Homenageado com a Medalha de Mérito da Câmara Municipal do Porto, numa cerimónia que decorreu na manhã desta quinta-feira, nos Paços do Concelho, António Tavares, Provedor da Santa Casa da Misericórdia e presidente da Mesa da Assembleia Geral (MAG) do FC Porto, destacou o orgulho por ver vários elementos ligados ao clube, incluindo o presidente André Villas-Boas e Jorge Costa (a título póstumo), serem reconhecidos pela autarquia.
"É um grande orgulho, porque significa que a cidade reconhece o trabalho que o FC Porto, não só ao nível dos atletas, mas também dos seus dirigentes. Para mim, poder estar aqui também na qualidade de presidente da Mesa da Assembleia Geral do FC Porto e ver este reconhecimento da parte da cidade, num ano que foi tão importante e que deu tantas alegrias aos portuenses e aos portistas através das vitórias do clube, é motivo de grande satisfação", referiu o dirigente, em declarações aos jornalistas, após o evento, reforçando a forte ligação do clube à cidade.
"O clube traz no seu emblema o brasão da cidade e tudo o que significa o Porto, a natureza e o ADN do que é ser Porto: resiliente, vitorioso, frontal e combativo. Isto também é o FC Porto, um clube que tem o nome da cidade na sua própria denominação", frisou.
O presidente da MAG aplaudiu também as declarações recentes de André Villas-Boas, que voltou a reiterar a vontade de manter o FC Porto como um clube dos associados. "Os clubes que passam para as mãos de empresários ou empresas muitas vezes não conseguem manter a sua identidade. Vimos o que aconteceu com clubes históricos em Portugal, que desapareceram completamente. O FC Porto é um clube de associados e é fundamental que haja esta identificação, para que cada sócio sinta que um pouco do clube é seu. O presidente André Villas-Boas tem a preocupação de manter este carácter popular e associativo, mesmo perante as novas dinâmicas da indústria do futebol, sem nunca descurar o profissionalismo da gestão", sublinhou.
Já sobre uma possível proposta de limitação de mandatos na presidência dos dragões, António Tavares referiu que será necessária uma reflexão profunda sobre o assunto. "Já trocámos ideias, mas, neste momento, existem prioridades no clube que ainda não permitiram essa reflexão. É uma reflexão que impactará a liderança e o futuro do clube, pelo que merece toda a atenção. O presidente não esteve presente [na cerimónia da CM Porto] porque está a gozar uma janela de descanso, embora um presidente nunca tenha verdadeiras férias porque há sempre a preparação das épocas. O André Villas-Boas é um dirigente muito preocupado com a identificação do clube com a cidade e será também justamente homenageado pela Câmara. É uma reflexão que se fará num ambiente aberto e, a seu tempo, teremos novidades", disse.
Adicionalmente, o dirigente abordou também as boas relações institucionais que existem atualmente entre o FC Porto e CM Porto. "É muito importante, desde logo pela gestão das infraestruturas que exigem um alinhamento com a autarquia. Atualmente, a relação é saudável e ambas as partes compreendem os contributos que podem dar: a Câmara define as políticas públicas e o FC Porto, enquanto instituição de utilidade pública, corresponde sendo um grande embaixador da cidade no mundo. O clube leva o nome do Porto mais longe, a par do Vinho do Porto, da gastronomia e do turismo. O FC Porto é o grande porta-estandarte da cidade."
Já em relação à nova época, objetivo passa, naturalmente, por fazer melhor. "É sempre possível fazer melhor porque a ambição que move o clube, os seus atletas e dirigentes é a de sermos melhores todos os dias. Esta foi uma grande época, que surpreendeu até os detratores da estratégia que tinha sido adotada. Como o presidente já disse, e o técnico Francesco Farioli confirmou, estamos com a "barriga vazia", temos muita fome de títulos e entramos para fazer melhor. Queremos melhorar no andebol e no hóquei em patins, mas também queremos sobretudo que o FC Porto regresse à Liga dos Campeões para representar o país e elevar o ranking de Portugal nas competições europeias", atirou.