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O calendária marca março e, por esta altura, o Famalicão ainda não conseguiu assinar duas vitórias consecutivas na temporada. A época dos minhotos tem tido altos e baixos e João Pedro Sousa não esconde que esse é um aspeto que tem de mudar, a começar já nos jogos com Boavista e V. Guimarães. Um facto que estará também relacionado com os constantes ajustes motivados por questões disciplinares, já que o Famalicão é a equipa que mais amarelos vê na Liga, pese embora o técnico não acredite que a sua equipa seja a mais "indisciplinada".
Problema diretivo e momento do Boavista: "Problema diretivo não vai influenciar. Conheço a forma de trabalhar e pensar do Boavista, nunca vai ser problema. Duas equipas que vêm de maus resultados. Nós, com a consciência de que temos de regressar rapidamente às vitórias, que temos de ser melhores, melhorar muita coisa dentro do que fizemos e não fizemos no último jogo. Mas também com a consciência de que continuamos a trabalhar no máximo. Jogadores estão a fazer o que lhes pedimos para voltarmos às vitórias. Vamos tentar entrar fortes. Só temos de nos agarrar ao trabalho. Não posso abordar as coisas de outra forma."
Oscilação de resultado pode mexer com a motivação? Com a motivação não, mas não nos deixas confortáveis. Ainda não conseguimos ganhar dois jogos seguidos. Não conseguimos repetir o resultado. Isso mexe com a equipa porque a vitória traz conforto, traz sempre tranquilidade, mas o que é certo é que não conseguimos traduzir isso em nova vitória. Temos de acrescentar de qualidade no jogo, a mentalidade para abordar o segundo jogo para vencer. Ao fim de algum tempo começa a pesar nas nossas cabeças. Não queremos reagir só às derrotas, temos também de reagir às vitórias. Se ganharmos amanhã, temos de reagir para ganhar o jogo seguinte e não ficar passivos. Os jogadores percebem isso. O primeiro grande objetivo é vencer este jogo com o Boavista e depois prepararmo-nos da melhor para atingirmos um objetivo que parece redutor, mas que é importante, que é vencer dois jogos seguidos."
Perda de consistência defensiva e a saída de Otávio: "Não me parece que haja relação. Claro que falamos de jogador com muita capacidade, mas não porque alguns dos erros que cometemos. Em Faro sofremos o golo do empate em que sofremos de lançamento de linha lateral perto da área. Sabemos como defender e não o fizemos. Em Arouca, o terceiro golo surge de lançamento lateral e o golo anterior é um pontapé de baliza do adversário. Fazemos más leituras e isso originou um desequilíbrio grande. Este tipo de situações no passado já existiram, dificuldades no entendimento do jogo. No caso dos lançamentos, por vezes um ou outro jogador pode perceber que dali pouco ou nada resultará. Relativamente ao golo do pontapé de baliza, tem que ver com leitura de jogo erradas, falta de comunicação. Fomos ajustando. Isto já aconteceu no passado, mas não sofremos o golo por via desse momento do jogo. A ideia é recuperar o mais subido possível. Arriscamos a que se formos batidos podemos ter problmas atrás. Equilíbrio posicional tem de ser quase perfeito, tem de estar toda a gente bem posicionada. Já tivemos problemas, adversários que criaram problemas, mas não consgeuiram marcar. Desta vez aconteceu. Não acontece com muita frequência, mas estamos a ser castigados por erros em alguns momentos do jogo. Também há falta de sorte. Em dois jogos sofremos de lançamento lateral. Do resto, até para ir mais a detalhe, tendo em conta o processo defensivo, não me parece que haja problemas que não existiram no passado. Problemas temos sempre. O jogo é complexo e não há equipas que não tenham problmas. Disse no inicio da época que não iamos ser a melhor defesa nem o melhor ataque."
Reação aos golos marcados: "É um momento do jogo que temos de melhorar. O encolher não é o que diz a palavra. Se usei essa palavra depois do jogo com o Arouca, o que queria dizer era que quando marcámos um golo, naturalmente há reação do adversário. Há reação, por vezes tática, de intensidade, de procura do golo, temos de reagir ao golo marcado. Se mantemos o mesmo registo de intensidade, o mesmo registo tático, podemos sofrer com isso. Estamos num determinado registo, estávamos por cima do jogo, o adversário muda, dá velocidade ao processo ofensivo e nós não demos velocidade ao processo defensivo. A ideia não é recuar, não é fechar a baliza, mas não mudámos de velocidade, não mudámos de intensidade, não ficámos com a bola. Essa reação é o que peço aos jogadores. Há golo, o adversário vai reagir e nós temos de reagir também. Temos falado sobre isso, temos trabalhado nessas situações."
