um modo geral, um aumento do número de atacantes quando as equipas estão a perder ou empatadas. O FC Porto (6,11) é a equipa que, em média, coloca mais jogadores na área adversária quando está a perder e o Benfica a que coloca menos (5,05). Por outro lado, quando o resultado se encontra favorável, o Sporting (5,64) é a equipa que avança com mais homens para a área contrária, sendo que o Portimonense é a equipa que opta por ser mais conversadora, registando apenas, em média, 3,57 jogadores. No que concerne à Premier League, o Manchester City é a equipa que regista menos jogadores na área adversária (4,71) quando o resultado se encontra adverso, enquanto o Leicester (6,23) a equipa que coloca mais elementos. Noutra perspetiva, quando a equipa se encontra a ganhar, o Brighton (6,06) é a equipa que mete mais homens na área e o Wolverhampton opta por uma postura mais conservadora e coloca, em média, 4,29.

Jogadores dentro da área em situação defensiva
Jogadores dentro da área em situação defensiva

Além disso, foi ainda possível observar, ao nível da marcação, que as equipas em Portugal optam mais por defender de uma forma mista ou à zona, enquanto na liga inglesa a marcação individual ganha maior preponderância. Neste caso, o Benfica é a equipa que mais realiza marcação à zona, enquanto o Sporting realiza mais marcação mista. No campeonato inglês, o Arsenal regista mais momento defensivos com marcação à zona e o Everton a equipa com mais situações de marcação mista. O Aston Villa é a equipa que mais vezes optou por defender de maneira individual. Adicionalmente, e apesar de não haver diferenças significativas, no campeonato português, o Benfica marca mais golos quando os adversários se encontram em marcação à zona, enquanto o Sp. Braga marca mais golos quando os adversários estão em marcação mista. O Sporting tem a totalidade dos golos quando os adversários defendem em marcação mista. Relativamente ao campeonato inglês, um dos dados que salta à vista é o facto da grande maioria dos golos – 77 – terem sido registados contra defesas com marcação mista, com destaque para Arsenal e Tottenham, ambos com 9 golos. Por seu turno, Bournemouth e Crystal Palace são as equipas que têm mais sucesso quando enfrentam defesas à zona, com 3 golos anotados cada um.

Relativamente ao tipo de canto executado, na liga portuguesa o Benfica é, por larga margem, a equipa que utiliza mais vezes o canto curto (76), sendo que obteve 3 golos desta forma. Os cantos cobrados de maneira fechada são os mais utilizados, tanto na liga portuguesa - V. Guimarães e Rio Ave são as exceções, pois optam mais vezes por cobrar o canto de maneira aberta - como na Premier League - Manchester City, Liverool, Wolverhampton e Southampton executam mais de maneira aberta. No entanto, no total de golos de canto no principal escalão do futebol português não se verifica grandes diferenças quanto ao número de golos em relação ao tipo de execução do canto (11 golos de canto curto, 23 batidos de forma fechada e 19 de canto aberto). Noutra perspetiva, na liga inglesa, os cantos batidos de maneira fechada têm mais sucesso, representando mais de metade dos golos (60 de um total de 111) apontados neste momento do jogo.

Tipos de canto na 1.ª Liga
Tipos de canto na 1.ª Liga

No que diz respeito aos períodos de jogo, no campeonato inglês, o número de golos marcados é superior na 1.ª parte, enquanto na liga portuguesa há uma distribuição mais equitativa pelos vários períodos da partida.

Por último, é importante reforçar que as situações de canto podem ter um papel significativo na classificação final obtida pelas equipas. Na tabela classificativa realizada com apenas os golos de canto que foram determinantes para a vitória ou para o empate, verifica-se que o Boavista e o Marítimo são as equipas no campeonato português que conquistaram mais pontos (7). Por outro lado, o Benfica (com 5 golos de canto) e o Vizela (2) são as únicas equipas que, até às jornadas observadas, não tinham nenhum golo de canto que tivesse sido determinante. No campeonato inglês, o Arsenal, com 12 pontos, e o Tottenham, com 10, são as equipas que mais pontos alcançaram fruto deste esquema tático. Nota ainda para o Brighton (com 3 golos de canto) e o Wolverhampton (1) que ainda não tinham nenhum ponto proveniente de golos de canto decisivos.

Classificação virtual só com golos de canto
Classificação virtual só com golos de canto
Este trabalho foi realizado por um grupo de alunos do Master em Big Data aplicado ao futebol, do Sports Data Campus, no âmbito de uma parceira com o Record.
Autores: Gonçalo Faria, João Roseiro, Mário Rondon e Pedro Faria
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