Lição de eficiência em casa do professor
Leia a crónica do Sp. Braga-Académica (0-1)...
Jesualdo Ferreira pode ser o treinador mais experiente na liga portuguesa e Sérgio Conceição um dos mais jovens em funções, mas isso de pouco valeu no jogo de ontem à noite, em que a Académica, do segundo, foi a casa do Sp. Braga, do primeiro, escrever uma página na história do clube de Coimbra.
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Bem pode falar-se de uma lição do jovem lobo em casa do professor, tal a forma clara, limpa e (quase apetece dizer) incontestável como a Académica venceu um Sp. Braga sem ideias, desinspirado, aparentemente confiando que a tradição acabaria por resolver o assunto a seu favor. Não foi assim e a lição a tirar é simples: o Sp. Braga está oficialmente em crise, tendo consentido ontem a terceira derrota consecutiva no campeonato, que lhe poderá custar o quinto lugar na tabela mas, acima de tudo, a força mental para sair desta situação com a brevidade possível. Ao mesmo tempo, a Académica ofereceu a si própria mais do que um mero balão de oxigénio, já que além dos 3 pontos somados, mostrou a si própria que é capaz de fazer melhor que o penúltimo lugar que ocupava.
Decisão madrugadora
O jogo decidiu-se cedo, com o golo de Fernando Alexandre logo aos 4 minutos, embora nessa altura ninguém esperasse que fosse assim.
A falha de toda a defesa bracarense, permitindo a Fernando Alexandre saltar à vontade para fazer o golo, só foi comparável com a ineficácia que o seu meio-campo e ataque viriam a revelar ao longo do resto do jogo. Durante algum tempo, as iniciativas de Ruben Micael e Rafa assustaram a defesa da Académica, mas na verdade Edinho nunca se mostrou capaz de dar continuidade aos lances criados pelos seus médios mais ofensivos.
Só na segunda parte, com Éder na frente, o Sp. Braga forçou a Académica a trabalho redobrado na defesa. Ainda assim, a tarefa acabou facilitada para os visitantes após novo reforço no ataque do Sp. Braga, com a entrada de Alan. A partir desse momento, a solução bracarense passou a ser, sistematicamente, o centro para Éder, o que acabaria por facilitar a função dos centrais visitantes.
Apesar dos muitos remates, a verdade é que o Sp. Braga não conseguiu criar verdadeiras situações de golo, quer por ineficácia dos seus avançados quer, especialmente, pelo acerto dos defesas da Académica.
O espelho fiel do jogo foi dado pela última substituição feita por cada treinador: Jesualdo apostou em Salvador Agra sem com isso ganhar nada em termos de eficácia, ao passo que Sérgio Conceição reforçou o centro da defesa com Halliche. Afinal, que ganhou na eficácia foi o aluno na visita a casa do professor.
MELHOR EM CAMPO
Cleyton. Dos seus pés saiu o canto que deu o golo da vitória mas, mais que isso, controlou toda a ação no meio-campo, sem oposição.
MOMENTO
Aos 4’ Fernando Alexandre saltou mais alto que toda a gente e fez o golo da Académica. A equipa soubre guardar a vantagem até ao fim
NÚMERO
46 foram os anos que passaram sobre a última vitória da Académica em Braga para a Liga
ÁRBITRO: Olegário Benquerença não teve erros crassos mas falhou em dois momentos. Em termos disciplinares, aos 7’, quando se ficou pelo amarelo a Tomás Dabó, cuja entrada podia valer o vermelho. Aos 17’, erro em fora-de-jogo a Diogo Valente em posição de marcar. (3)