Famalicão com mais cartões: "Relativamente aos jogadores, é impactante. São três jogadores, dois deles têm sido titulares, o Zaydou e Cádiz, com a agravante com o problema que temos de concretização é o jogador que mete mais vezes a bola na baliza. Falta-nos o jogador que queremos que meta a bola na baliza. Vamos ter de arranjar quem faça essa tarefa. O Zaydou, por aquilo que representa na equipa, é uma falha importante para o jogo de amanhã. No entanto, há jogadores perfeitamente capazes e que dão garantias de ajudar a equipa. O Puma vem de um período de lesões, abrandámos o ritmo de trabalho do Puma mesmo ao nível da competição para criar bases mais sólidas, mas infelizmente teve o cartão vermelho, numa situação que tem de corrigir. Espero que não tome a mesma atitude, prejudica-se a ele e à equipa. Três situações impactantes, mas quem entrar dará resposta. Equipa mais indisciplinada? Somos quem tem amarelos, estamos longe de ser a mais indisciplinada. Por vezes até podia ser bom, com aspas. Nós sentimos, ao ver imagens, que essa indisciplina, essa malandrice, falta-nos bastante. Tem que ver com várioas questões, a personalidade dos jogadores, da equipa. Há momentos do jogo em que temos de reagir e o caráter e a personalidade tem de dar respostas. Falta-nos um bocadinho isso. Em Faro, se fosse ao contrário, o Farense ganhava o jogo. O Arouca também geriu bem os 7 minutos que o árbitro deu. São as regras, temos de nos habituar a elas para sermos mais malandros. Os cartões amarelos têm que ver com isso. O Gustavo Sá tem 4 amarelos, mas não é por ser agressivo ou indisciplinado. Ainda não percebe quando pode fazer a fsalta, quando falar com o árbitro e da forma como fala. Nessa gestão disciplinar tem de crescer. Não tem que ver só com maturidade de idades. O Zaydou, entre liga francesa e portuguesa, tem mais de 200 jogos, mas vai ser sempre um jogador imaturo, pela personalidade dele, nunca vai ser um malandro no bom sentido. São pequenas coisas que temos de melhorar. Por vezes dá pancada nos jogadores e antes do apito já está a pedir desculpa. Alguns jogadores não percebem o que é ser agressivo entre a falta e recuperar a bola. Às vezes a equipa não percebe bem. Somos a equipas que mais faltas faz e em zonas que não fazem sentido."
Classificação: "Relativamente ao Estoril, temos menos dois jogos. Nesta altura da época, somos a primeira equipa e o Estoril a última, uma vitória ou duas já cria distância bastante grande. Eu sempre o disse aqui: a confiança é muito grande no que estamos a fazer. Para além da vontade que temos, no futebol vale o que vale, pelo que trabalhoamos, pelo que acreditamos no trabalho, estamos tranquilos de que não vamos passar problemas. Mas também sempre disse a única coisa que prometo é trabalho e tentar ganhar os jogos. Chegar aqui e dizer que vamos ganhar e chegar aos 50 pontos, nunca o vou fazer. Sei o que me pediram, disse que vamos tentar chegar, vamos falhar provavelmente, mas para isso estou cá eu para assumir. Não é caso de vida ou de morte, não vamos enterrar a cabeça na areia. É assumir as coisas com coragem. O futuro do Famalicão não se joga pelo 4º ou 5º lugar."
100 jogos no campeonato pelo clube: "Eu troco os 3 pontos de amanhã pelo 100. É um orgulho grande fazer tantos jogos por este clube, ajudar o clube a crescer, saber que o clube vai continuar a crescer e que ajudei o clube a ser melhor. Lembro-me do primeiro dia como estava o clube. 100 jogos é um número redondo, mas não é mais importante do que o jogo anterior nem que o jogo a seguir. Obrigado a quem trabalha comigo, mas é continuar com o mesmo espírito. Dar o que sei e posso dar ao clube."