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Perante 140 portistas residentes na Suíça, André Villas-Boas explicou, esta quinta-feira, o seu programa de candidatura à presidência do FC Porto, deixando muitos elogios a Sérgio Conceição, na sequência das preocupações pela situação financeira do clube.
"Estamos a ficar para trás. E se não fosse a sagacidade de um treinador realmente especial, podia ainda ter corrido realmente mal. É um treinador que consegue transformar a equipa fruto do seu grande amor pelo FC Porto, tem uma capacidade de motivar os seus atletas como ninguém. Mas, de certa forma, mascarou o estado real das coisas que se passam no topo, na direção", notou André Villas-Boas, já depois de ter apresentado as suas preocupações.
"Nos últimos 12 anos, o FC Porto adicionou 250 milhões de euros ao seu passivo. E, ao mesmo tempo que isso aconteceu, vendeu muito talento, mas teve uma margem de ingresso muito, muito curta relativamente às vendas que fez. Há muito dispêndio de dinheiro que está relacionado com comissões, intermediações, pagamentos a clubes terceiros, pagamentos a clubes formadores, e a realidade é que o FC Porto nos anos onde vendeu mais não conseguiu criar riqueza", sublinhou.
E prosseguiu: "Ao mesmo tempo, nos anos onde ganhou mais, foram, infelizmente, os anos em que se perdeu uma oportunidade para todos nós. Ou seja, se olharmos para trás, nestes últimos 20 anos onde conquistámos duas Ligas Europa, uma Taça Intercontinental, uma Liga dos Campeões e se pensarmos que, em vez de termos crescido, perdemos a relação com os nossos adeptos, perdemos a relação com o nosso associativismo, entrámos em quase descalabro financeiro, parece quase uma irrealidade."
No seguimento, André Villas-Boas ainda revelou alguns dados por si apurados: "O FC Porto tem 88 por cento dos seus sócios em três distritos apenas, Porto, Braga e Aveiro. Ou seja, a sul e ao centro é um deserto (...) Resistem apenas os bravos fora da zona do Porto. E aqui (Suíça) também vocês."
"Nestes últimos 20 anos, onde podíamos ter crescido abruptamente por esse mundo fora, porque somos uma marca forte, temos valores únicos, temos cultura Porto, de paixão, de desejo, de dedicação, acabámos por nos tornar infelizmente num clube fechado, bairrista. Isso, em vez de crescermos nacionalmente como o melhor clube português, com o maior número de associados. Infelizmente, a realidade é essa: pagámos um preço muito elevado por termos tido uma direção que se acomodou nestes últimos 20 anos, e que acabou por tornar o FC Porto de certa forma no seu quintal - o que impediu o seu crescimento", disse ainda Villas-Boas.
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