Carlos Carvalhal e a viagem aos Açores: «Vamos tentar aproveitar as debilidades do Santa Clara»
Treinador quer somar o primeiro triunfo para o Famalicão
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O Famalicão defronta este domingo (18h00) o Santa Clara ainda sem vitórias no campeonato. Um objetivo que Carlos Carvalhal pretende inverter, principalmente após o desaire caseiro sofrido na jornada anterior, frente ao Marítimo, onde a equipa cometeu erros defensivos.
“O Famalicão, apesar de ter um trabalho de continuidade, não deixa de ser uma equipa diferente, no sentido em que tem um treinador diferente, que aproveita e está a tentar aproveitar as melhores ideias que vieram da época transata e imprimir uma impressão digital. Isso demora o seu tempo, obviamente. Ao mesmo tempo, em cinco posições em seis, tem jogadores praticamente novos. Há alguns de continuidade, mas outros são novos, pelo que existe, no fundo, uma mudança significativa em quase metade da equipa relativamente à época transata. Agora, perante isto que estou a dizer, poderíamos ter ganho o jogo na semana passada? Claramente. Era um jogo em que quem estivesse no estádio, acredito, pensaria que a vitória seria do Famalicão. Fizemos uma segunda parte muito boa, retificámos os erros que fomos cometendo, imprimimos uma dinâmica muito mais próxima daquela que desejamos, daquilo que queremos, e mostrámos isso aos jogadores.”
E como foi a semana de trabalho após esse desaire?
"A evolução deixou-nos satisfeitos, independentemente do resultado que tivemos, principalmente na segunda parte. A semana foi ainda melhor. Aquilo que esperamos é que, no Santa Clara, haja correspondência à evolução que a equipa tem demonstrado. Os erros foram falados, foram procurados, foram combatidos, mas estamos sempre à distância de um erro individual, que é coletivo, de qualquer jogador, em qualquer circunstância, seja qual for o jogador do mundo. Coincidiram dois erros no mesmo jogo, infelizmente, daqueles erros que não se podem cometer, obviamente.”
O Santa Clara começou muito bem o campeonato. Quais são as principais dificuldades que espera encontrar?
"Não há nenhum jogo fácil no campeonato português, já o disse. Vão ser todos jogos difíceis. A equipa do Santa Clara é bem organizada. O Petit é um treinador que organiza bem as equipas. Os seus pontos fortes estão claramente nos três jogadores da frente. São duas alas muito rápidas e virtuosas e o [Gonçalo] Paciência está numa forma muitíssimo boa, terá, obviamente, também as suas habilidades. Vamos tentar aproveitar as debilidades do Santa Clara e esconder os pontos fortes da equipa do Santa Clara, mas não temos dúvidas nenhumas de que vai ser um jogo difícil. Também não temos dúvidas nenhumas de que vamos jogar para trazer os três pontos dos Açores. Essa é a nossa intenção.”
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Os erros cometidos, sobretudo no início, vão obrigar a alterações na equipa que vai apresentar frente ao Santa Clara?
"Cada jogo tem a sua história. Nós nunca responsabilizamos o jogador por um erro individual, normalmente, a não ser que ele não reaja durante a semana. Porque, às vezes, os jogadores não reagem e, não reagindo, obviamente, o jogador dá um salto ao escolher, digamos assim. Mas normalmente, através de um erro individual, não pensamos que temos de substituir aquele jogador por cometer um erro. Acho que isso seria grave até para o restante dos jogadores, porque, em circunstâncias em que às vezes é preciso arriscar, deixam de arriscar porque sabem que têm o lugar em perigo. Portanto, é também uma questão de confiança, de que aquilo não se vai repetir, e de haver um reforço dos jogadores relativamente à concentração e aos erros que cometeram. Outra coisa importante é que também não deixamos cair ninguém. Se houver necessidade, às vezes, de retirar um jogador durante uma, duas, três ou quatro semanas porque o jogador não está no seu melhor, obviamente que o podemos fazer. Mas tirar diretamente um jogador por um erro individual não o fazemos, porque acreditamos, neste caso em particular, nos jogadores que cometeram esses erros, que têm capacidade e que corresponderam durante a semana e reagiram bem para estar preparados para o próximo jogo. Não podem é repetir erros. Para a semana já não vão dizer a mesma coisa, obviamente.”
Esses erros podem ser considerados erros de crescimento na assimilação do novo sistema que está a tentar implementar na equipa?
“Eu poderia defender-me a dizer que sim, mas não. Não. São dois erros. Um lançamento de linha lateral para a zona interior, nunca treinámos isto. Nunca no ano passado isto aconteceu e nós nunca treinámos isto. E uma situação de um alívio com o peito do pé dentro da área, um alívio-passe, é uma situação que não tem a ver com a forma como tu treinas ou como queres que a equipa jogue. São situações pontuais que podem acontecer a qualquer equipa, em qualquer circunstância. Portanto, eu poderia defender-me a dizer que sim, mas não. Eu, com toda a sinceridade, estou a notar progressos significativos na equipa, em termos de dinâmica. Nós gostamos de ter uma equipa virada para o ataque. As nossas equipas são viradas para a frente, são viradas para as oportunidades de golo, são viradas para ter bola, para criar dano no adversário, para serem equipas agressivas, para serem equipas ambiciosas.”