Depois de ter respondido às perguntas do advogado de Iker Casillas, no âmbito do processo cível que opõe o ex-guardião espanhol ao FC Porto e à seguradora Fidelidade, Diogo Costa também prestou depoimento em resposta às perguntas da advogada do FC Porto e da própria juíza do processo. Quando questionado pela representante legal dos dragões, o internacional português revelou que, através do médico do FC Porto, o espanhol já tinha sinalizado um desconforto no peito antes.
Após ter reiterado que o treino em questão foi mais focado "em posse de bola", o que o levou "a cair uma ou duas vezes", o que considera "muito pouco", Diogo Costa respondeu assim quando questionado se se recordava do dia anterior a esse episódio. "Lembro-me de falar com o médico [Nélson Puga] e do Iker se ter queixado que já tinha sentido alguma dor no peito", declarou, dando conta, mais tarde, à juíza, que essa revelação não lhe foi feita pelo espanhol: "Não, ele nunca nos revelou." A revelação, segundo testemunhou, foi-lhe feita pelo médico Nélson Puga, já posteriormente ao dia do enfarte.
Depois, na sequência de várias respostas à advogada do FC Porto, Diogo Costa aprofundou o método de trabalho da equipa técnica de Sérgio Conceição, nomeadamente pelo seu treinador de guarda-redes à altura, Diamantino Figueiredo: "Arranque do treino é feito com corrida ligeira, quase em trote. Segue-se um aquecimento de ativação atrás da baliza. Estamos em fila e sempre em rotação durante cerca de 15 minutos, a fazer duas quedas rasteiras, uma a meia altura, um pouco de jogo de pés e depois troca por outro. Quando é momento de quedas é quase uma defesa para cada um e troca, quando é jogo de pés é cerca de 30 segundos para cada elemento. Não sei quanto tempo durou o jogo enquanto o Iker esteve na baliza, porque varia sempre. Máximo dos máximos 10 minutos num exercício."
Entre outros pormenores, o guardião disse ainda que foi quando estava "fora da fase de jogo" que Casillas pediu ajuda e que o treino de guarda-redes é mais dedicado a outras questões que não a alta intensidade: "Nós não corremos muito, é mais trabalho de explosão de pernas, mas há sempre treinos intensos. O que é a intensidade? Se calhar mais do que cair duas vezes para a direita e duas para a esquerda e mais um par de exercícios é o dobro, mas sempre em ambiente controlado porque o objetivo é chegar ao jogo na melhor condição."
O advogado da seguradora Fidelidade também centrou as suas questões na intensidade de treino, questionando, em média, qual a duração de treino em que os guarda-redes superam os 150 batimentos cardíacos por minutos. "Temos acesso a esses dados. Diria que é um minuto, minuto e meio no máximo. Quando é mais intenso? Anda por volta dos 150 ou chega a 160. O trabalho é feito por zonas, a nossa zona alta, a zona cinco, cerca de 15 segundos, no meu caso é acima dos 179 batimentos, zona máxima recomendada para mim. Posso revelar que às vezes nos jogos consigo atingir mais do que 220 batimentos por minutos", disse, revelando que os guarda-redes mediam a intensidade de treino no final do mesmo: "De 1 a 10? Diria que foi um 3, um treino moderado. Alías, nós temos essa escala e temos de reportar o nosso desgaste no final de cada treino."