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Pepa, treinador do Estrela da Amadora, garantiu que a derrota (0-2) com o Académico de Viseu na última jornada ficou para trás nesta paragem para as seleções e que o foco está no duelo de amanhã diante do Arouca, em encontro referente à 8.ª ronda da Liga Betclic. O técnico tricolor destacou a importância de ter 8 jogadores a representar as respetivas equipas nacionais e que a pausa serviu para evoluir, apesar das ausências, além de conhecer melhor alguns jovens talentos dos sub-23.
"É uma dificuldade que muito nos orgulha, ter 8 jogadores nas seleções e espalhados pelo mundo fora. É uma novidade para nós ter tantos jogadores na seleção, o que é muito bom. A verdade é que tem coisas muito boas, mas também tem as menos boas. O grupo ficou partido, distante, mas gosto sempre de olhar para as coisas positivas: esse reconhecimento, e aproveitámos esse tempo e essas ausências para trabalharmos e conhecermos os nossos jogadores dos sub-23, o que é muito bom. Foi um interregno grande, é tempo demais sem competir, mas já estava planeado e tivemos de nos adaptar", vincou.
"Tivemos um dia muito mau [com o Académico de Viseu], foram 90 minutos fora da caixa pela negativa, são situações que infelizmente acontecem, mas temos um espírito bem vincado neste início de campeonato, em que podemos perder, empatar ou ganhar, mas nunca podemos deixar de ser Estrela, de ser competitivos, de ser uma equipa agressiva e irreverente. É algo a que nos agarramos com tudo. Tudo o resto é continuarmos a melhorar. Queremos uma equipa alegre, com uma variabilidade grande na construção, que procura o golo, agredir o adversário e que não tenha receio de ter bola. Uma equipa com coragem, que é o que gostamos, e acima de tudo sermos ainda mais fortes no processo defensivo, na reação à perda e na concentração do primeiro ao último minuto", vincou.
Por isso, o treinador de 45 anos deixou claro que também se aprende nas derrotas: "Houve pormenores que aconteceram nos últimos jogos e o expoente máximo dessa visibilidade de erros foi no último jogo. São coisas que queremos muito melhorar, trabalhamos muito para que o processo fique mais fechado como queremos e temos uma equipa jovem que recebe como uma esponja, gosta de crescer e aprender. E não crescemos só nas vitórias, mas também nas derrotas. Temos é de ter sempre a capacidade de ter humildade e pés no chão. Ganhando empatando ou perdendo, identificar no que a equipa pode crescer e melhorar. É o que temos feito e aproveitamos este tempo, com mais ou menos jogadores fora."
Quanto ao Arouca, Pepa admite que foi mais difícil preparar o encontro devido à mudança de treinador - Vasco Seabra rumou ao Rio Ave e Vítor Severino, ex-adjunto de Luís Castro, foi o sucessor -, mas prefere colocar o foco na sua equipa. "Dificultou um pouco no que iremos encontrar, mas o nosso foco principal é a nossa equipa. Quanto ao Arouca, o Vasco é um treinador que ia na sua terceira época, com um conhecimento muito profundo e uma equipa à imagem de algumas que já têm o seu treinador há mais tempo. Essas jogam de olhos fechados, com uma panóplia de variabilidade de opções na construção, nas bolas paradas, com um processo defensivo muito identificado", começou por dizer.
"E este Arouca, além de ter essas variabilidades, acredito que não as vai perder porque os jogadores estão juntos há muito tempo e têm dinâmicas muito fortes, independentemente desta mudança de treinador. Há sempre alterações na bola parada, no processo defensivo, na forma como a primeira linha de pressão vai pressionar a nossa, na fase de construção, se terão bloco mais alto ou baixo… mas o mais importante é conhecer as individualidades do Arouca. São uma equipa muito boa, fizeram um grande campeonato no ano passado e o que estão a fazer neste ano não é surpresa, porque a qualidade individual e coletiva está lá. Portanto, respeito total, sabemos da grande dificuldade que vamos ter amanhã e do grande jogo que acreditamos que vai ser", atirou, revelando ainda que o avançado equatoriano Jeremy Arevalo continua de fora por lesão.
O frio na cabeça ou nos pés...
De resto, Pepa voltou a abordar os números do Estrela: os amadorenses têm um dos melhores ataques da Liga, mas também uma das defesas mais batidas. "Há sempre um 'mas' na vida [risos]… é verdade. Quando temos frio, tapamos a cabeça e ficamos com frio nos pés, quando tapamos os pés, ficamos com frio... mas é este o equilíbrio que temos de encontrar. Não queremos perder esta criatividade e esta equipa ofensiva que tem muito apetência pelo golo e pelo processo ofensivo. É ter esse equilíbrio e às vezes a transição defensiva não é só uma questão de atitude, porque não há falta de atitude aqui, e não é só correr mais ou menos, tem a ver com aspetos táticos, estar ligado e concentrado, estar na zona certa... mas acima de tudo é ter equilíbrio emocional, tático e crescer", terminou.
Por Francisco Guerra