Diretor do Rio Ave e o caso da criança em Famalicão: «Ninguém obrigou o pai a ir para ali»

Vítor Ramos diz que atitude "foi irresponsável" e que a regra dos adereços existe "por segurança"

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O caso da criança que assistiu ao jogo entre Famalicão e Benfica em tronco nu, depois de ter sido obrigada a despir a camisola das águias para poder aceder ao sector da bancada onde estavam adeptos dos minhotos, continua a dar que falar. Desta feita, foi o diretor de comunicação do Rio Ave, Vítor Ramos, que deixou uma opinião pública sobre o sucedido.

De acordo com o dirigente, a atitude adotada pelo pai da criança "foi irresponsável". "Ninguém o obrigou a ir para a banda de sócios do Famalicão", escreveu Vítor Ramos, lembrando que a regra da proibição de adereços em sectores visitados é prática comum de vários clubes.

Eis a publicação de Vítor Ramos:

"O caso da criança de Famalicão e um pai irresponsável!

Depois de já tanto vomitar ao ler tudo o que é notícia sobre isto, e de ouvir os abutres que gostam muito de aparecer nestas alturas popularuxas porque afinal o futebol até lhes dá jeito, vamos a factos:

1- Grande parte dos clubes adoptou a regra de proibição de entrada de adereços do visitante por duas grandes razões: a) segurança. Sim, segurança! Aquela palavra tão cara que exigem sempre aos clubes de futebol. Imaginem o que é termos uma bancada destinada ao visitado e de repente termos gente no meio com outras cores. Só quem nunca foi ao futebol duvida das escaramuças que isto gera. b) garantir ou pelo menos tentar que uma bancada destinada ao visitado seja mesmo para o visitado, lutando contra a invasão que estes visitantes costumam sempre tentar.

2- Ninguém obrigou aquele pai a ir para uma bancada de Sócios do Famalicão. Foi, porque quis.

3- Forçou a entrada no estádio, com um filho vestido com uma camisola do visitante. Não satisfeito com a indicação profissional do ARD (assistente de recinto desportivo), e como pai extremoso e responsável que é, tentou desafiar a autoridade e chamou um polícia. Polícia que fez o seu trabalho e alertou o pai de que tinha de cumprir as regras do promotor do evento.

4- É importante lembrar que um jogo de futebol não é um evento público. É um evento PRIVADO, sujeito a regras.

5- Como pai super responsável, tirou a camisola ao filho. Sim, foi ele que meteu a criança nessas condições, e fê-lo entrar assim no estádio à sua responsabilidade. Já lá dentro, desafiou a autoridade de ARD e Polícia, tentando vestir novamente a camisola ao filho.

Posto isto, está meio mundo a discutir um problema que não é problema, em vez de se discutir a qualidade da formação cívica em Portugal, a responsabilidade de certos pais (percebem agora porque não se pode deixar entrar certa gente, para certos locais? São capazes de tudo pelo "seu" Benfica, Porto, Sporting), e o constante desafio à autoridade e às regras que o português mesquinho tanto gosta.

Além de falta de cultura desportiva, falta imensa cidadania a este nosso povo.

E o que dizer do Governo e da Comunicação Social sobre isto? Vivemos mesmo tempos de hipocrisia e de populismo histérico.

Salve-se quem puder."

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