Begoña Santiago aponta caminho do Estoril: «Esperamos que haja muitos mais como Jordan»

Presidente do clube da Linha dá o exemplo da aposta no sub-19 e alerta para risco de perda de competitividade do futebol português no Portugal Football Summit

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Begoña Santiago no Portugal Football Summit
Begoña Santiago no Portugal Football Summit • Foto: Estoril/Instagram
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A aposta na formação e a necessidade de reformar o modelo económico do futebol português foram os principais temas abordados por Begoña Santiago, presidente da SAD do Estoril, durante a sua intervenção no Portugal Football Summit. A dirigente destacou o percurso de Jordan Arnolin como exemplo da estratégia do clube da Linha e assumiu o desejo de ver surgir muitos mais jogadores com o mesmo percurso.

"O Estoril é um projeto", começou por afirmar, antes de explicar a visão que sustenta o desenvolvimento dos jovens atletas. "Os jogadores têm de ser pessoas com valores, com inteligência, com capacidade de sofrer. Porque, como me disse alguém no outro dia, não se ganha nada sem sofrimento. E isso é parte do que devemos acrescentar."

Nesse sentido, apontou o caso de Jordan como um dos frutos da aposta na formação. "Temos Jordan, que vem dos sub-19 e está a jogar na equipa principal. E, como Jordan, esperamos que haja muitos mais", referiu a espanhola, rosto de investidores norte-americanos.

A responsável lamentou ainda a dificuldade em manter os talentos emergentes no clube, criticando a facilidade com que emblemas mais poderosos conseguem recrutar jogadores de equipas com menores recursos. "Estamos acostumados a que venha uma equipa superior na classificação, porque odeio o conceito dos grandes e dos pequenos, e nos tire os nossos jogadores. Isso foi permitido durante muitos anos", afirmou.

Begoña Santiago aproveitou igualmente para abordar os desafios competitivos enfrentados pelo futebol português, apontando a crescente força financeira da Turquia como uma ameaça direta. "Há que ter atenção à Liga turca, cujo investimento é tremendo e vai certamente ser muito competitivo para tentar aproximar-se das cinco principais ligas europeias. Na minha opinião, é a grande rival da portuguesa", alertou.

A dirigente considera que a reduzida receita televisiva continua a limitar o crescimento dos clubes portugueses, sobretudo dos que estão fora do grupo dos emblemas com maior capacidade financeira. "Os direitos televisivos são muito baixos. São muito baixos para equipas como nós, porque a maior parte do bolo está a ser levada por outros", afirmou, defendendo a centralização dos direitos como uma medida essencial para equilibrar o campeonato.

"Portugal vai perder a vantagem que tem como uma grande liga se deixarmos de ser competitivos. Competir contra equipas que recebem a maior fatia dos direitos televisivos e que jogam regularmente nas competições europeias torna-se cada vez mais difícil. Se isto continuar assim, o futebol português morre", avisou.

Para a presidente da SAD estorilista, a transformação deve ir além da centralização, exigindo uma nova abordagem à gestão dos clubes. "Temos de deixar de entender o futebol como um jogo romântico e perceber que o futebol é um negócio, e que o negócio é o futebol. A componente comercial tem de ser desenvolvida e as infraestruturas têm de responder a essa necessidade", defendeu.

Definindo o Estoril como “uma estrutura muito pequenina, mas funciona como um relógio alemão”, até porque tinha ao lado o homólogo do Estrela, Johannes Mösmang, a responsável concluiu que os clubes terão de encontrar novas formas de rentabilizar os seus ativos e aumentar receitas para sobreviver num mercado cada vez mais competitivo. "Temos de fazer muito mais com pouco capital e esforçar-nos muito mais na parte comercial. É uma mudança que Portugal tem de compreender enquanto país", concluiu.

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