Novo verão quente em perspetiva
Haverá uma repetição?
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Os processos e acontecimentos extra jogo têm abalado Benfica e Sporting, à vez, nos últimos meses numa ‘guerra’ que se agudiza desde que Bruno de Carvalho se tornou presidente. Agora, e já depois de Carrillo trocar um rival por outro em 2016, pode estar prestes a acontecer um episódio à semelhança do que aconteceu no chamado ‘verão quente’ de 1993.
Tal como em boa parte da presidência de Jorge de Brito, o Benfica atravessava um período complicado a nível financeiro. A aposta no ‘Dream Team’ que tinha Paulo Futre como figura de proa levou apenas a Taça de Portugal à vitrina do museu do Benfica. No defeso de 1993, o plantel dos encarnados debatia-se com meses de salários em atraso, razão suficiente para alegar a rescisão por justa causa. O núcleo duro manteve-se na Luz, mas Paulo Sousa e António Pacheco trocariam o Benfica pelo Sporting numa dupla transferência que abalou o panorama futebolístico em Portugal e só conheceria um fim depois de decisão da FIFA, com os leões a terem de pagar cerca de 3 milhões de euros – na altura, 600 mil contos.
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Rui Costa foi tentado a mudar-se para Alvalade por altura do seu casamento, refutando tal cenário para se manter no clube do coração. Isaías teve um contrato em mãos, mas a transferência não chegou a bom porto por vontade leonina. João Vieira Pinto teve também um pé em Alvalade (ver peça abaixo) e haveria de ser o ‘Menino de Ouro’ a dar um final feliz aos encarnados, referente à temporada 1993/94.
Com Toni ao comando, o Benfica chegou às meias-finais da Taça das Taças e manteve-se na luta pelo campeonato até cinco jornadas do fim, jogando o tudo ou nada em Alvalade. A vitória por 6-3 no campo do rival, com um hat trick de João Vieira Pinto, em apenas 45 minutos, abriu para três pontos a vantagem sobre o Sporting, que mais não haveria de desperdiçar, até à conquista de novo título.
João Pinto teve cheque na mão
A mudança de ares de Paulo Sousa e Pacheco foi consumada, mas há um terceiro elemento que esteve perto de vestir a camisola do Sporting, ainda em 1993. João Vieira Pinto teve um cheque assinado pelo presidente do Sporting, Sousa Cintra, em mãos, e só não se transfere para Alvalade face à rápida atuação de Jorge de Brito, líder máximo das águias na altura.
O Sporting ‘rapta’ o camisola 8 da Luz, levando-o para Espanha, mais precisamente para Torremolinos. Os leões oferecem-lhe um contrato de três temporadas no valor de 350 mil contos (cerca de 1,75 milhões de euros). Brito responde e dá mais 200 mil euros ao novo ‘Menino de Ouro", convencendo o avançado a permanecer de águia ao peito, depois de ter sido contratado ao Boavista em 1992, por cerca de 300 mil contos (1,5 milhões de euros).
Com pompa e circunstância, o Benfica convoca uma conferência de imprensa para mostrar a firmeza da atitude de João Vieira Pinto, que rasga o cheque que lhe havia sido dado por Sousa Cintra. Os verdes e brancos assumem também que não estavam cientes se teriam engenharia financeira suficiente para suportar uma possível derrota em tribunal, decorrente da rescisão por justa causa, levada a cabo por salários em atrasado. Quis o destino que João Vieira Pinto aterrasse mesmo em Alvalade já com um contrato ‘vitalício’ assinado com o Benfica até 2004. Com Vale e Azevedo na presidência, o capitão das águias é dispensado e chega ao Campeonato da Europa de 2000, onde seria figura de proa, como jogador livre. "Gosto de me sentir útil e neste momento já não o era, uma vez que o treinador prescindiu dos meus serviços", vincou JVP em conferência de imprensa de emoções fortes, antes de rumar ao Sporting.