_
Paulo Lopo, presidente do Estrela da Amadora, reagiu esta sexta-feira na sua página de Facebook à rejeição, por parte de quatro clubes da Liga Betclic, da proposta de distribuição do dinheiro do mecanismo de solidariedade da UEFA. Em causa, a verba que o organismo que rege o futebol europeu entrega aos emblemas do primeiro escalão, que por sua vez passam uma parte aos do segundo.
Este ano, ao contrário do que tem sido habitual, a votação para aprovar essa mesma distribuição passou a ser secreta a pedido do Rio Ave, com quatro clubes a votarem contra – além dos vilacondenses, também Famalicão e Gil Vicente se opuseram, sabemos – e um a abster-se, o que impossibilitou a obtenção dos 75 por cento de votos favoráveis que são exigidos. Assim, os clubes da Liga Portugal Meu Super já não vão receber essa quantia, o que gerou insatisfação no líder dos tricolores da Reboleira.
De resto, e tal como referido na nota publicada por Paulo Lopo, tanto o Estrela como os restantes clubes da 1.ª Liga que votaram favoravelmente estão neste momento a tentar suspender a decisão de modo a marcar uma nova Assembleia Geral Extraordinária para discutir o tema.
[notícia corrigida às 19h08]
"Hoje é um dia negro para o futebol português.
Na Assembleia Geral de hoje, a proposta de distribuição do mecanismo de solidariedade da UEFA não foi aprovada, por não ter alcançado os 75% de votos favoráveis exigidos. Dos 18 clubes da Primeira Liga, faltou um voto para a aprovação, quatro clubes votaram contra e um optou pela abstenção.
Quebrou-se, de forma grave, uma regra basilar do futebol: a solidariedade. Uma solidariedade que sempre foi o cimento do nosso ecossistema competitivo e que hoje foi colocada em causa por uma visão egoísta e de curto prazo.
Mais grave ainda é o facto de alguns dirigentes não terem tido a coragem de votar olhos nos olhos dos seus pares, refugiando-se covardemente no voto secreto.
Falamos de um futebol onde os valores garantidos não permitem, sequer, assegurar o pagamento do salário mínimo a um plantel de 25 jogadores e respetiva equipa técnica. Num contexto destes, a solidariedade não é um favor: é uma necessidade estrutural.
Importa, por isso, sublinhar que os clubes grandes foram verdadeiramente grandes no sentido do seu voto. Demonstraram, uma vez mais, que a grandeza também se mede pelas atitudes e pelo compromisso com o todo.
Os clubes da Segunda Liga não mereciam esta facada nas costas por parte de clubes irmãos que, ainda há poucos anos, eram igualmente reféns dessa mesma solidariedade. Clubes que hoje, inebriados pelos milhões dos seus investidores, deixaram de olhar para o lado e de reconhecer aqueles com quem, no passado, lutaram juntos contra as mesmas dificuldades e adversidades, e que hoje se encontram fragilizados.
O futebol português ficou hoje mais pobre. A ganância individual sobrepôs-se ao interesse coletivo, em claro detrimento da parte mais frágil do sistema.
O Estrela da Amadora não se revê no dinheiro que irá receber neste contexto. Não se revê neste novo paradigma de milhões sem responsabilidade social, nem numa lógica de indiferença perante o próximo.
Da nossa parte, tudo faremos para repor a justiça solidária e defender os nossos clubes irmãos, porque acreditamos que só com equilíbrio, respeito e cooperação é possível construir um futebol verdadeiramente sustentável.
Bem-haja a todos os que votaram favoravelmente, em especial aos clubes grandes, porque acreditamos que juntos conseguiremos construir uma liga mais forte, mais justa e mais solidária.
Espero que esta decisão seja suspensa a bem do futebol português!"
Por Francisco Guerra e João Albuquerque