Diogo Costa recorda enfarte de Casillas: «Lembro-me de o ver sentado, a alongar, e de repente 'ai ai ai'»

Diogo Costa recorda enfarte de Casillas durante treino
• Foto: José Gageiro/Movephoto

Diogo Costa testemunhou, esta quarta-feira, no Palácio da Justiça, no Porto, no âmbito do processo cível no qual Iker Casillas exige o pagamento de 3,7 milhões de euros ao FC Porto e à seguradora Fidelidade, isto no seguimento do enfarte de miocárdio sofrido pelo espanhol a 1 de maio de 2019, durante um treino no Olival.

"Já não me lembro muito bem em que ano foi, mas recordo-me perfeitamente do episódio. Estes exemplos não se esquecem. Foi num treino mais tático, com os guarda-redes mais em posse de bola e com pouca intervenção, era mais vocacionado para a equipa.  Lembro-me de ver o Iker sentado, a alongar, e de repente 'ai, ai, ai', gerou-se confusão, foi um choque. Foi a primeira vez que assisti a uma coisa semelhante. Foi um momento de grande aflição com o médico à volta dele, eram cerca de 11h30, por aí, era final da manhã", disse, questionado pelo advogado do espanhol, contextualizando o tipo de trabalho realizado pelos guardiões, em específico numa fase mais terminal da temporada: "Há sempre uma ligeira preparação no ginásio antes do treino, cada um tem os seus problemas crónicos, portanto são só alguns cuidados de mobilidade. É meia hora antes do treino e tem uma duração de 20 minutos, aproximadamente. Nesse dia foi um treino mais tático, com poucas quedas, nada assim muito exigente, mais jogo de pés e posse de bola com a equipa.  Fizemos trabalho de coordenação e ativação, que fazemos sempre. Base é o aquecimento, com cuidados para evitar lesões, tem 15 minutos de duração. Como era exercício mais tático não foi o campo todo, mais estreito, mais jogar com os pés, nestes dias os guarda-redes não são sujeitos a um esforço muito grande. Não houve sequência de remates ou exigência física, foi mais simular situações que podem acontecer no jogo. Cada treinador tem a sua maneira de ver, mas em maio a preocupação passa mais pela reação, em estar recuperado, a exigencia física é mais no início da época. Este é o método de trabalho geral dos técnicos. Depois do enfarte não me recordo de ver o Iker no Olival, só me lembro de o ver a ser socorrido e ir para o hospital."

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O contexto de treino em que o enfarte do miocárdio ocorreu, se mais ou menos intenso, poderá ser determinante para julgar a validade do pedido de Iker Casillas. Assim, o depoimento de Diogo Costa ganha especial importância face ao que o próprio Casillas terá transmitido a alguns médicos que o acompanharam. Na parte da manhã, Luís Filipe Seca, cardiologista da CUF Porto, revelou o contexto que lhe foi indicado pelo espanhol. "Já fiz pareceres formais idênticos em outras ocasiões. Depois de um esforço físico de máxima intensidade, como aconteceu em 1 de maio de 2019, mediante a informação que me foi transmitida e validada pelo próprio jogador quando tive abordagem clínica com ele. Tento descrever no meu parecer que, segundo palavras do próprio [Casillas], foi numa fase de alta intensidade do treino que o acidente aconteceu.  Essa fase específica em que foi descrita a elevada intensidade do esforço. Para mim, o Iker não devia voltar a jogar, nunca o recomendaría, nunca assinaria que era viável o seu regresso à competição. Homem que teve um enfarte não está isento de outro, aliás o risco é permanente até ao final da vida de o voltar a ter, logo devemos fazer tudo para evitar.”

Hugo Esteves, gestor de recursos humanos no FC Porto há 16 anos, também testemunhou, no caso para fazer a cronologia dos pagamentos feitos pelo clube a Casillas na sequência do episódio. "Sou o responsável pelo processamento salarial de todos os elementos do FC Porto. O Iker Casillas não foi trabalhar depois de 1 de maio de 2019, mas o FC Porto processou e pagou todos os salários do Iker até ao final de junho de 2020, com subsídios de férias e de Natal pagos em duodécimos. O valor de compensação por doença expresso no recibo de vencimento foi para que o valor líquido fosse idêntico ao valor acordado. Em abril e maio houve um acordo feito com os atletas, por causa da Covid-19, em que foi reduzido o valor líquido de todos os atletas, que depois foi devolvido, e, no caso de Casillas, em novembro de 2020, que foi quando regularizamos a capacidade de tesouraria, a parte que faltava. Deixámos de pagar ao Iker no final de junho de 2020, por indicação da administração, que nos comunicou a cessação do contrato de trabalho, o que transmitimos à Segurança Social. Não nos foi apresentado motivo ou dada outra explicação, apenas comunicado que o contrato terminava em final de junho."

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Por Pedro Malacó
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