Um estádio cheio por Eusébio
Amália, Sinatra e Louis Armstrong embalaram o Pantera...
Uma sentida e inesquecível homenagem a Eusébio, que continua bem vivo no coração de todos. Assim fica gravado o clássico de ontem, que reuniu na Luz para cima de 60 mil espectadores, naquela que constituiu a melhor assistência da época.
O jogo começava às 16 horas, mas 60 minutos antes, com um quinto das bancadas preenchido, uma sequência de imagens do Pantera foi passada nos ecrãs ao som de Amália Rodrigues, de quem o jogador era amigo e admirador. Escutaram-se os primeiros aplausos da tarde.
A águia voou e o recinto tornou a “acordar”. Eram 15h48, o clássico estava à distância de 12 minutos. Mais imagens do King, embaladas pelo célebre “My way”, de Sinatra. Eusébio jogara “à sua maneira”. Num ápice, o anfiteatro trocou o encarnado pelo negro das cartolinas entregues aos espectadores, simbolizando o luto. Desfraldadas foram duas tarjas gigantes, uma com a cara do King e outra com um “Eusébio Sempre”.
O speaker solicitou que as cartolinas fossem viradas ao contrário e o negro deu lugar ao encarnado. “É o virar de página!”, escutou-se através da instalação sonora, seguindo-se o hino do Benfica. Faltavam quatro minutos para o pontapé de saída e as equipas já estavam em campo. A maior parte dos jogadores estaria com pele de galinha e não era por causa do frio. Fez-se silêncio por um minuto, respeitado pela esmagadora maioria. A emoção percorria idades e estratos sociais, havia lágrimas em rostos bonitos, o coração apertava.
Minuto 71
A bola rolou, os “Eusébios” começaram a correr no relvado e a incentivar na bancada. Jogada cá, jogada lá, o relógio avançou até aos 71 minutos. O Benfica ganhava por 2-0. Então, o estádio cantou: “Tu és o meu amor, Eusébio!” Era a magia do 71, a idade que o King tinha quando faleceu. Ao minuto 79, nova tarja gigante ondulou pela bancada. “A tua glória engrandece a nossa história… obrigado Eusébio”, lia-se. Louis Armstrong teve a honra de fechar a jornada de homenagem com o seu fantástico “What a wonderful world”, pintando mais um conjunto de imagens de Eusébio. Palmas, muitas palmas. Por que as lendas alimentam-se de aplausos.