A recuperação de Óscar Aranda: «Dizia sempre que ia ser a maior recuperação que o Famalicão teve»

Clube divulgou longo vídeo a explicar o caminho do extremo até ao regresso aos relvados após sofrer rotura ligamentar num joelho

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• Foto: Tony Dias/Movephoto
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A temporada 2025/26 ficará para sempre marcada na carreira de Óscar Aranda pela grave lesão sofrida na pré-época, que obrigou a uma ausência dos relvados quase até ao final da campanha. O dano só não foi maior porque o jogador espanhol conseguiu recuperar a tempo de ainda ser opção para Hugo Oliveira no Famalicão, graças a um grande trabalho de recobro executado pelo emblema minhoto e pelo próprio.

Um processo longo e duro que permaneceu na sombra até este sábado, dia em que o próprio clube decidiu divulgar um vídeo detalhado sobre a recuperação, com declarações de Óscar Aranda, Eduardo Filipe, diretor clínico, Hugo Oliveira, treinador do Famalicão, e André Ferreira, do departamento de performance. O jogador é o primeiro a dar voz a este momento de partilha, com as memórias que guardou do momento da lesão no joelho direito.

"Lembro-me que foi ao minuto 44 da 1.ª parte. Uma bola que saiu para cima, meti a perna para proteger a bola e o defesa caiu-me em cima. Senti algo estranho no joelho. Foi perto do intervalo... Mas são coisas que acontecem", disse o extremo, que percebeu rapidamente que algo grave tinha acontecido.

Seguiram-se oito meses de travessia no deserto, por entre dúvidas, dores e muitos sentimentos antagónicos. "Para mim o mundo não caiu. Caiu para a minha mulher, para o meu pai. Eu sentia que tinha que estar forte nesse momento. A recuperação ia ser longa e tinha que ter a cabeça fria, ser paciente comigo. Depois da operação sabia que ia estar seis semanas com canadianas, sem pousar o pé. Foi o processo mais duro. Houve fases de maior tristeza e frustração. Vinha de uma boa época e fiquei muito tempo sem poder pisar o relvado", confidenciou.

Quem acompanhou de perto todo este processo foi André Ferreira, membro do departamento de performance do Famalicão. "Nas primeiras semanas antes da cirurgia era engraçado. Ele dizia que ia ser a melhor recuperação que o Famalicão teve. Encarou de forma positiva, era muito positivo. Aquelas seis semanas sem pousar o pé foram duras, é o momento em que se questiona tudo. É frustrante, condiciona o dia-a-dia por completo e foi aí que acho que bateu mais o choque. Começa-se algo motivado, depois sente-se que está a ir abaixo. Temos que criar coisas diferentes para ele, para ele sentir que tem mão no processo", referiu o membro do staff dos minhotos, considerando que, nos momentos de dúvida, também o grupo foi importante.

"Havia alturas em que ele se sentia mais cansado de ter sempre aquela rotina. Houve uma fase em que fazia treino comigo de manhã, fisioterapia e treinava de manhã. Aí sente-se o corpo a ficar cansado e levanta-se questões. Mas temos um grupo muito unido e, nessas alturas, muitas vezes os jogadores chegavam ao ginásio e puxavam por ele, tentavam trazê-lo para cima", partilhou.

Passo a passo, Óscar Aranda foi subindo alguns degraus, até poder voltar a treinar com bola. "Com bola no pé tive que lhe meter um travão, às vezes. Era a praia dele, era o que ele queria. A primeira vez que fomos ao campo com bola ele pediu-me para filmar para mostrar à família, que iam ficar felizes", recordou.

Hugo Oliveira acredita em fortalecimento

Como treinador, Hugo Oliveira também manteve sempre atenção particular ao caso de Óscar Aranda. Uma das grandes preocupações do técnico era não deixar o jogador cair a nível psicológico e, dobrado o Cabo das Tormentas, fica a crença de que este sairá mais forte deste processo. "O momento da lesão foi vivido com tristeza, tristeza de perdermos um dos nossos devido a saúde. Perceber que um atleta, um homem, profissional de futebol, que vinha de uma época fantástica, capital no nosso projeto, naquele momento, onde tudo nasce, na pré-época, caiu daquela forma e ia ficar lesionado durante muito tempo deixou-nos muito tristes. Foi muita tristeza, dúvida em relação à relação do atleta, mas depois transformou-se tristeza em energia. Energia para o ajudar, para o trazer mais para nós e para ele se tornar mais forte. Fizemos do Oscar alguém mais próximo e ele sempre dedicado em ajudar o grupo, com experiência, visão do jogo, sensibilidade. É chato, é muito tempo no ginásio, não pode pisar o relvado, não se pode correr.  Transformou-se tristeza em alegria. Foi uma época dura para ele, difícil, mas foram os alicerces para o futuro dele", disse o técnico.

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